segunda-feira, 24 de maio de 2010

Reflexão do dia – Tony Judt


O marxismo enfrenta certo descrédito desde a queda do Muro de Berlin, mas o senhor sugere que temos muito a aprender com o”admirável poder das ideias marxista”. Qual é esse poder e como o marxismo pode ser relevante hoje?

Eu faria uma distinção entre o poder do pensamento marxista – parte de uma influência mais ampla de ideias e ideologias do período 1870-1970 – e o estrago causado por partidos e Estados marxistas. Foi este último que fez com que o primeiro ficasse muito desacreditado. Não desejo um retorno dos velhos debates ideológicos e dogmáticos, nem das crenças irrefletidas sobre classe e capitalismo. Mas seria bem-vinda uma disposição para reabrir questões sobre conflito social, interesse de classe, divisão econômica e deficiências inerentes ao capitalismo desregulado. Não acho que para fazer isso precisamos ser marxista, mas os melhores marxistas eram muito bons nisso e seria ótimo para estimular o debate.


(Tony Judt, em entrevista, sábado, no Prosa & Verso/O Globo)

A novela da sucessão:: Luiz Werneck Vianna

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Em uma democracia de massas, uma sucessão presidencial suspende a marcha ordinária da política, põe sob tela de juízo o script até então estabelecido e se abre às promessas da novidade. Como em uma novela, esse é um momento em que se começa a delinear o esboço de um próximo capítulo a partir da interpretação do que acaba de se viver. Toda história tem um autor, em princípio o senhor da trama que tece, mas todos já ouvimos falar da experiência de escritores que se surpreenderam quando viram personagens, nascidos da sua imaginação, ganharem animação autônoma, passando como que a agir por conta própria.

Quando há um processo de sucessão institucionalizado, mesmo em regimes políticos autoritários, como ocorreu aqui em tempos recentes, a mudança no comando político nunca é trivial - a passagem do bastão nos governos dos generais-presidentes Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, cada um deles levado ao poder por um círculo homogêneo de eleitores muito restrito, como se sabe, não desconheceu o conflito e a mudança de rumos.

No entanto, a presente sucessão transcorre, ao menos até aqui, de acordo com as estratégias dos dois principais candidatos, a de Serra e a de Dilma, como se o próximo capítulo - inevitavelmente, mais uma vez, sob a égide dos partidos de hegemonia paulista, o PT e o PSDB -, já estivesse comprometido a reprisar, com retoques, os anteriores. Tanto a retórica de Serra quanto a de Dilma apontam para essa direção, os dois reivindicando para si o papel de melhor intérprete para continuar um roteiro supostamente consagrado.

As diferenças se resumiriam a questões operacionais na condução da economia, como, por exemplo, na questão de juros e no grau de relativa autonomia a ser desfrutada pelo Banco Central diante das autoridades governamentais. Serra, como Aécio Neves preconizava, não seria um candidato de oposição, definindo-se como um pós-Lula. Dilma, por sua vez, seria Lula como um outro corpo do Rei, em vigília fiel de quatro anos à espera que seu verdadeiro titular reocupe seu lugar. Nesse jogo de simulações, o que importa, para uma candidatura, é a herança da popularidade de Lula, e, para a outra, não confrontá-la. Não importa que o cenário do mundo esteja mudando à frente de todos, como bem atesta a profundidade da crise da União Europeia, logo em seguida à crise financeira de fins de 2008. Como que indiferente a ele, a pauta dos candidatos segue obedecendo aos cálculos do marketing político.

Mas há algo nesse enredo que não encaixa. Se Dilma pode ser eleita pelo lulismo, não poderá governar com ele, na medida em que ele é atributo intransferível do carisma do seu inventor. Ela terá de governar com o PT e com a coalizão política que a eleger, na qual está o PMDB, com um dos seus cardeais instalado na Vice-Presidência da República. Por outro lado, o bordão nacional-popular não é próprio para a nova inscrição internacional do país e para as aspirações de projetar o capitalismo brasileiro na economia-mundo, que requer uma gramática dominada pelo pragmatismo.

Uma indicação disso está nas abdicaçôes de José Eduardo Dutra presidente do PT, e de Antonio Palocci, um condestável da política econômica, das suas pretensões eleitorais a fim de assumirem posições de comando na campanha eleitoral de Dilma. Caso ela seja eleita, não há outra leitura possível, ambos serão guindados ao seu ministério, além, é claro, do Henrique Meireles. De outra parte, Serra, mesmo que não confronte com o governo atual, para que seja um candidato competitivo, terá de sustentar outro andamento à história em que estamos há 16 anos envolvidos, apresentando alternativas persuasivas que garantam continuidade a ela, em especial em matérias como a da questão social e a do crescimento econômico. Nessa agenda, deve ser incluída a valorização de uma vida civil ativa e autônoma, uma vez que não são compatíveis com a nova democracia política brasileira as tendências que aí estão de estatalização dos movimentos sociais, inclusive dos sindicatos.

A novela que nos tem como seu público obrigatório, a essa altura incapaz de mobilizar paixões, destituída de suspense, com suas reviravoltas e artimanhas nossas velhas conhecidas, não deve passar pelo hiato da Copa do Mundo. Depois dela, cairão as máscaras da dissimulação, e o enredo ficará tenso e cheio de surpresas: é ainda possível manter, na frente agrária, o agronegócio sob a pressão dos movimentos sociais do tipo MST; como compatibilizar, com os dois lados ganhando, os interesses dos chamados ruralistas com um vigoroso movimento ambientalista, hoje identificado com uma candidatura presidencial?

Noutra ponta: o nacional-desenvolvimentismo, com seus imperativos políticos de projeção do poder nacional, pode encontrar lugar em uma economia conduzida pelo eixo Henrique Meirelles-Antonio Palocci? Qual a dialética que poderá sustentar a política externa atual com as necessidades, a essa altura inarredáveis, do país ocupar uma posição entre os grandes do mundo? As demandas pelas reformas trabalhista e previdenciária, desejadas pelo empresariado, como se haverão com a resistência dos sindicatos, hoje, em franco processo de recuperação da sua força de outrora? Lula, no seu tempo, que já não é o de agora, pôde conciliar esses antagonismos. Alguém mais pode?

Luiz Werneck Vianna é professor-pesquisador do Iuperj e ex-presidente da Anpocs. Escreve às segundas-feiras

A novela Aécio Neves:: Fernando Rodrigues

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

BRASÍLIA - Dilma Rousseff (PT) está empatada com José Serra (PSDB). No Datafolha, ambos têm 37%. O candidato a vice-presidente da petista já está definido. Será Michel Temer (PMDB). Ou seja, a novela do mundinho político nos próximos pouco mais de 30 dias será uma só: quem será o candidato a vice-presidente na chapa com Serra.

