O Estado de S. Paulo
Em eleição polarizada, a oportunidade de atrair a simpatia de quem anulou voto pode fazer a diferença
Com participação confirmada de Luiz Inácio
Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro, os debates previstos para ocorrerem no
segundo turno serão fundamentais para a democracia brasileira e podem ajudar a
decidir a eleição. Até agora, Lula e Flávio não se enfrentaram frente a frente,
recusando os confrontos e contando até com decisões jurídicas favoráveis para
não participarem.
O primeiro debate deste segundo turno acontece no domingo, dia 18 de outubro, e será promovido pela Band e pelo Estadão. Pesquisas qualitativas demonstram que os eleitores já não acreditam mais em propaganda eleitoral gratuita e percebem o “truque” por trás dos discursos dos candidatos. Tanto que as redes sociais viraram o verdadeiro campo de batalha.
É no debate frente a frente que o eleitor
finalmente tem a oportunidade de conhecer os candidatos, comparar sua
performance diante do contraditório, e averiguar suas propostas.
E essa até agora foi uma campanha vazia de
propostas.
Flávio Bolsonaro vende uma ideia de mudança e
atrai votos do antipetismo. Mas poucos o conhecem a não ser por ser filho do
ex-presidente Jair Bolsonaro. As pessoas também não sabem dizer como seria essa
mudança que ele tanto promete, particularmente na economia, porque o candidato
não detalhou. Também tem dúvidas sobre como ele vai se comportar em questões
ambientais ou nas relações internacionais.
Já Lula usou e abusou da caneta e contou com
a força de aliados de ocasião no Congresso
para medidas de efeito às vésperas da
eleição: reajuste do Bolsa Família, proibição das bets e o fim da jornada 6 por
1, entre outras.
Mas pouco falou de futuro – um erro que foi
detectado por aliados após o resultado do primeiro turno, quando o presidente
chegou atrás de Flávio. O que ele pretende num governo Lula 4?
Se os debates não virarem um ringue de briga
e conseguirem contar com a mediação correta do jornalismo profissional,
finalmente propostas tendem a vir à tona.
De toda forma, antecipa-se um clima de guerra
porque a diferença entre os dois está encurtando nas pesquisas eleitorais.
Recentemente, levantamento da Quaest mostrou empate técnico com Flávio, apenas
dois pontos à frente de Lula.
Estrategistas costumam dizer que debate é um
jogo de soma zero para as campanhas. Vence quem errar menos. E só perde
espetacularmente quem errar feio.
Mas, numa eleição polarizada como essa,
qualquer oportunidade de atrair a simpatia de quem votou branco, nulo ou se
absteve no primeiro turno pode fazer a diferença.

Nenhum comentário:
Postar um comentário