Folha de S. Paulo
A exemplo de Trump e Netanyahu, um novo
governo do clã Bolsonaro tenderia à radicalização
Fraqueza do STF e Congresso dominado pela
ultradireita agravam os riscos institucionais
Biológica e juridicamente, Jair e
Flávio
Bolsonaro são seres distintos. Mas, politicamente, atuam como um
coletivo. Assim, uma vitória de Flávio iniciaria não o seu primeiro mandato,
mas o segundo do clã Bolsonaro. E é aí que mora o perigo.
A literatura mostra que processos de erosão democrática patrocinados por líderes autoritários costumam ficar mais agudos a partir de seus segundos mandatos. E esses movimentos tendem a intensificar-se ainda mais se o dirigente tiver sido removido do poder por um período e depois retornado. É aí que eles vêm com sangue nos olhos. Vimos isso claramente nos casos de Trump 2, de Netanyahu pós-2022 e do último Viktor Orbán. Candidatos a explicar a radicalização incluem os ressentimentos acumulados, o maior conhecimento das engrenagens do poder, que torna suas ações mais eficazes, e o afastamento dos membros mais moderados de suas coalizões.
No caso brasileiro, um eventual Bolsonaros 2
encontrará ainda um ambiente institucional deteriorado. O STF, que no
mandato de Jair foi uma importante linha de defesa contra abusos, está em
frangalhos.
Registre-se que a fragilidade do Supremo
decorre de erros e defeitos de seus próprios membros. Outra força moderadora da
política brasileira é o centrão. O bloco de parlamentares com pouca ideologia e
muito amor por cargos e verbas nunca teve problemas para apoiar qualquer
administração que pagasse seu preço, mas costumava vetar radicalismos.
O centrão se opôs às iniciativas legislativas
mais tresloucadas de Bolsonaro 1 e, mais recentemente, não permitiu a aprovação
de uma anistia ao ex-presidente condenado. Bem, a vitória da
direita bolsonarista no Parlamento foi tão contundente que o
centrão, ao menos nominalmente, perdeu espaço.
O grupo segue existindo e continuará a atuar
como fiel da balança. Mas, a partir da nova legislatura, o bolsonarismo não
precisará cooptar mais do que meia dúzia de senadores e algumas dezenas de
deputados do bloco para fazer passar suas boiadas constitucionais e
impeachments.
.jpg)
Então o jeito é o Lula governando para-o resto de sus vida? Instalar a monarquia com o rei Lula reinando para sempre? Uma solução versátil digna do Brasil, realmente !
ResponderExcluir