Por Cristiane
Agostine e Maria Cristina Fernandes / Valor Econômico
Em entrevista ao Valor, Edinho Silva também afirma
que a chance, entre zero e dez, de Alckmin permanecer na vice de Lula é 'onze'
A pesquisa divulgada pelo Datafolha no fim de semana confirmou
o cenário delineado pelo conjunto de levantamentos realizados desde fevereiro,
com um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O presidente do PT, Edinho Silva, atribui o resultado à
força com a qual a pauta da corrupção entrou na pré-campanha presidencial, a
partir das investigações da fraude do INSS e do Banco Master. “Quando cria o ambiente antissistema,
quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o
presidente”, diz.
A primeira etapa da reação defendida pelo PT é a
resposta pública do filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que mora na Espanha,
às acusações de que teria recebido dinheiro de Antonio Carlos Camilo Antunes, o
“careca do INSS”. “Ele tem que chamar uma coletiva de
imprensa e dizer que não tem nenhum envolvimento nisso”, diz Edinho. A defesa de Lulinha, no entanto, afirma que o empresário está à
disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e nega
qualquer tipo de irregularidade.
A segunda etapa já não parece tão clara, uma vez
que a fonte maior de desgaste vem do envolvimento com o Master dos ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF), cuja proximidade com o Executivo
foi selada pelo inquérito do golpismo. O presidente do PT defende vagamente uma
“reforma do Judiciário” e mantém distância do código de ética, defendido pelo
ministro Edson Fachin.