domingo, 18 de outubro de 2026

Diplomatas e militares que se cuidem! Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Eduardo Bolsonaro pode ou não ser chanceler, mas vem aí ‘faxina’ no Itamaraty e nas Forças Armadas

O senador Flávio Bolsonaro descartou seu irmão Eduardo como chanceler no seu eventual governo, mas isso não é suficiente para acalmar os ânimos nas duas principais carreiras de Estado, diplomatas e militares, que temem a repetição no Brasil do que Donald Trump fez ao assumir pela segunda vez a presidência dos EUA: uma caça às bruxas.

Está praticamente descartada uma nova tentativa de golpe militar, como nos anos de Jair Bolsonaro, mas o sinal amarelo acendeu quando Eduardo Bolsonaro anunciou a caça às bruxas como “uma faxina” no Itamaraty, para varrer os diplomatas não alinhados com o governo do pai nem com a campanha do irmão. Mais um tiro no pé, ou melhor, na campanha de Flávio.

Imediatamente, diplomatas e militares lembraram não só do desastre do governo anterior no Brasil, mas também da vingança do todo-poderoso Trump nos EUA, que deixou um rastro de demissões e humilhações no Departamento de Estado e no Pentágono, algo inédito na grande democracia americana.

Jair Bolsonaro, agora condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe, não só tragou altas patentes para a aventura antidemocrática e levou a imagem, a coesão e a autoestima das Forças Armadas ao menor nível imaginado. Ele também nomeou o pior chanceler da história. Por decisão de quem? Do filho Eduardo.

Ernesto Araújo, diplomata sem brilho, da seita do indescritível Olavo de Carvalho e que nem sequer havia sido embaixador na prática, assumiu o Itamaraty. Os militares da linha de frente do governo resistiram, mas o 03 falava mais alto do que suas quatro estrelas. Deu no que deu: um desastre.

E nos EUA? O general Mark Milley, defensor da democracia no histórico quebra-quebra do Capitólio pelos trumpistas, já estava na reserva quando Trump voltou, mas foi afastado de conselhos de Estado e até suas fotos oficiais foram retiradas do Pentágono, ao velho estilo stalinista. Foi um aviso para os militares.

No Departamento de Estado houve exatamente o que Eduardo pretende para o Itamaraty: “uma faxina”. Nada menos que 30 diplomatas perderam seus cargos e 90% das embaixadas passaram ao comando, não de profissionais da carreira, mas de amigos e ricaços doadores de campanha do presidente. Trump usou o “America First” para trocar diplomacia por negócios – e negociatas.

O justo temor de diplomatas e militares é de que, além do efeito nas suas carreiras, o Brasil adote o “America First”, com Flávio inaugurando seu eventual governo com enviados americanos prontos a arrancar privilégios e lucros, que serão aprovados por um Congresso dominado pelo PL e custarão muito caro aos brasileiros durante décadas.

 

Um comentário:

  1. É inacreditável a sua forma tendenciosa de fazer jornalismo Eliane , não é à toa que até a Globo te demitiu pelo exagero , quando desdenhou das mortes em Israel dos Mísseis iranianos
    Embaixada é cargo de confiança e a qualidade duvidosados diplomatas que estão aí a serviço do PT ?
    você acha justo fazer campanha pro candidato Lula sendo servidor do Itamaraty?
    Com isso Você perde Credibilidade cada vez mais

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