Os jornais consumirão hectolitros de tinta e toneladas de papel informando e analisando os possíveis cenários. O nome do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves dominará o noticiário. A data limite imposta por lei é 30 de junho, quando as legendas já precisam ter definido candidatos e alianças.

Se Aécio quiser, será o vice de Serra. O mineiro diz não desejar essa incumbência. Em política, essas negativas têm prazo de validade curto. É tudo uma questão de fazer o cálculo do custo e do benefício.

Aécio pondera vários fatores. Um dos principais está no seu quintal: se concorrer a vice-presidente, terá como alavancar a candidatura de Antonio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas Gerais? Hoje, o escolhido de Aécio amarga 17% nas pesquisas, atrás do líder Hélio Costa (PMDB), com 45%.

Se mantiver seu plano inicial, de disputar uma vaga no Senado e ajudar Anastasia, Aécio também corre riscos. Será visto como o responsável maior no PSDB pelo eventual fracasso de Serra. E se Serra chegar ao Planalto, o talvez senador Aécio certamente terá um papel marginal na administração serrista.

Por fim, mesmo aceitando concorrer a vice, Aécio não terá como materializar uma vitória por antecipação. Na hipótese de derrota, restaria um ex-governador mineiro desempregado e um partido em frangalhos após três reveses seguidos no plano nacional.

Tudo considerado, Aécio só se dará bem numa combinação: aceita ser o vice e Serra vence. Como política não é ciência exata, é impossível fazer tal tipo de vaticínio.

Senhor do destino:: Ricardo Noblat

DEU EM O GLOBO

Pesquisa vai e vem, vai e volta. É uma fotografia variável. A campanha só vai começar depois da Copa (José Serra)

Em que estrela te escondes, Aécio Neves? Em que águas tépidas mergulhas? Em que braços roliços te aninhas? Não reverbera ao teu redor a aflição dos que sofrem com a transfusão de votos entre Lula, o doador, e Dilma Rousseff, a receptora? Achas que farás teu sucessor em Minas enquanto tudo mais desmorona? E o que de ti dirão depois, Aécio?

Pobre Aécio, filho de Aécio Cunha, ex-deputado federal; neto de Tristão, também ex-deputado federal; e de Tancredo Neves, o presidente da República que foi sem nunca ter sido. Ninguém duvida da sua eleição para o Senado depois de quase oito anos de bom governo em Minas Gerais.
Mas quem aposta em sua força para eleger sozinho governador o advogado Antonio Augusto Anastasia?

Quantas eleições disputou Anastasia? Uma, como vice de Aécio. Há quantos anos é militante do PSDB? Basta uma mão para contar o número de anos. Que passado político o credencia a disputar o cargo dos sonhos de todos os políticos mineiros? Destacou-se como técnico e administrador talentoso. Gente, Anastasia lembra quem? Sim, ele é a Dilma de Aécio. E Aécio pretende ser o Lula de Anastasi

Até pode vir a ser. De resto, Anastasia leva algumas vantagens sobre Dilma. Apenas 25% dos mineiros sabem que ele é o candidato de Aécio. Cerca de 75% dos brasileiros já sabem que Dilma é a candidata de Lula. Anastasia, pois, tem bastante espaço para crescer. Dilma largou o governo para concorrer à vaga de Lula. Anastasia sentou-se na cadeira de governador para tentar permanecer ali por mais quatro anos. Apesar disso...

Para eleger o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, nome sacado do seu bolso e desconhecido dos mineiros, Aécio juntouse a Fernando Pimentel, do PT, na época ainda prefeito da cidade. No primeiro turno, os dois acreditaram na teoria do andor. Pouco importava quem fosse o santo no caso, alguém que entrara na política apenas um ano antes. Importava quem o carregasse.

Pois foi um sufoco. Na reta final da campanha, engrossou a procissão atrás de Leonardo Quintão, deputado federal do PMDB, um candidato de poucas ideias, porém simpático. Lacerda chegou quase sem fôlego ao fim do primeiro turno. E foi à luta no segundo com 20 pontos atrás de Quintão nas pesquisas de intenção de voto. Custou caro ah, como custou! eleger Lacerda.

Outra vez Aécio está sob forte pressão para aceitar a vaga de vice de José Serra, acossado por Dilma. No vasto mercado de teorias políticas que afloram às vésperas de eleições, ganhou força aquela que condiciona a eleição de Anastasia ao gesto de aparente desprendimento de Aécio, capaz de trocar uma vaga certa de senador por uma incerta de vice.

Candidato a vice de Serra, Aécio aumentaria seu cacife para derrotar Hélio, o PT e Lula. Uma coisa é ele pedir votos para Anastasia como ex-governador de largo prestígio e senador praticamente eleito. Outra, seria pedir como candidato a vice.

Uma vitória de Serra manteria Minas no primeiro escalão da República. Dilma é a mineira mais gaúcha que se conhece. Assim como Lula é o mais paulista dos pernambucanos.

A teoria não deverá ser testada por um monte de razões. A primeira: Aécio não acredita numa eventual vitória de Serra. Morrerá dizendo o contrário, mas não acredita. A segunda razão: não importa a segunda razão. Nem as demais. Que vantagem Maria leva se arriscando a uma derrota que considera provável? Ficaria sem mandato. E ainda ouviria o desaforo: O tal do Aécio não tinha tantos votos como se pensava.

Pelo aspirante a Rei, tudo, menos o próprio destino. Aécio pugnará por Serra convencido de que ele seria melhor presidente do que Dilma. Mas uma eventual vitória de Serra dependerá de Serra e de suas circunstâncias. De fato, o que em outubro decidirá a maioria dos brasileiros é se Lula merece ganhar um terceiro mandato por interposta pessoa. No momento, tudo indica que a decisão será favorável a ele.

Para sociólogo, Brasil ainda vive um abismo social

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Jessé Souza afirma que Bolsa Família não consegue incluir mais pobres e resolver questão da desigualdade

Especialista é autor de "A Ralé Brasileira", em que estuda parcela da população que vive como "subgente"

Uirá Machado

SÃO PAULO - Na contramão dos estudos que apontam melhora da distribuição de renda no Brasil, o sociólogo Jessé Souza afirma que o país ainda vive uma "desigualdade abissal" em sua sociedade.

Coordenador do Centro de Pesquisa sobre Desigualdade Social da Universidade Federal de Juiz de Fora, Souza lançou recentemente o livro "A Ralé Brasileira", em que estuda as características dessa "parcela da população que vive como subgente".

