sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Outra má notícia para os Bolsonaros, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo dependerá de lobby diplomático brasileiro

A derrota republicana no Congresso dos Estados Unidos é má notícia para a família Bolsonaro em várias frentes.

A primeira e mais óbvia é o enfraquecimento do trumpismo, expoente máximo da estratégia de internacionalização da direita em que os Bolsonaros sempre se apoiaram. Com Trump derrotado, a direita global perde força.

A segunda é que pode diminuir o respaldo político em favor da família Bolsonaro.

Provavelmente, Flávio e Eduardo Bolsonaro continuarão contando com o apoio nos bastidores do secretário de Estado, Marco Rubio, e de seus assessores mais próximos.

Publicamente, a situação é mais delicada. Acusado de ter facilitado a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, Rubio foi taxativo: “Não facilitamos nada”.

Também é muito provável que comecem a surgir mais questionamentos dos democratas para investigar a concessão de visto e apoio para os irmãos Bolsonaro, inclusive para a entrada de Flávio Bolsonaro no país.

Com maioria nas duas Casas, os democratas vão buscar motivos para fustigar Trump, e os Bolsonaros são um bom pretexto.

Acuado, Trump vai ter que se afastar de medidas que abalem sua queda de popularidade. Ao contrário de Rubio,

Trump não é ideológico e pode muito bem se aproximar novamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora reeleito.

Muito se falou da “química” entre Lula e Trump antes das eleições, que parece ter desaparecido durante o pleito brasileiro. Como Trump não gosta de perdedores, a tal “química” pode voltar.

Ainda que isso não ocorra, o governo brasileiro passa a ter um apoio maior de parlamentares democratas, o que aumenta sua capacidade de negociação. Os democratas podem tentar limitar a capacidade de implementar políticas e aumentar o custo político de iniciativas internacionais do governo Trump.

A situação talvez não seja tão fácil em relação ao tarifaço. A adoção de impostos de importação faz parte da política protecionista adotada por Trump contra todo o planeta. Neste caso, o que mais vai contar é o peso desses impostos no bolso do americano médio.

Obviamente, os Bolsonaros não são o principal assunto dentro da política americana. Os democratas terão muitas outras prioridades. Por isso, aumentar a pressão sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro vai depender de um trabalho de lobby bem feito da diplomacia brasileira, inclusive de contatos parlamentares.

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