terça-feira, 10 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra prolongada será nociva para economia brasileira

Por O Globo

Maior exportação de petróleo mitiga impacto inicial, mas um conflito duradouro afetará inflação e agro

O prolongamento da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã se fará sentir na economia brasileira. A principal dúvida diz respeito a quanto tempo durará a alta no petróleo. Com a batalha no Estreito de Ormuz, os preços encostaram em US$ 120 o barril, mas voltaram para a casa dos US$ 90 após Donald Trump declarar que “a guerra está praticamente concluída” e garantir que Ormuz está aberto — depois ele se desdisse, negando que o fim da guerra seja iminente. Quanto mais o conflito se estender, maior será a pressão. O Catar informou que, caso produtores do Golfo Pérsico sejam forçados a parar de produzir, o petróleo chegaria perto de US$ 150.

Entrevista | Presidente do PT defende que Lulinha se explique e vê 'ambiente antissistema' nas eleições

Por Cristiane Agostine e Maria Cristina Fernandes / Valor Econômico

Em entrevista ao Valor, Edinho Silva também afirma que a chance, entre zero e dez, de Alckmin permanecer na vice de Lula é 'onze'

A pesquisa divulgada pelo Datafolha no fim de semana confirmou o cenário delineado pelo conjunto de levantamentos realizados desde fevereiro, com um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O presidente do PT, Edinho Silva, atribui o resultado à força com a qual a pauta da corrupção entrou na pré-campanha presidencial, a partir das investigações da fraude do INSS e do Banco Master. “Quando cria o ambiente antissistema, quem perde é o status quo. E a representação máxima do status quo é o presidente”, diz.

A primeira etapa da reação defendida pelo PT é a resposta pública do filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que mora na Espanha, às acusações de que teria recebido dinheiro de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”. “Ele tem que chamar uma coletiva de imprensa e dizer que não tem nenhum envolvimento nisso”, diz Edinho. A defesa de Lulinha, no entanto, afirma que o empresário está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos e nega qualquer tipo de irregularidade.

A segunda etapa já não parece tão clara, uma vez que a fonte maior de desgaste vem do envolvimento com o Master dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cuja proximidade com o Executivo foi selada pelo inquérito do golpismo. O presidente do PT defende vagamente uma “reforma do Judiciário” e mantém distância do código de ética, defendido pelo ministro Edson Fachin.

Kassab antecipa escolha de candidato para viabilizar terceira via, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A legenda abriga hoje três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás)

A decisão do PSD de antecipar a definição de sua candidatura presidencial para 2026, anunciada por seu presidente, o ex-prefeito Gilberto Kassab, revela mais do que uma simples mudança de tática partidária. Na verdade, é o reconhecimento de um problema político cada vez mais evidente: o espaço para uma terceira via na disputa presidencial está se fechando rapidamente. A máxima política “quem tem três candidatos não tem nenhum” sintetiza o “trilema” enfrentado por Kassab.

O PSD abriga, hoje, três nomes com pretensões presidenciais: os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ronaldo Caiado (Goiás), este último recém-integrado à legenda. Nenhum outro partido de oposição tem um naipe de pré-candidatos com essa qualificação política e administrativa. Porém, sem uma definição, o partido perde votos e isso inviabiliza qualquer projeto de alternativa de poder. A necessidade de mudança do “pas de trois” para a marcha forçada ficou evidente com a divulgação da nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.

Tempestade perfeita se arma sobre o crime, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Carimbo de narcoterrorismo e aliança militar dos EUA com AL ameaçam atropelar a retranca do combate ao crime organizado no Brasil

O carimbo de narcoterrorismo que o governo americano estaria para colocar sobre o PCC e o CV e a aliança militar dos EUA com 12 países da América Latina contra o narcotráfico armam uma tempestade perfeita sobre o combate ao crime organizado no Brasil.

O promotor Lincoln Gakyia, que tem duas décadas de enfrentamento ao PCC, chegou a receber várias comitivas enviadas pelo secretário de Estado, Marco Rubio. De todas elas, ouviu que a decisão do governo americano estaria blindada de apelos no sentido contrário.

No governo brasileiro, sempre se soube que esta era a intenção dos EUA, que precede Donald Trump, mas, com ele, ganhou tração. Tanto que o Ministério da Justiça se pôs a fazer um centro internacional de treinamento, em Manaus, para os países amazônicos que se dispusessem a tratar o tema na esfera policial e não militar.

Empresas vão ao ‘matadouro’ sem dar um pio, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

Empresários sucumbiram à dominação do setor financeiro nas últimas décadas, sem questionar os preceitos neoliberais

Há duas semanas, o Valor publicou uma preocupante reportagem mostrando que grandes e médios grupos empresariais brasileiros intensificam a venda de ativos. Pressionados pelo aumento do endividamento, eles enfrentam um cenário de juros altíssimos no país.