A seguir, trechos da entrevista concedida por Souza.

Folha - A proporção de brasileiros vivendo abaixo da linha da miséria caiu nos últimos anos. Em seu último livro, o sr. diz ser falsa a tese de que a desigualdade brasileira está desaparecendo. Por quê?

Jessé Souza - Esses índices mostram apenas que a pobreza absoluta diminuiu. Mas a desigualdade é um conceito relacional.O Brasil é uma das sociedades complexas mais desiguais do planeta. Entre 30% e 40% de sua população tem inserção precária no mercado e na esfera pública.Somos uma sociedade altamente conservadora, que aceita conviver com parcela significativa da população vivendo como "subgente".Essa classe social, que chamamos provocativamente de "ralé", é a mão de obra barata para as classes média e alta que podem -contando com o exército de empregadas, motoboys, porteiros, carregadores, babás e prostitutas- se dedicar às ocupações rentáveis e com alto retorno em prestígio.É isso que chamo de "desigualdade abissal" como nosso problema central.

Qual sua avaliação sobre o Bolsa Família?

O programa Bolsa Família tem extraordinário impacto social, econômico e político, com investimento público relativamente muito baixo. É incrível que não se tenha pensado nisso antes. Mais incrível ainda que exista gente contra.Por outro lado, o Bolsa Família não tem condições, sozinho, de reverter o quadro de desigualdade e "incluir" e "redimir" a "ralé".Esse é um desafio de toda a sociedade, e não apenas do Estado. É claro que houve avanços nas duas últimas décadas, mas mudança social é muito mais do que condições econômicas favoráveis.

O senhor tem argumentado que não é possível limitar a discussão de classe à questão da renda e que é necessária uma nova compreensão das classes sociais.

A redução das classes sociais ao seu substrato econômico implica perceber apenas os aspectos materiais, como dinheiro, e "esquecer" a transmissão de valores imateriais, como as formas de agir no mundo.E são esses valores imateriais que constituem os indivíduos como indivíduos de classe, com comportamentos típicos incutidos desde a mais tenra infância.Como regra, as virtudes são todas do "espírito", como a inteligência. Os vícios são ligados ao "corpo". As classes superiores "incorporam" as virtudes espirituais, e as inferiores, as virtudes ambíguas do corpo.As virtudes do espírito recebem bons salários, prestígio e reconhecimento social. As classes do "corpo" tendem a ser animalizadas, podendo ser usadas e até mortas por policiais sem que ninguém se comova com isso.

E o senhor afirma que mesmo a educação é insuficiente?

É claro que a educação é um fator fundamental. O problema é que a competição social não começa na escola.Sem considerar que crianças de classes diversas já chegam à escola como vencedoras ou perdedoras, o que teremos é uma escola que só vai oficializar o engodo do mérito caído do céu de uns e legitimar, com a autoridade do Estado e a anuência da sociedade, o estigma de outros.

Eleger deputado em SP demanda mais de 300 mil votos

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

Partidos e coligações precisam de 11 mil votos a mais que em 2006 para colocar um candidato do Estado no Legislativo federal

Andreza Matais

BRASÍLIA - Partidos ou coligações terão de romper a barreira dos 300 mil votos para eleger neste ano ao menos um deputado federal em São Paulo, 11 mil a mais que em 2006.

O cenário no Estado, que tem 41 milhões de habitantes e 70 cadeiras na Câmara, mostra que a disputa por um mandato se torna mais difícil, já que não houve redefinição do número de vagas destinadas a cada Estado pelo Congresso e pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Na eleição federal de 2006, a soma dos votos válidos dividida pelo número de vagas resultou no quociente de 296.987 votos em São Paulo.

Agora, deve chegar a 308.070, mantida a taxa de votos brancos, nulos e abstenção da eleição passada, considerando o eleitorado de março deste ano.

Ou seja, as coligações ou os partidos precisam ter essa quantidade de votos para eleger ao menos um candidato em São Paulo e participar da distribuição da sobra de vagas. Em Minas Gerais, o quociente estimado é de 186.687; no Rio, 178.923.

É por conta desse quociente que nem sempre quem se elege é quem alcança mais votos na disputa para a Câmara dos Deputados.

Um candidato, mesmo sendo o mais votado, poderá não conquistar vaga se o seu partido não alcançar o número mínimo de votos.

PT e PSDB, em São Paulo, estimam que será eleito quem tiver, em média, 120 mil votos. O PT fará aliança com PC do B, PRB e PT do B e espera eleger 20 deputados federais, 16 do partido.

Os tucanos, que se aliaram ao DEM e ao PPS na chapa proporcional, avaliam que sua bancada deve ir de 17 deputados para 19.

Na semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou emenda constitucional que transforma a eleição de deputado federal e vereador em majoritária, na qual se elege quem tiver mais votos.

O objetivo é justamente acabar com o chamado "efeito Enéas", o ex-deputado do Prona (morto em 2007) que teve 1.573.642 votos na disputa de 2002, o que ajudou a eleger a eleger outros quatro deputados, um deles com apenas 382 votos.

Após pesquisa, cresce pressão sobre Aécio

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

A última pesquisa Datafolha, que registra empate entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), acendeu a luz amarela na coordenação da campanha do tucano.

Com o resultado, cresce a pressão para que o ex-governador Aécio Neves aceite ser o vice de Serra.


Lula quer recriar clima do Real para ajudar a eleger Dilma

Pesquisa faz PSDB voltar à carga para Aécio ser vice


Empate entre Dilma e Serra no Datafolha obriga tucanos a rever estratégia

Pré-candidatura do ex-governador pretende intensificar agenda e exposição em redutos eleitorais tradicionais

CATIA SEABRA


SÃO PAULO - Sob o impacto do último Datafolha, que registra um empate com a petista Dilma Rousseff para a Presidência, a coordenação de campanha de José Serra (PSDB-SP) se reúne hoje para redesenhar sua estratégia e agenda, que agora será intensificada.Além disso, o partido pretende fazer uma nova investida sobre Aécio Neves, que volta amanhã após 25 dias fora do país, para que o mineiro aceite ser vice na chapa.O comando da campanha avalia que, com Aécio como vice, Serra somaria mais 2 milhões de votos, ao menos.

Aécio encontrará um cenário em que aliados, antes relutantes, recomendem que reconsidere. Na semana passada, o secretário-geral do PSDB-MG, Lafayette de Andrada, expressou esse desejo -foi a primeira vez que um dirigente tucano em MG admitiu a chapa puro-sangue.

