sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Flávio, amigão de Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Flávio isolou o bolsonarismo, lançou Tarcísio e deixou a direita livre para negociar com Lula

Com a sua fuga patética para os braços de Donald Trump e para o antro do sempre equivocado irmão Eduardo, Flávio Bolsonaro uniu o mundo político num rechaço uníssono, deu o pretexto que a direita precisava para negociar com Lula e isolou o bolsonarismo mais danoso no Congresso. É a volta da normalidade, com suas qualidades e defeitos, mas democrática.

Presentão de aniversário de 81 anos de Lula, que entra no quarto mandato mais aliviado e diante de mais equilíbrio e sensatez na Câmara e no Senado. Um presentão, também, para Tarcísio de Freitas, que, com uma ressalva conveniente daqui, outra dali, para não magoar Jair Bolsonaro, já está em plena campanha.

Os Bolsonaro são mesmo impressionantes. Quando Lula estava no fundo do poço, deram o discurso da soberania. No primeiro turno, vieram com bandeiras dos EUA e Israel nos atos públicos e ainda capricharam com um foguete inflável onde se lia “Trump nuke Brazil” (“Trump, exploda o Brasil”). No segundo, mais e mais dados sobre o maravilhoso mundo de Flávio Bolsonaro. Nada como a fuga.

Se há algo imperdoável na política é a mentira “para dentro”. Flávio mentiu para a sociedade brasileira sobre Vorcaro, jatinho, registros de balas policiais... e continua mentindo sobre “Dark Horse”. Mas seus dois erros mortais foram mentir sobre a fuga e se declarar presidente do Brasil em solo americano.

Na véspera de meter a família numa aventura sem volta, Flávio postou nas redes sociais, com a cara mais limpa, que “jamais pensou em deixar o Brasil (ainda com S)”, enganando o País, seus próprios eleitores e até seus coordenadores de campanha e aliados de primeira hora. Seu entorno mais fiel ficou a ver navios.

Não bastasse declarar-se presidente do Brasil, ele depois, rapidinho, trocou por “líder”, confirmando que não tem as mínimas condições de ser uma coisa nem outra. Uma onda de alívio atravessou o País e ele ficou falando sozinho.

Sua derradeira cartada é mais uma farsa. Trump tem mais com o que se preocupar, diante da sua própria derrota na próxima terça-feira, e suas declarações, apesar de jogarem suspeitas sobre o resultado brasileiro, vêm sendo acompanhadas de recados amigáveis para Lula: “gosto dele”, “vou falar com ele.”

Presidentes, primeiros-ministros e líderes do mundo inteiro reconheceram e comemoraram a vitória de Lula. Não só eles. Os cidadãos e ativistas democratas, humanistas, jovens, ambientalistas... lotaram a internet com alento: a vitória não foi só do Brasil, foi um exemplo para o mundo. Você perdeu, Flávio! Vocês perderam, Bolsonaros!

 

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