Fato é que as apostas por quota fixa online,
associadas a outros jogos por internet, usando as modernas ferramentas digitais
e inundando nossa mídia com agressivo marketing, levaram a uma explosão no
volume de dinheiro direcionado para o jogo.
Após a legalização das BETS, a expansão desse
mercado tornou-se o principal motor do endividamento das famílias brasileiras,
superando o impacto de fatores que tradicionalmente influenciam a economia
familiar, como o crédito e os juros elevados. Estudo da FIA Business School e
do IBEVAR demonstrou que para cada aumento de 1% nas apostas online, o
endividamento cresce 0,23%. O seu impacto na inadimplência foi estimado em três
vezes mais o efeito do crédito e dos juros somados.
Apenas em 2025, subtraindo os prêmios
recebidos do dinheiro apostado, houve uma transferência de R$ 62,5 bilhões das
famílias para as BETS. Entidades vinculadas ao comércio varejista identificaram
uma forte queda do consumo em função do desvio da renda da família motivado pelas
apostas online.
Isso derivou no agravamento de doenças e
transtornos relativos à saúde mental, tais como depressão, ansiedade,
ludopatia, pânico, insônia, estresse, pensamentos suicidas, a partir do
endividamento radical e da desagregação familiar derivada, provocados pelo
hábito descontrolado de apostar, já que o cassino reside no celular de cada um,
ao alcance das mãos 24 horas por dia. Os gestores do SUS narram um aumento
descomunal de demanda sobre os serviços de atenção à saúde mental.
Por outro lado, as BETS foram legalizadas em lei
de 2018 e regulamentadas por outra lei de final de 2023, já no atual governo. Um
dos principais gargalos a travar o desenvolvimento econômico brasileiro
chama-se insegurança jurídica. A economia de mercado pressupõe uma sociedade
alicerçada em contratos e previsibilidade. A quebra contínua e inesperada de
leis e contratos afasta investidores e mina a credibilidade do país. Se
sabíamos dos riscos, para que legalizamos e regulamentamos. Se é correto
proibir, seria preciso uma transição com solidez jurídica. O assunto já está
sendo objeto de judicialização.
Sem falar que a medida, tomada de afogadilho,
se deu a poucos dias da eleição, fragilizando a decisão e pegando de surpresa organizações
com atividades financiadas pelas BETS, como os times de futebol.
Não tenhamos dúvidas que o assunto ainda vai dar pano para a manga.

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