sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Flávio gera suspeita ao se propor a redemocratizar o país, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

As palavras 'democracia' e 'Constituição' soam duvidosas ante o histórico golpista da família Bolsonaro

Candidato a presidente está obrigado a se expressar sem resquício de dubiedade em questões institucionais

Se não for bravata ou fruto de ignorância, a ideia de Flávio Bolsonaro (PL) de "redemocratizar o país" caso seja eleito é um acinte aos 41 anos de vigência da democracia e uma provocação à concertação nacional que pôs fim ao regime militar.

A dianteira no primeiro turno não dá ao candidato apenas o favoritismo na disputa presidencial. Obriga-o a medir palavras, sopesar pensamentos, conter certos ímpetos e, sobretudo, demonstrar conhecimento sobre a história (ao menos a mais recente) do Brasil.

Daqui a poucos dias o senador poderá ser eleito presidente da República, o que o coloca desde já sob rigoroso escrutínio da nação. Isso vale também para o caso de ser derrotado e venha a ocupar a liderança de uma oposição de predominante presença no Congresso Nacional.

A declaração sobre as mudanças constitucionais que pretenderia levar adiante a bordo da maioria de direita na Câmara e no Senado não pode passar despercebida. Como prevenção a surpresas, é essencial que se cobre do candidato explicação detalhada sobre o que exatamente quis dizer com "redemocratizar" o Brasil.

Estaria pretendendo patrocinar a convocação de uma Assembleia Constituinte? Sendo um plano de alterações ponto a ponto, quais seriam as mudanças elencadas? A justificativa dele é que é preciso restaurar no país o respeito à Constituição. Para isso não é necessário fazer tábula rasa da Carta; é preciso, antes, liderar um processo de reorganização institucional —se houver real compromisso com a legalidade.

Os termos "democracia" e "Constituição" soam duvidosos quando emergem do clã Bolsonaro, promotor da única agressão feita ao Estado de Direito nas últimas quatro décadas.

O patriarca está preso por tentar dar um golpe "dentro das quatro linhas". Ao herdeiro não se pode facilitar o trânsito no caminho de zerar a trajetória da República, refundada em 1985, para restaurar o regime ao gosto do arbítrio. Ainda que vestido em pele de cordeiro, o lobo não renega a natureza.

 

Um comentário:

  1. O filho do golpista MENTE NOVAMENTE! Não tem moral e nem histórico pra falar em Democracia!

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