quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Bernardo Mello Franco – O impasse dos quartéis

O Globo

Lula subiu a rampa, Bolsonaro fugiu para a Disney e seus seguidores continuaram nas portas dos quartéis. A permanência dos extremistas criou um problema para o novo governo. Se não for resolvido logo, poderá ganhar contornos de crise institucional.

Ao assumir o Ministério da Justiça, Flávio Dino prometeu investigar os responsáveis por atos contra o resultado das urnas. “O extremismo não deve ter lugar neste país”, afirmou. A 500 metros dali, o novo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, preferiu apostar na acomodação. Afagou os bolsonaristas e classificou os acampamentos pró-golpe como “manifestações da democracia”.

Dino mandou a Polícia Federal apurar todas as tentativas de ruptura desde o segundo turno. Citou os bloqueios ilegais de rodovias e o quebra-quebra em Brasília no dia da diplomação do presidente. Acrescentou que praticar atos terroristas e incitar as Forças Armadas contra o poder civil são “crimes gravíssimos e imprescritíveis”. “A democracia tem o dever se se defender daqueles que querem destruí-la”, concluiu.

Nomeado com a bênção de generais, Múcio voltou a dizer o que a caserna quer ouvir. Falou em “espírito conciliador” e disse ter amigos e parentes acampados. Ao ser questionado sobre a permanência dos atos golpistas, opinou que “aquilo deve se esvair”. Alguém precisa avisá-lo que sua autoridade pode se esvair antes.

Em conversas reservadas, