Folha de S. Paulo
Eduardo diz que haverá 'faxina' no órgão se
irmão for eleito
E há o risco de a promessa se alastrar para
outros órgãos, como PF e BC
Duas reportagens
de Patrícia Campos Mello publicadas
nesta quarta (30) na Folha detalham como seria a política externa de Flávio
Bolsonaro, se eleito.
Depois do isolacionismo implementado durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, a equipe de Flávio buscará, se bem-sucedida nas eleições, intensificar o alinhamento aos EUA, no estilo e na condução da política externa. O projeto possui um codinome: "reforma do Marco Rubio", referência ao belicoso secretário de Estado americano.
O que se propõe, afinal, é uma mudança
radical do lugar da diplomacia do Brasil no mundo. Seria um cavalo de pau na
política externa brasileira, que se tornaria menos multilateral e mais
subserviente aos EUA; menos pragmática e mais ideológica, privilegiando
alinhamentos a países sob a liderança da direita; mais conflituosa com a China
e com o Brics
em geral.
Ficam as perguntas sobre se o agro brasileiro
está disposto a pagar a conta de tensões com os chineses e se a população
estaria disposta a debater Pix, big techs
e temas afins com os EUA.
O alvo principal seria o próprio Itamaraty,
com uma reestruturação à la Rubio do corpo diplomático, com menor participação
de diplomatas de carreira e mais indicações políticas, ou seja, menos João
Cabral de Melo Neto e mais Filipe Martins. Hoje, apenas 9% dos embaixadores
americanos vêm do corpo diplomático, evidenciando a partidarização da carreira.
Direto dos EUA, Eduardo Bolsonaro propôs uma
"faxina" (leia-se caça às bruxas) no Itamaraty se o irmão for eleito,
o que eleva o risco real de perseguição política no órgão.
Trata-se de um erro para o Brasil, que se
beneficia, inclusive economicamente, da habilidade histórica da diplomacia de
dialogar e negociar com o espectro mais amplo possível de países. E há o risco
de que a caça às bruxas se alastre para outros órgãos, como Polícia
Federal e Banco Central.
Um corpo técnico no alto funcionalismo é
indispensável para a qualidade do Estado, da diplomacia ao combate à corrupção,
e é isso o que está sob ameaça.

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