O Estado de S. Paulo
Eduardo Bolsonaro pode ou não ser chanceler, mas vem aí ‘faxina’ no Itamaraty e nas Forças Armadas
O senador Flávio Bolsonaro descartou seu
irmão Eduardo como chanceler no seu eventual governo, mas isso não é suficiente
para acalmar os ânimos nas duas principais carreiras de Estado, diplomatas e
militares, que temem a repetição no Brasil do que Donald Trump fez ao assumir
pela segunda vez a presidência dos EUA: uma caça às bruxas.
Está praticamente descartada uma nova tentativa de golpe militar, como nos anos de Jair Bolsonaro, mas o sinal amarelo acendeu quando Eduardo Bolsonaro anunciou a caça às bruxas como “uma faxina” no Itamaraty, para varrer os diplomatas não alinhados com o governo do pai nem com a campanha do irmão. Mais um tiro no pé, ou melhor, na campanha de Flávio.
Imediatamente, diplomatas e militares
lembraram não só do desastre do governo anterior no Brasil, mas também da
vingança do todo-poderoso Trump nos EUA, que deixou um rastro de demissões e
humilhações no Departamento de Estado e no Pentágono, algo inédito na grande
democracia americana.
Jair Bolsonaro, agora condenado a 27 anos de
prisão pela tentativa de golpe, não só tragou altas patentes para a aventura
antidemocrática e levou a imagem, a coesão e a autoestima das Forças Armadas ao
menor nível imaginado. Ele também nomeou o pior chanceler da história. Por
decisão de quem? Do filho Eduardo.
Ernesto Araújo, diplomata sem brilho, da
seita do indescritível Olavo de Carvalho e que nem sequer havia sido embaixador
na prática, assumiu o Itamaraty. Os militares da linha de frente do governo
resistiram, mas o 03 falava mais alto do que suas quatro estrelas. Deu no que
deu: um desastre.
E nos EUA? O general Mark Milley, defensor da
democracia no histórico quebra-quebra do Capitólio pelos trumpistas, já estava
na reserva quando Trump voltou, mas foi afastado de conselhos de Estado e até
suas fotos oficiais foram retiradas do Pentágono, ao velho estilo stalinista.
Foi um aviso para os militares.
No Departamento de Estado houve exatamente o
que Eduardo pretende para o Itamaraty: “uma faxina”. Nada menos que 30
diplomatas perderam seus cargos e 90% das embaixadas passaram ao comando, não
de profissionais da carreira, mas de amigos e ricaços doadores de campanha do
presidente. Trump usou o “America First” para trocar diplomacia por negócios –
e negociatas.
O justo temor de diplomatas e militares é de
que, além do efeito nas suas carreiras, o Brasil adote o “America First”, com
Flávio inaugurando seu eventual governo com enviados americanos prontos a
arrancar privilégios e lucros, que serão aprovados por um Congresso dominado
pelo PL e custarão muito caro aos brasileiros durante décadas.

É inacreditável a sua forma tendenciosa de fazer jornalismo Eliane , não é à toa que até a Globo te demitiu pelo exagero , quando desdenhou das mortes em Israel dos Mísseis iranianos
ResponderExcluirEmbaixada é cargo de confiança e a qualidade duvidosados diplomatas que estão aí a serviço do PT ?
você acha justo fazer campanha pro candidato Lula sendo servidor do Itamaraty?
Com isso Você perde Credibilidade cada vez mais