"Vou conversar com ele, sem ansiedade para que seja vice, mas para que trabalhe de corpo e alma na campanha", disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Além de Tasso, o ex-ministro Pimenta da Veiga conversará com Aécio nesta semana sobre seu futuro político.

Fora a pesquisa, pesa sobre Aécio um tropeço do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Cotado como alternativa ao mineiro, Dornelles apresentou, na semana passada, uma emenda que atenua a exigência de ficha limpa para que políticos concorram às eleições.

AGENDA

A campanha irá priorizar visitas a Estados onde Serra não tem boa performance, mas pretende também demarcar espaço em tradicionais redutos eleitorais e acelerar a montagem de palanques até agora em segundo plano, como os de Amazonas e Distrito Federal.

Os tucanos evitam falar em mudanças imediatas, mas admitem que o resultado da pesquisa, além de acender o sinal amarelo na campanha, revela que a eleição será muito acirrada.Para o Distrito Federal, a ideia é lançar um candidato que divulgue o número do partido, como Maria Abadia.

No Amazonas, Serra deverá ir ao Estado (mesmo sem palanque definido) e construir um discurso favorável à Zona Franca de Manaus.

Segundo tucanos ligados a Serra, não se deve exigir esforço apenas do candidato (que tem dormido cinco horas por dia), mas da sigla.

O núcleo da campanha crê que Serra voltará à dianteira após o programa eleitoral do PSDB, em 17 de junho.

Colaboraram ANDREZA MATAIS e GABRIELA GUERREIRO , de Brasília

Marco Antonio Villa :: ''Dilma não consegue caminhar com as próprias pernas''

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Entrevista com Marco Antonio Villa, Professor da Universidade Federal de São Carlos

Roldão Arruda

O presidente Lula está interferindo diretamente no processo eleitoral e vai continuar a fazê-lo, porque a candidata que escolheu não tem forças para andar sozinha. Essa é a opinião do historiador Marco Antonio Villa, professor da área de ciências sociais da Universidade Federal de São Carlos.

Como o senhor vê o fato de o presidente já ter sido multado quatro vezes?

É uma situação grave. Indica que a multa não está tendo o efeito pedagógico almejado e que, em algum momento, será necessário outro tipo de ação. Usando a linguagem esportiva, cara ao presidente, diria que está entrando duro, com faltas graves, e só recebendo advertências verbais. Nem cartão amarelo dão. Se dessem, já teria sido expulso do jogo.

Por qual motivo ele estaria se expondo dessa maneira?

Porque sabe que a candidata que escolheu não consegue caminhar com as próprias pernas. Se for deixada sozinha, perde as eleições. Lula sabe que não é suficiente dizer que a apoia. Tem que fazer muito mais - e esse muito mais viola a legislação. Ora, Justiça Eleitoral e os eleitores não têm culpa se a candidata não tem condições de vencer as eleições com as próprias pernas.

Qual seria o comportamento adequado para o presidente?

Mesmo tendo candidato de sua preferência, o presidente não pode interferir diretamente no processo. Tem que agir como um magistrado, como ocorre em outros países. Nos Estados Unidos, o democrata Bill Clinton apresentou Al Gore a todo o país como seu candidato, mas não interferiu diretamente. O mesmo aconteceu com o republicano George W. Bush. Precisamos aprender esse caminho. O Lula não é presidente apenas dos eleitores de sua candidata.

A disputa eleitoral está apenas começando. O senhor acha que os erros podem aumentar?

Sem dúvida. Esse clima morno de campanha vai desaparecer depois do dia 11 de junho. O meu maior receio é que o exemplo do presidente acabe contaminando todo o processo eleitoral. Um governador ou um prefeito pode passar a agir da mesma forma - depois de verificar que o custo é muito baixo diante do que se pode ganhar. Esse comportamento do presidente é novo e pode ser repetido por aí. Acho estranho o presidente receber essas multas, das quais ele desdenha, depois de termos visto a severidade com que a Justiça Eleitoral agiu no Maranhão. O governador Jackson Lago foi atingido por um golpe de estado da Justiça, praticado em nome de um erro de gravidade muito menor.

O presidente já disse que fará campanha por sua candidata apenas nos fins de semana.

Isso é impossível. Ele é presidente também nos fins de semana e ninguém separa a figura do presidente da figura do cidadão. O problema não é o horário e o dia de campanha, mas sim a própria campanha.

Datafolha: PSDB discute dado regional

DEU EM O GLOBO

Presidente do partido diz que os índices não conferem com sondagens internas

Sérgio Roxo e Efrém Ribeiro

SÃO PAULO E TERESINA. O presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha de José Serra, senador Sérgio Guerra (PE), acredita que os resultados regionais da pesquisa Datafolha divulgada ontem pelo jornal “Folha de S.Paulo” não podem ser considerados na avaliação do cenário eleitoral.

— Eles não conferem com os números que nós temos — disse o tucano, referindo-se às pesquisas encomendadas pelo próprio PSDB.

O Datafolha mostrou o crescimento da précandidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, em todas as regiões do país. E queda de Serra. O tucano só não caiu no Nordeste, onde segue com 33% das intenções de voto, mas está atrás de Dilma, que passou de 37% para 44%. Até no Sudeste, única região em que Serra continua liderando além dos limites da margem de erro, a vantagem diminuiu. O pré-candidato do PSDB tem 40% das intenções de voto, contra 33% da adversária. Em abril, a vantagem era de 45% para 26%.

No Norte e no Centro-Oeste, regiões agrupadas pela pesquisa, Dilma assumiu a liderança pela primeira vez e tem 40% das intenções, contra 34% de Serra. No Sul, há empate técnico: 38% para o tucano e 35% para a petista.

PSDB já traça plano para explorar o voto das mulheres Sérgio Guerra não contesta os números nacionais do Datafolha, que apontaram empate entre Serra e Dilma, na liderança, com 37%, mas avalia que a quantidade de pessoas entrevistadas prejudica o resultado regionalizado.

O presidente do PSDB, que atribui o crescimento de Dilma ao programa de TV do PT exibido no dia 13, não vê motivos para mudança na estratégia de Serra em razão de sua queda na pesquisa.

— O tom da campanha só será dado com o início do horário eleitoral — afirmou.

Porém, os tucanos já traçam planos para explorar o voto das mulheres. Apesar do crescimento de Dilma, ela perde para Serra por 38% a 33% entre o eleitorado feminino. Já entre os homens, a vantagem da petista é de 42% a 36%.

— Isso (simpatia do eleitorado feminino por Serra) será visto no âmbito da propaganda — disse Guerra.

Já o presidente do PT, José Eduardo Dutra (SE), descarta que haja uma rejeição feminina à pré-candidata do partido e atribui os números ao fato de Dilma ser desconhecida entre essa parcela do eleitorado.

— Quando se pergunta se o eleitor conhece a Dilma e se ela é candidata do presidente Lula, o percentual de homens que conhece é maior do que o percentual de mulheres. Quando você compara as intenções de voto entre homens e mulheres, quando ambos conhecem Dilma, os índices de intenção de votos são absolutamente iguais. Como o Serra é mais conhecido do que a Dilma nesse segmento, ele tem mais intenções de voto — afirmou Dutra, um dos coordenadores da campanha de Dilma.

O presidente do PT disse que a estratégia será tornar Dilma “mais conhecida”, o que, segundo ele, “ocorrerá naturalmente na campanha”.

Petista diz que Serra também se beneficiou do horário eleitoral Dutra também rebateu as acusações do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, de que Dilma cresceu porque o PT teria violado a legislação ao fazer propaganda da pré-candidata no horário eleitoral do dia 13.

— No fim do ano passado, o programa do PSDB foi todo dividido com José Serra e Aécio Neves porque, na época, a escolha ainda não tinha afunilado para um candidato.

Na visão do petista, o DEM afrontou a lei eleitoral de forma mais explícita ao mostrar Serra em seu programa.

— O que é eleitoral ou não depende de interpretação, mas agora a lei fala que você não pode colocar pessoas de outros partidos nos programas, e o DEM colocou José Serra em seu programa e nas suas inserções na TV.

O presidente nacional do PT disse ainda temer a judicialização das eleições.

— Você não pode trocar a manifestação soberana do povo pelos votos dos juízes dos tribunais — declarou Dutra, em referência às quatro multas aplicadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às duas multas aplicadas à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda antecipada.

Gastos do governo com publicidade crescem 63%

DEU EM O GLOBO

Nos primeiros meses do ano eleitoral foram desembolsados R$ 240 milhões

Impedido de fazer publicidade dos órgãos públicos nos 90 dias que antecedem as eleições, o governo Lula acelerou os gastos com propaganda. Nos primeiros quatro meses do ano, já foram desembolsados R$ 240,7 milhões - 63% a mais do que no mesmo período de 2009. Para promover a imagem e as ações do governo, o orçamento total para a propaganda chega a R$ 700,4 milhões, 29,2% a mais do que no ano passado. Estão de fora dessa conta os valores gastos pelas estatais. A Secretaria de Comunicação da Presidência nega, em nota, motivação eleitoral.

Mais 63% em publicidade

Governo Lula gastou R$ 240,7 milhões nos quatro primeiros meses do ano eleitoral

Regina Alvarez
BRASÍLIA - Nos quatro primeiros meses do ano, o governo federal gastou R$ 240,7 milhões com publicidade, 63,2% a mais do que no mesmo período de 2009. A legislação eleitoral proíbe gastos com publicidade institucional que promove a imagem e as ações do governo nos três meses que antecedem a eleição, mas as regras para o primeiro semestre do ano eleitoral são mais frouxas, abrindo espaço para gastos maiores neste período.

Os números da execução orçamentária foram levantados no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) pela ONG Contas Abertas. Não estão computados os gastos das estatais com mídia, que também crescem em anos eleitorais. Em 2006, por exemplo, essas empresas gastaram R$ 941 milhões, contra R$ 825,2 milhões no ano anterior. Os gastos totais com propaganda também cresceram: foram R$ 1,267 bilhão em 2006, contra R$ 1,153 bilhão em 2005 valores corrigidos pela inflação até 2009.

No ano passado, as despesas com publicidade das estatais chegaram a R$ 724 milhões, mas os gastos de 2010 ainda não são conhecidos, pois não estão disponíveis no Siafi para acompanhamento, como acontece com as despesas da administração direta.

O valor executado até abril com recursos do Orçamento da União de 2010 corresponde a 34,4% do total disponível para o ano. Boa parte dessas despesas foi contratada no final do ano passado e está sendo paga este ano. O total disponível para gastos com publicidade em 2010 chega a R$ 700,4 milhões, 29,2% além da dotação de 2009.

No ano passado, o governo dispunha no Orçamento de R$ 542,029 milhões e, nos primeiros quatro meses de 2009, gastou R$ 147,5 milhões, o que representou 27,2% do total.

A legislação eleitoral procurou colocar uma trava nos gastos com publicidade nos meses que antecedem a eleição para evitar o favorecimento dos candidatos apoiados pelo governo em detrimento dos que não têm relação com a máquina. Nos três meses anteriores ao pleito, só a publicidade de utilidade pública está liberada.

Texto dúbio da lei serve como justificativa

O texto é dúbio em relação aos limites globais, abrindo espaço para uma interpretação que favorece o governo e vem sendo aceita pelos órgãos de controle. A lei diz que os gastos não podem superar a média dos três anos anteriores ao pleito. Mas, como esse cálculo é feito em cima dos gastos totais do ano, permite uma despesa maior no primeiro semestre.

A própria restrição dos gastos com publicidade institucional nos três meses que antecedem a eleição acaba servindo de justificativa para o governo ampliar esses gastos nos primeiros meses do ano.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) explica em nota: As necessidades de comunicação do Poder Executivo Federal permanecem as mesmas, independente da especificidade do ano eleitoral. As restrições previstas na lei impõem aos órgãos públicos um parâmetro de investimentos em publicidade em um período menor de tempo. Na prática, haverá um hiato de comunicação que pode variar de 90 a 120 dias caso haja segundo turno. Restam, portanto, oito meses para que os órgãos que trabalham com comunicação executem suas atividades.

A Secom afirmou, na mesma nota, que os órgãos e entidades do Poder Executivo Federal cumprirão rigorosamente o que determina a lei. O Executivo Federal gastará em 2010 cerca de 23,4% menos do que em 2009 com publicidade institucional e de utilidade pública. Os gastos totais no ano passado, considerando administração direta e estatais, foram de R$ 1, 178 bilhão.
Este ano, segundo o governo, serão limitados em R$ 903,5 milhões.

Gabeira promete check-up para todos

DEU EM O GLOBO

Durante o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Rio, o deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) prometeu, como uma das principais medidas na área de saúde, oferecer check-up para a população carente na rede pública. Ao tentar mostrar unidade na coligação com PSDB, DEM e PPS, ele atacou o PMDB e denunciou a cumplicidade de políticos “velhacos” com empresas de ônibus.

