segunda-feira, 5 de outubro de 2026

A volta a um passado que nunca existiu, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

A extrema direita transforma em glórias os crimes que se cometeram para garanti-las

E é um passado ainda mais perigoso, porque promete um futuro que também nunca existirá

Em sessão recente na Academia Brasileira de Letras, meu colega, o escritor João Almino, levantou uma importante questão: a estratégia da extrema direita, que, "sob uma capa superficial de defesa da liberdade, da família, dos costumes, da tradição, da ordem, da religião, da nação, da civilização ou da própria democracia, adota um discurso de regresso ao passado". E que passado é esse? Um que nunca existiu e muito menos foi vivido por aqueles que o defendem.

Um passado não só fictício como perigoso, porque transforma em supostas glórias os crimes que se cometeram para garanti-las e faz com que eles, os crimes, sejam vistos com naturalidade e anseio. Na Europa, isso se manifesta no atual controle pela extrema direita de países como Itália, Suécia, Hungria e Polônia e no crescimento dela na França, Espanha, Áustria e, inacreditavelmente, Alemanha. Que tais países estejam à beira de uma nova onda nazifascista já é suficientemente incompreensível –para que lutaram os avós desse pessoal entre 1932 e 1945? Mas, na Alemanha, é chocante –nenhum outro foi mais algoz e vítima de si mesmo.

Os argumentos dos extremistas europeus são os mesmos que Mussolini e Hitler usaram para se impor: crise econômica, nacionalismo, antiglobalização, xenofobia, pureza racial (luta contra a imigração) e a "volta à verdadeira essência da nação" —como se uma suposta essência fosse possível de determinar.

No Brasil, a receita bolsonarista adota a maioria desses ingredientes, enfatizando o papel da religião, com Jesus Cristo, como diz Almino, "rebaixado a cabo eleitoral". Há também uma nostalgia da ditadura civil-militar –nostalgia que, para existir, precisa negar o que a sustentou por 21 anos: proibição de eleições, empobrecimento político de duas gerações, censura, prisões, tortura, exílio de seus melhores cérebros (de imediato acolhidos pelos EUA e pela Europa) e um falso "milagre econômico".

Não é só a tentativa de volta a um passado que nunca existiu, mas a promessa de um futuro que também não existirá.

 

2 comentários:

  1. Jornalismo de esquerda é assim ver todos os defeitos da direita e ver a esquerda só anjinhos como não lembrar do filho do Lula fugitivo lá na Espanha enrolada até o pescoço no roubo do dinheiro dos velhinhos pensionistas
    Como não Lembrar o currículo extenso do Lula em escândalos e corrupção
    Como não lembrar que ele foi condenado há 20 anos de cadeia por nove juízes por unanimidade em três tribunais de justiça
    O seu chefe de gabinete facilitando a a entrada da Roberta e do Lulinha nos ministérios para as negociações escusas
    À esquerda só vê defeito no Flávio impressionante um candidato Como Lula que aprendeu a mentir e não para mais e a imprensa passando pano
    Falou no toque das meninas e a imprensa não repercutiu
    Agora depois de votar e tirar uma foto com o Geraldo alckmin amassou e jogou a bandeira do Brasil no chão
    Silêncio no jornalismo
    Mas todo mundo vai cair junto com o Lula vocês vão ficar com cara de tacho e aí vou arrumar uma outra narrativa e vão passar a ser oposição ferrenha ao Flávio

    ResponderExcluir
  2. O Anônimo acima é uma FakeNews ambulante...

    ResponderExcluir