sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Debates decisivos para a democracia, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Em eleição polarizada, a oportunidade de atrair a simpatia de quem anulou voto pode fazer a diferença

Com participação confirmada de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, os debates previstos para ocorrerem no segundo turno serão fundamentais para a democracia brasileira e podem ajudar a decidir a eleição. Até agora, Lula e Flávio não se enfrentaram frente a frente, recusando os confrontos e contando até com decisões jurídicas favoráveis para não participarem.

O primeiro debate deste segundo turno acontece no domingo, dia 18 de outubro, e será promovido pela Band e pelo Estadão. Pesquisas qualitativas demonstram que os eleitores já não acreditam mais em propaganda eleitoral gratuita e percebem o “truque” por trás dos discursos dos candidatos. Tanto que as redes sociais viraram o verdadeiro campo de batalha.

É no debate frente a frente que o eleitor finalmente tem a oportunidade de conhecer os candidatos, comparar sua performance diante do contraditório, e averiguar suas propostas.

E essa até agora foi uma campanha vazia de propostas.

Flávio Bolsonaro vende uma ideia de mudança e atrai votos do antipetismo. Mas poucos o conhecem a não ser por ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. As pessoas também não sabem dizer como seria essa mudança que ele tanto promete, particularmente na economia, porque o candidato não detalhou. Também tem dúvidas sobre como ele vai se comportar em questões ambientais ou nas relações internacionais.

Já Lula usou e abusou da caneta e contou com a força de aliados de ocasião no Congresso

para medidas de efeito às vésperas da eleição: reajuste do Bolsa Família, proibição das bets e o fim da jornada 6 por 1, entre outras.

Mas pouco falou de futuro – um erro que foi detectado por aliados após o resultado do primeiro turno, quando o presidente chegou atrás de Flávio. O que ele pretende num governo Lula 4?

Se os debates não virarem um ringue de briga e conseguirem contar com a mediação correta do jornalismo profissional, finalmente propostas tendem a vir à tona.

De toda forma, antecipa-se um clima de guerra porque a diferença entre os dois está encurtando nas pesquisas eleitorais. Recentemente, levantamento da Quaest mostrou empate técnico com Flávio, apenas dois pontos à frente de Lula.

Estrategistas costumam dizer que debate é um jogo de soma zero para as campanhas. Vence quem errar menos. E só perde espetacularmente quem errar feio.

Mas, numa eleição polarizada como essa, qualquer oportunidade de atrair a simpatia de quem votou branco, nulo ou se absteve no primeiro turno pode fazer a diferença.

 

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