Gabeira promete check-up para carentes

Pré-candidato ao governo do Rio ataca políticos cúmplices de empresas de ônibus, aos quais chamou de "velhacos"

Rafael Galdo

Com promessas que traziam embutidas críticas ao Legislativo fluminense e ao governador Sérgio Cabral (PMDB), o deputado federal Fernando Gabeira (PV) foi lançado oficialmente ontem como pré-candidato a governador do Rio pela coligação PV-PSDB-DEM-PPS. Na lista de propostas, ele incluiu melhorias no saneamento básico, checkup médico para a população carente e expansão do metrô para São Gonçalo e Itaboraí, na Região Metropolitana. Gabeira afirmou ainda que será preciso romper a cumplicidade de vereadores e deputados com empresas de ônibus: — Vamos fazer o transporte pensando em função do homem e da mulher que dependem dele.

Não é possível que um punhado de velhacos que se corrompem mensalmente consiga impedir nosso progresso — disse, após afirmar que o objetivo de sua candidatura é quebrar o domínio do PMDB e seus aliados no Rio, o que, segundo ele, “empobrece e, às vezes, avilta a política” no estado.

Pré-candidato antecipa críticas à sua plataforma Diante de cerca de 700 militantes, na sede do América Futebol Clube, na Tijuca, Gabeira classificou o sistema de transportes como caro e precário: — Nosso programa de transportes não vai ser só de números, só de ideias. Vai ser um programa com vida, com suor — afirmou, garantindo que dará atenção ao interior do estado.

Em relação à área da Saúde, o verde se antecipou a possíveis críticas: — Eu sei que vão rir de mim.

Imaginem check-up para o povo? Mas já estou acostumado a (os adversários) rirem de mim.

Quando falei (na campanha de 2008 para a prefeitura do Rio) no avião não tripulado para fazer a supervisão de pontos perigosos, riram de mim — lembrou.

— Quando um helicóptero foi derrubado (num confronto entre traficantes e PMs em 2009 no Morro dos Macacos, em Vila Isabel) resolveram aceitar essa ideia. O check-up para o povo é uma das propostas mais importantes para nós.

Além das promessas, a tentativa de mostrar unidade numa coligação que vem administrando uma série de divergências deu o tom do evento.

Fernando Gabeira fez uma comparação inusitada: — Nossa coligação começou um pouco desajeitada.

Lembra um pouco um símbolo do Pantanal Matogrossense, o tuiuiú. Ele, quando se move, o observador pensa que, de desajeitado, não vai conseguir alçar voo. Mas quando alça voo, é mais veloz que os outros e atinge altitude que outros pássaros não atingem.

Como era esperado, os pré-candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) não foram ao evento.

Segundo a assessoria de Marina, devido a uma combinação com Gabeira.

Assessores de Serra disseram que, embora ele tivesse sido convidado, tinha outros compromissos.

Ao enumerar suas realizações no Congresso, Gabeira disse ter conduzido as ações para garantir a distribuição de coquetéis a portadores do HIV e citou o então ministro da Saúde José Serra. Mas, ao longo do discurso, não citou Marina. Mais tarde, ele tentou justificar: — A Marina estava presente em todo o meu discurso, porque era ecológico. Mencionei (o Serra) com referência ao meu trabalho com Aids. Ela é minha candidata.

Se Gabeira não falou em Marina, na tentativa de mostrar unidade, até os tucanos fizeram menção a ela, assim como a Serra.

Vice da chapa,o ex -deputado Márcio Fortes frisou que a coligação “fala a mesma língua”.

José Luiz Penna, presidente nacional do PV, afirmou que o partido crê em “poder compartilhado”. Os democratas marcaram posição sobre outra polêmica: as candidaturas ao Senado. Pivô da primeira divergência da chapa, o pré-candidato ao Senado Cesar Maia (DEM), que sofria resistência de setores do PV e do PSDB, afirmou que sua relação com Gabeira é fraterna há mais de 30 anos. A deputada federal Solange Amaral (DEM), elogiou a chapa, com Cesar e Marcelo Cerqueira (PPS) como pré-candidatos ao Senado, afastando a possibilidades de mudança, apesar de o presidente regional do PV, Alfredo Sirkis, vir insistindo no lançamento de Aspásia Camargo (PV) ao Senado.

Nenhum dos dois foi ao evento de ontem, que contou com a participação do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, presidente regional do PSDB.

Um balaio inusitado de partidos

DEU EM O GLOBO

José Meirelles Passos

A preocupação e o esforço em mostrar ontem que, apesar das diferenças, há sintonia entre os quatro partidos que se uniram para eleger Fernando Gabeira governador do Rio de Janeiro, deixou transparecer que tal união fomenta, contraditoriamente, um racha: eles se dividem em relação à presidência da República.

Uns apoiam Marina Silva; outros, José Serra.

— O problema dessa coligação é essa situação inusitada de ela ter dois candidatos a presidente.

Isso faz parte da política, faz parte dos encontros e desencontros — justificou Cesar Maia (DEM).

Sem estrutura para bancar candidato próprio com chances reais de conquistar o governo do estado, restou ao PV, ao DEM, ao PPS e ao PSDB deixar de lado velhos atritos e discordâncias para formar uma inusitada coligação em torno de um só nome.

No lançamento da pré-candidatura de Gabeira (PV), cada um justificou a estratégia à sua maneira.

Stepan Nercessian (PPS) ressaltou a “aliança histórica”; José Luiz Pena (PV), o poder compartilhado; Solange Amaral (DEM), o respeito às diferenças; Marcelo Cerqueira(PPS), as alianças e Luis Paulo Correia da Rocha (PSDB), que, se todo mundo estivesse afinado (num grupo), o nome certo seria “unido” e não “partido”.

Sem Marina e Serra, Gabeira lança pré-candidatura ao governo do Rio

DEU NO VALOR ECONÔMICO

Ana Paula Grabois, do Rio

Sem a presença da pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, foi lançada ontem a pré-candidatura do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) ao governo do Rio, ao lado de PSDB, DEM e PPS. Até em faixas do PV o nome de Marina foi coberto por fitas adesivas para evitar confrontações. A coligação vai possibilitar um palanque duplo presidencial. Tanto Marina quanto José Serra, pré-candidato do PSDB a presidente, terão espaço na propaganda eleitoral na TV e no rádio na chapa dos quatro partidos no Estado. "Existe uma ausência [no evento] compreensível da Marina e do Serra porque estamos na pré-candidatura. E aqui, além da minha posição favorável à Marina, há inúmeros proporcionais e majoritários que apoiam o Serra. Então seria interessante que estivessem os dois ou não estivesse nenhum", afirmou Gabeira, durante o lançamento de sua pré-candidatura, na sede do clube América, zona norte do Rio.