A matéria do Valor, assinada por Ana Luiza Tieghi, Stella Fontes e Mônica Scaramuzzo, observa que alguns conglomerados deixam negócios atuais por decisão estratégica, para investir em outras áreas. Os casos mais comuns e emblemáticos, porém, são de empresas premidas por aquilo que chamam de “alavancagem”. As dívidas de 319 empresas de capital aberto não financeiras cresceram 22% em um ano, do terceiro trimestre de 2024 ao igual período do ano passado, segundo levantamento da Quantum Finance.

Estancar a sangria, por Merval Pereira

O Globo

A possibilidade de terminar em pizza faz com que a credibilidade institucional do país seja reduzida, senão a pó, pelo menos a uma politicagem malvista pela população e provoca reações diversas na sociedade

A crise institucional anunciada se amplia à medida que se espalham as notícias de que há mais uma tentativa de superar os problemas causados por relações indevidas de dois dos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) com o caso Master. A tentativa de estancar a sangria — “com o Supremo, com tudo”, como previa o lobista Romero Jucá e aconteceu na Operação Lava-Jato — faz com que outras instituições, como as Forças Armadas, se inquietem com a possibilidade de que a solução seja varrer para debaixo do tapete os acontecidos e fingir que nada houve de mais grave.

O supremo enigma no caso Master, por Fernando Gabeira

O Globo

Velhos marinheiros se lembram da Lava-Jato. Falava-se em passar o país a limpo, e as expectativas se frustraram

No momento, estamos imersos num escândalo. Nem sequer temos tempo de pensar noutros temas que pedem passagem. Como a defesa nacional, diante de um mundo dominado pela força bruta. Ou mesmo as mudanças no universo do trabalho, ditadas pela ascensão da inteligência artificial.

Existe uma sensação de que algo importante pode acontecer na esteira do escândalo. Velhos marinheiros se lembram da Lava-Jato. Falava-se em passar o país a limpo, e as expectativas se frustraram; a própria operação foi enterrada no governo Bolsonaro.

A crise global que Trump criou, por Míriam Leitão

O Globo

Os planos do presidente americano de uma guerra pontual e rápida fracassou. O conflito se espalha e seu efeito é sentido pelo consumidor americano

O plano de Donald Trump fracassou. Ele pensou em uma intervenção cirúrgica no Irã e provocou uma guerra, com contornos e desdobramentos imprevisíveis e da qual ele ainda não sabe como sair. Achou que o conflito ficaria só no Irã, mas o país reagiu atacando vários países da região. A economia enfrenta consequências ainda nem calculadas inteiramente. O consumidor americano já está sentindo o forte efeito na bomba. Ontem, o petróleo chegou a bater US$ 120 e depois cedeu, porém está bem acima do patamar de antes da guerra de Trump.

O Grande Irmão chegou, por Pedro Doria

O Globo

Porque o Brasil está derretendo, não estamos atentos a uma imensa batalha política em curso nos Estados Unidos. Uma batalha que definirá o rumo das democracias e que nos afeta diretamente caso Flávio Bolsonaro vença a eleição e decida governar com o mesmo espírito que guiou o pai. Um governo tem o direito de criar, com base em dados públicos, um perfil detalhado de cada cidadão? Com a capacidade de definir quem é adversário político e quem joga no mesmo time? É o que o governo Donald Trump tenta fazer.

A melhora indispensável, por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

A questão das emendas talvez não passe de vulgar desvio de função quando se souber a verdadeira extensão do caso Master. Só o eleitor pode elevar o nível do Congresso

Informações sobre o envolvimento de congressistas (e dirigentes partidários) com o ontem adulado e hoje execrado dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, devem tisnar ainda mais a imagem de um Congresso que, nesta legislatura, poucas vezes respondeu a seus compromissos constitucionais. Até mesmo a irresponsabilidade com que parte dos atuais congressistas lidou com as emendas parlamentares, usurpando funções privativas do Poder Executivo para beneficiar-se e a seus aliados, talvez não passe de vulgar desvio de função quando se souber a verdadeira extensão do controle exercido sobre parte do mundo político pelo banqueiro que dispunha até de um sicário. Então, esta legislatura se consolidará como a pior desde a promulgação da Constituição de 1988.

Por uma política de Estado para investimentos, por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

A ausência de uma política industrial e tecnológica de médio e longo prazos, resultado da falta de planejamento e previsibilidade, explica o enfraquecimento da indústria nacional

Além das dificuldades do governo de implementar políticas macroeconômicas, em especial, para diminuir o risco de uma crise fiscal e reduzir a taxa de juros, a falta de uma política de Estado para os investimentos no Brasil está gerando problemas em setores críticos nas áreas de defesa, infraestrutura, comunicações, tecnologia e inteligência artificial, entre muitos outros.

