terça-feira, 16 de agosto de 2022

Alvaro Costa e Silva - Campanha de Bolsonaro vai além das fake news

Folha de S. Paulo

Na prática, explora o preconceito religioso, ao lado de um caminhão de dinheiro

Rainha da ribalta na eleição de 2018, a mamadeira de piroca é hoje uma vedete envelhecida que foi morar no Irajá. Ainda resiste em programas de humor e marchinhas de Carnaval e se prepara para uma tentativa de volta aos palcos na campanha ao Senado da ex-ministra da Mulher Damares Alves. Acontece que ela perdeu o viço nas pernas longas e mentirosas. Ao lado do kit gay e da Ursal, não consegue esconder a flacidez e as varizes.

Tanto que Damares foi chutada para escanteio por Bolsonaro, que preferiu apoiar a candidatura de Flávia Arruda, em mais um conluio com o centrão. Damares só voltou à disputa por artes de Michelle Bolsonaro, sincronizada com a ex-ministra no fanatismo religioso e, como a aliada, também useira e vezeira no artifício das fake news.

Uma mentira, no entanto, continua em plena forma, vivíssima nos grupos do Telegram e WhatsApp, nas páginas do Facebook e Instagram, na ação dos robôs, nos áudios e vídeos editados com inteligência artificial e nos subterrâneos da dark web. Está presente até na cabeça de papel do coronel escalado pelas Forças Armadas para fiscalizar as eleições.

Uma mentira que esbanja a mesma vitalidade demonstrada em 2018, quando grande parte dos eleitores acreditou nela, e foi responsável pela cassação do deputado bolsonarista Fernando Francischini. A informação (em verdade, a desinformação) de que houve fraude nas urnas eletrônicas com o intuito de contabilizar votos para Fernando Haddad. Em seu festival de cascatas, o presidente não perde a oportunidade de afirmar –sem provas– que ganhou aquelas eleições no primeiro turno.

Quatro anos depois, a esquerda gasta seu tempo comprando essa briga, como se a única estratégia de Bolsonaro se baseasse num paradoxo: desacreditar o sistema eleitoral. Enquanto isso, a campanha na prática é um caminhão de dinheiro e o emblema segundo o qual "Janja é macumbeira".

 

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