Segundo Gabeira, apesar das divergências partidárias, o objetivo da coligação é "quebrar a hegemonia do PMDB e de seus aliados" no Rio. O pré-candidato do PV não falou de Marina em seu discurso, mas ao citar projeto de sua autoria na Câmara, de gratuidade da entrega do coquetel de medicamentos para tratamento da Aids no país, lembrou que Serra teria se inspirado no projeto para implementar a iniciativa quando foi ministro da Saúde.

O principal rival de Gabeira no Estado é o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que tenta a reeleição aliado à pré-candidata a presidente do PT, Dilma Rousseff. Também está no páreo o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que ainda não definiu com quem vai se aliar na campanha presidencial.

Outra ausência no evento de ontem foi a do vereador Alfredo Sirkis, presidente do PV do Rio e coordenador de campanha de Marina Silva. Sirkis ficou insatisfeito com o arranjo das quatro legendas que deixou de lado o nome da vereadora do PV Aspásia Camargo para concorrer ao Senado. A coligação escolheu Marcelo Cerqueira, do PPS, e o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, do DEM. No lugar de Aspásia ficou Maia. Nas eleições de 2008, Gabeira, aliado ao PSDB e ao PPS, disparou críticas à gestão Maia, que deixava o cargo após três mandatos.

No palanque do Gabeira, além de Maia, estavam os presidentes do PV, José Luiz Penna, e do DEM, Rodrigo Maia. A deputada Solange Amaral (DEM), que disputou a prefeitura com Gabeira em 2008, pediu engajamento na campanha da coligação.

Marina e Sirkis passaram o dia de ontem em São Paulo, em preparação para o debate dos presidenciáveis na Confederação Nacional da Indústria (CNI) amanhã, em Brasília. "Já estava combinado que Marina e Serra não iriam", disse Sirkis, que não escondeu seu descontentamento com o lançamento da pré-candidatura de Maia. "É público, notório e óbvio que sou contra", afirmou. Gabeira quase desistiu de disputar o governo do Rio porque tinha resistências a Maia. O acordo foi selado depois que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, pressionou em favor de Maia, em nome do acordo nacional de tucanos e demistas em torno da candidatura Serra.

Marcelo Cerqueira disse que a aliança das quatro legendas é "indestrutível" e comparou o acordo com a formação do MDB, que unia vertentes políticas distintas contra a ditadura militar. "Nós somos Serra presidente, nós somos Gabeira governador", disse Cerqueira. Na avaliação de Cesar Maia, a coligação é "inusitada", pois une apoiadores de Serra e de Marina, o que "produz algum tipo de desconforto", mas avalia que "as coisas vão se acomodando". Márcio Fortes, vice tucano na chapa de Gabeira, afirmou que os partidos estão unidos porque "falam a mesma língua" e citou em seu discurso palavras de apoio às pré-candidaturas presidenciais do PSDB e do PV.

Quando voa o Jaburu:: Vagner Gomes de Souza



A sede do América Futebol Clube estava lotada para o Encontro Regional dos partidos oposicionistas que estão se aliando para o Governo do Estado do Rio de Janeiro (PV-PSDB-DEM-PPS) em torno da candidatura de Fernando Gabeira. Uma manhã de domingo para celebrar uma política de aliança democrática como lembrou o Vereador Stepan Nercesian que falou em nome do PPS estadual relembrando a “grande política” do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na luta contra a ditadura militar.

Estavam presentes pré-candidatos as eleições proporcionais dos partidos coligados e uma significativa militância. Uma militância diversificada para além das fronteiras da Zona Sul. A Vereadora Lucinha (PSDB) estava acompanhada de seus simpatizantes que aplaudiram entusiasmados os discursos dos candidatos majoritários. O PV de Niterói e outros municípios do interior se fez representar. A Juventude Verde apresentava uma faixa com um espírito de renovação.

O PPS, na medida do possível, pode mobilizar militantes do PPS de Duque de Caxias, o PPS-Grande Irajá e o Núcleo de Dinamização Partidária “Vereador Barão de Itararé” (Campo Grande e arredor). Pelo DEM, a presença dos Deputados Federais Rodrigo Maia, Solange Amaral e Índio da Costa já demonstravam a adesão dessa legenda.

Os candidatos da chapa majoritária falaram valorizando a unidade política do evento em torno de um programa político. Unidade programática que lembraria o velho MDB (Movimento Democrático Brasileiro) segundo o discurso do pré-candidato a Senador Marcelo Cerqueira (PPS) que destacou a ação do “grupo autêntico” na política nacional como continuadora da política estudantil da UNE presidida por José Serra no ano de 1964. Memória e política democrática é um ponto forte no discurso de Marcelo Cerqueira que ainda fará semear uma bandeira para o futuro.

Por falar em futuro, Fernando Gabeira fez um discurso que parecia um diálogo com aqueles que desejam um futuro melhor para o Estado do Rio de Janeiro. Fez referência a uma ave símbolo do Pantanal: tuiuiú. Essa ave é conhecida popularmente como Jaburu que aparentemente começa a voar desordenadamente, mas ganha beleza e força ao longo do vôo.

Uma bela metáfora para imaginar o futuro. Uma forma de ganhar força ao longo dessa campanha após muitos recuos políticos. Uma boa lembrança para que tenhamos uma melhora na coordenação da campanha oposicionista.


Suplente do Conselho de Ética do PPS-RJ.

Em lançamento de pré-candidatura de Gabeira, nome de Marina é 'apagado'

Do G1 RJ

Militantes excluiram nome de Marina Silva de faixas com fita adesiva.
Nome de pré-candidato ao governo do RJ foi grafado errado.

Bernardo Tabak

No lançamento da pré-candidatura do deputado federal Fernando Gabeira ao governo do estado Rio de Janeiro, neste domingo (23), militantes do Partido Verde (PV) apagaram o nome da pré-candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, de algumas faixas.

Durante o evento, na sede do América Futebol Clube, na Tijuca, na Zona Norte do Rio, a reportagem do G1 encontrou o nome de Marina coberto com fitas adesivas em pelo menos quatro faixas.

Em um primeiro momento, a assessoria de Gabeira informou que os militantes precisaram improvisar porque não sabiam que, de acordo com a lei eleitoral, as campanhas para as eleições de 2010 só podem começar em 6 de julho.

Então, cobriram o nome de Marina Silva com fita adesiva, o que não foi suficiente para esconder as letras. Não bastasse isso, o nome de Gabeira foi grafado errado em uma das faixas: "Fenando".

Mais tarde, a assessoria explicou que o foco do evento era o nome de Fernando Gabeira, e que era necessário evitar faixas e cartazes com os nomes dos pré-candidatos à presidência Marina Silva e José Serra, do PSDB. A coligação da pré-candidatura de Gabeira ao governo do Rio envolve PSDB e PV, além de PPS e DEM.