A ausência de uma política industrial e tecnológica de médio e longo prazos, resultado da falta de planejamento e previsibilidade, explica o enfraquecimento da indústria nacional. Sem diretrizes claras, o custo Brasil impede o investimento em inovação tecnológica, capacitação de mão de obra e expansão produtiva, comprometendo a competitividade e a sustentabilidade no longo prazo.

A ‘República da PF’, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sob aplausos, PF não pode repetir as ‘repúblicas’ de Curitiba e do STF, onde o sucesso subiu à cabeça

Estamos normalizando a sexta “república” após a redemocratização? Primeiro, a Nova República de boas lembranças e, na sequência, a de Alagoas, a do mensalão, a de Curitiba, a do Rodrigo Janot e, agora, o mundo político e principalmente o jurídico já se prepara para contra-atacar as denúncias que brotam a toda hora do escândalo Master e condenar o que chamam de “República da Polícia Federal”.

A PF deixou as parcerias tradicionais com Supremo, Ministério Público e CPIs, virou algoz do Supremo com suas investigações e provas contundentes – e milionárias – contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, despertando assim um confuso, ou obtuso, corporativismo na Corte e espalhando desconfiança no MP e no Congresso.

Não jogavam vôlei, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Muito blablablá. Muitas notas truncadas, com negativas de alcance limitado, em que os não ditos se impõem – e para o que se usou até a Secretaria de Comunicação do STF. Para catimbar. Alexandre de Moraes não nega que falara com Daniel Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso. Por que Moraes falava com Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso?

Segundo o direito xandônico, qual critério sentenciador Xandão aplicaria a Moraes, tendo o ministro apagado as respostas a Vorcaro? “(...) O ato de apagar dados do celular também indica uma consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados pelo agente, na medida em que, se o indivíduo tivesse plena convicção de sua inocência, não teria motivos para eliminar registros que poderiam confirmar sua versão dos fatos. A destruição de provas, nesse contexto, reforça a percepção de que havia algo a esconder.” Assim escreveu Xandão para condenar Débora “do batom”.

Mendonça preservará Nikolas em investigação sobre Vorcaro e Lagoinha? Por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Deputado do PL terá papel relevante como puxador de votos em Minas Gerais

Ele fez campanha com pastores da igreja usando avião de Daniel Vorcaro

Na semana passada, soubemos que o deputado Nikolas Ferreira fez campanha para Jair Bolsonaro em 2022 usando um jatinho ligado a Vorcaro. Não há indícios de conduta irregular, mas o episódio convida a refletir sobre dilemas que o ministro evangélico do Supremo André Mendonça enfrentará neste ano.

Aparentemente, Vorcaro negociava com direita e esquerda. Mas, independentemente da ideologia, essas investigações esbarram com frequência em nomes associados a uma igreja evangélica: a Lagoinha Church, surgida em Belo Horizonte, cuja liderança é próxima a Nikolas.

A associação entre a Lagoinha e esses casos não é marginal. A família Vorcaro segue ligada à denominação. Daniel Vorcaro foi apresentador de um programa de música gospel em um canal a cabo viabilizado com o apoio de seu pai.

A polícia senta praça na política, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Crime continua sendo o tema da campanha, mas agora com foco na conduta dos figurões da República

Potencial de desgaste do Master e INSS é grande, pois não há diferença ideológica entre os citados nos escândalos

Confiantes na escrita de que o combate ao crime seria o principal assunto de campanha nesta eleição, governo e oposição se empenharam em preparar munição para cada grupo se mostrar o mais preparado no tema junto ao eleitorado.

Tanto que trataram de fechar acordos para aprovar duas medidas de visibilidade, embora questionáveis quanto à efetividade. Aprovaram o projeto de lei antifacção e destravaram a tramitação da PEC da Segurança, que já passou pela Câmara e agora vai ao Senado. Em torno disso, pretenderam fazer o embate.

Uma eleição a ser decidida nos detalhes, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Datafolha corrobora a sensação de que a disputa presidencial de outubro será acirrada

Fatores econômicos são fundamentais, mas narrativas também poderão se mostrar decisivas

Datafolha meio que confirma o que já se suspeitava. A eleição presidencial deste ano deverá ser mais uma vez bastante disputada, opondo ao que tudo indica Lula a Flávio Bolsonaro.

Temos dois grandes blocos de tamanhos comparáveis. O primeiro é composto por petistas convictos e pessoas com simpatias pela esquerda. A eles se soma o contingente dos eleitores que não estão tão enamorados de Lula, mas não hesitam em sufragar seu nome para evitar que um Bolsonaro volte ao Palácio do Planalto. O segundo bloco é constituído por bolsonaristas irredutíveis e direitistas genéricos, aos quais se aliam os que topam tudo para tirar o PT do poder.

Poesia |Saudade, de Pablo Neruda

 

Música | Ademilde Fonseca - Cinema Mudo