Folha de S. Paulo
Sempre resistentes a reconhecer erros,
petistas falam em atualizar o partido depois do sacolejo eleitoral
É tarefa do Lula reeleito mostrar que foi
além das palavras ao prometer mudar o jeito de governar
O que mais se ouve hoje entre os petistas é
um apelo à autocrítica. "O PT precisa mudar" é a
frase síntese das análises do campo governista sobre o transcorrer de uma
eleição que quase impôs ao partido a mais humilhante das derrotas de sua
trajetória.
O partido nunca foi dado ao reconhecimento de erros, não obstante os alertas de dirigentes e lideranças a respeito da necessidade de revisão da velha cartilha.
Os defensores da atualização de
procedimentos, além de não serem ouvidos, em vários casos tornaram-se alvos de
críticas, indiferença ou postos em situação de degredo político.
A premência da mudança ao que se vê depois do
sacolejo eleitoral parece ter-se imposto e chegado ao topo da cadeia de
comando. Vale dizer, a Luiz Inácio
da Silva, cuja disposição de mudar "o jeito de governar",
contudo, ainda está para se mostrar mais consistente que as palavras ditas na
empolgação da vitória, em
25 de outubro.
As cobranças já começaram, por ora
concentradas no rumo que será dado à economia.
Do presidente reeleito serão exigidas respostas para muito mais.
Alguns itens da lista: recuperação da
confiança no governo, reconstrução do trato equilibrado com o Congresso
Nacional, revisão das relações com o Supremo Tribunal Federal (STF), inclusão
das forças de centro na condução do Estado e eficácia na administração.
Outro ponto de crucial importância, mas sobre
o qual quase nada se fala, é o compromisso com a ética na política. A
indulgência do PT para com seus tropeços morais —digamos assim— acaba
funcionando como salvo-conduto de tolerância para as malfeitorias dos
adversários. Aconteceu na eleição.
Para ficarmos só nesse período, tivemos o uso
abusivo da máquina pública ao arrepio das regras eleitorais de restrição,
qualificadas por Lula
como
"papagaiada desgraçada" durante uma inauguração de que
participava na condição de dublê de presidente e candidato.
A defesa da democracia implica,
necessariamente, respeito e obediência à legalidade.

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