O Estado de S. Paulo
Flávio isolou o bolsonarismo, lançou Tarcísio e deixou a direita livre para negociar com Lula
Com a sua fuga patética para os braços de
Donald Trump e para o antro do sempre equivocado irmão Eduardo, Flávio
Bolsonaro uniu o mundo político num rechaço uníssono, deu o pretexto que a
direita precisava para negociar com Lula e isolou o bolsonarismo mais danoso no
Congresso. É a volta da normalidade, com suas qualidades e defeitos, mas
democrática.
Presentão de aniversário de 81 anos de Lula, que entra no quarto mandato mais aliviado e diante de mais equilíbrio e sensatez na Câmara e no Senado. Um presentão, também, para Tarcísio de Freitas, que, com uma ressalva conveniente daqui, outra dali, para não magoar Jair Bolsonaro, já está em plena campanha.
Os Bolsonaro são mesmo impressionantes.
Quando Lula estava no fundo do poço, deram o discurso da soberania. No primeiro
turno, vieram com bandeiras dos EUA e Israel nos atos públicos e ainda
capricharam com um foguete inflável onde se lia “Trump nuke Brazil” (“Trump,
exploda o Brasil”). No segundo, mais e mais dados sobre o maravilhoso mundo de
Flávio Bolsonaro. Nada como a fuga.
Se há algo imperdoável na política é a
mentira “para dentro”. Flávio mentiu para a sociedade brasileira sobre Vorcaro,
jatinho, registros de balas policiais... e continua mentindo sobre “Dark
Horse”. Mas seus dois erros mortais foram mentir sobre a fuga e se declarar
presidente do Brasil em solo americano.
Na véspera de meter a família numa aventura
sem volta, Flávio postou nas redes sociais, com a cara mais limpa, que “jamais
pensou em deixar o Brasil (ainda com S)”, enganando o País, seus próprios
eleitores e até seus coordenadores de campanha e aliados de primeira hora. Seu
entorno mais fiel ficou a ver navios.
Não bastasse declarar-se presidente do
Brasil, ele depois, rapidinho, trocou por “líder”, confirmando que não tem as
mínimas condições de ser uma coisa nem outra. Uma onda de alívio atravessou o
País e ele ficou falando sozinho.
Sua derradeira cartada é mais uma farsa.
Trump tem mais com o que se preocupar, diante da sua própria derrota na próxima
terça-feira, e suas declarações, apesar de jogarem suspeitas sobre o resultado
brasileiro, vêm sendo acompanhadas de recados amigáveis para Lula: “gosto
dele”, “vou falar com ele.”
Presidentes, primeiros-ministros e líderes do
mundo inteiro reconheceram e comemoraram a vitória de Lula. Não só eles. Os
cidadãos e ativistas democratas, humanistas, jovens, ambientalistas... lotaram
a internet com alento: a vitória não foi só do Brasil, foi um exemplo para o
mundo. Você perdeu, Flávio! Vocês perderam, Bolsonaros!

É bem isto!
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