Entretanto, nenhuma faixa com o nome de José Serra, nem mesmo "apagado", foi localizada no evento.

Gabeira lança pré-candidatura ao governo do Rio e critica políticos "velhacos"

DEU NA FOLHA ONLINE

DO RIO DE JANEIRO

O deputado Fernando Gabeira (PV) lançou neste domingo sua pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro.

Durante o evento, Gabeira disse que há deputados estaduais e vereadores da capital fluminense que são subornados por empresas de ônibus. Segundo ele, tais políticos são "velhacos".

O parlamentar afirmou que, se for eleito, sua principal medida na área de saúde será implantar um sistema de check-up para a população pobre.

Segundo ele, até agora, os governantes se preocuparam apenas em levar atendimento de emergência a essa população, e a prevenção tem sido relegada.

O pré-candidato disse que a aliança PV-PSDB-DEM-PPS chegou ao seu formato final e que, a partir de agora, pode se dedicar à campanha, e que dará atenção especial ao interior do Estado, onde sua aceitação pelo eleitorado é menor do que na capital.

A escolha do deputado como candidato da aliança teve forte influência do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra (PSDB), mas Gabeira diz que pedirá votos só para Marina Silva (PV) no primeiro turno.

Seus aliados, porém, esperam indicações de apoio a Serra. O ex-deputado Márcio Fortes (PSDB), cotado para ser o vice na chapa, cita um almoço em que Gabeira sentou junto a Serra: "Aquilo foi uma pré-campanha eleitoral, e o Gabeira estava lá para dizer que está com o Serra".

PV esconde Marina Silva em lançamento de Gabeira

DEU EM O ESTADO DE S. PAULO

Dirigentes verdes não queriam irritar o PSDB, já que candidatura do deputado à sucessão estadual também conta com o apoio de José Serra

Gabeira preferiu um discurso voltado para temas locais e não citou o nome da senadora

Luciana Nunes Leal

RIO - Preocupados em não confrontar o PSDB, o DEM e o PPS, que apoiam a candidatura presidencial do tucano José Serra, militantes do PV cobriram o nome da senadora Marina Silva escrito nas faixas do partido, durante o lançamento da pré-candidatura do deputado verde Fernando Gabeira ao governo do Estado. A festa reuniu os quatro partidos da aliança.

O nome da pré-candidata do PV à Presidência que estava em pelo menos quatro faixas estendidas no salão foi apagado de última hora, com fitas adesivas e até com panfletos que tinham fotos de Gabeira. As faixas do PPS, PSDB e DEM não faziam referência a Serra.

Integrantes do PV disseram ter sido orientados a não explicitar o nome de Marina, em respeito à diversidade da coligação. Gabeira, ao contrário, disse não haver qualquer problema em citar a pré-candidata nas faixas. "Era perfeitamente permitido. Todo mundo mencionou Marina", disse o deputado.

O próprio Gabeira, no entanto, preferiu um discurso voltado para temas locais e não citou o nome da senadora.

Gabeira falou de Serra uma vez, ao lembrar as ações de tratamento da aids desenvolvidas no período em que o tucano foi ministro da Saúde. "A Marina estava presente em todo meu discurso porque é um discurso ecológico. Não é a citação verbal da Marina. Ela é a minha candidata", disse Gabeira em entrevista.

Embora não estivessem presentes, Serra e Marina foram muito citados nos discursos. Defensores das duas candidaturas minimizaram possíveis problemas pelo fato de o pré-candidato a governador ter o apoio de dois adversários na disputa nacional.

O presidente do PSDB carioca, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, falou claramente sobre o duplo apoio a Gabeira. "Temos dois palanques presidenciais. Quem votar 45 (número do PSDB) está votando na nossa aliança. Quem votar 43 (número do PV) também está votando na nossa aliança", afirmou. O candidato a vice, Márcio Fortes (PSDB), foi na mesma linha: "Vamos à vitória apoiando a candidatura de José Serra e, através do PV, de Marina Silva".

Elogios. Pré-candidato ao Senado pelo PPS, o ex-deputado Marcelo Cerqueira fez elogios a Marina Silva e campanha para Serra. "Esse homem tem uma vida limpa, é um ficha limpa. Nós somos Serra presidente, Gabeira governador", declarou.

Já o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, disse que o partido "não tem vocação hegemônica, defende o poder compartilhado" e tomou a decisão "salutar" da candidatura própria para evitar a tese da eleição polarizada entre Serra e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

"Estamos em campanha franca pela pré-candidatura (de Marina), mas precisávamos pensar nas alianças regionais. Para nossa alegria, Gabeira se dispôs a se candidatar", afirmou Penna.

O pré-candidato ao governo citou os problemas iniciais enfrentados pela aliança, quando o presidente regional do PV, vereador Alfredo Sirkis, liderou um movimento pela saída do DEM da coligação, para evitar a parceria com Cesar Maia. "Nossa coligação começou um pouco desajeitada. Me lembra um pássaro do Pantanal, o tuiuiú. Quando se move, parece que não vai conseguir levantar voo, mas depois voa mais alto que os outros", disse o pré-candidato.

O deputado falou sobre propostas que vai defender na campanha, como a ampliação dos transportes sobre trilhos. "Vamos ter que romper a cumplicidade dos políticos com empresa de ônibus. Não é possível que um punhado de velhacos que recebe dinheiro mensalmente consiga impedir o avanço nos transportes", afirmou.

Sirkis e Gabeira se desentenderam, por causa da insistência do vereador em lançar uma candidatura avulsa ao Senado, da vereadora Aspásia Camargo. Nem Sirkis nem Aspásia foram à festa da coligação. "Não senti falta porque ele avisou que tinha um trabalho importante para fazer. Com um amigo que quarenta anos você encontra sempre e, quando tem algum problema, sempre pensa que daqui a alguns anos vai rir disso. Com certeza, nós vamos rir", disse Gabeira.

A bela cidade de S. Paulo :: Graziela Melo


Estrelas
eternas
e brilhantes

Não
conseguem
ofuscar

A paisagem
deslumbrante
ainda mais
ofuscante
da cidade
de São Paulo

Selva
de prédios
tijolos,
edifícios

de homens
e seus
sacrifícios
caminhando
para lá
e para cá,

sem nunca
deixar
de sonhar!!!

Desejos
deambulantes
Sonhos
mirabolantes,

de um dia
chegar lá!!!

São Paulo
brejeira,
pernambucana
carioca,
multinacional!!!

Te amo,
São Paulo
linda!

Italiana,
brasileira,
universal!!!


Rio, 23/05/2010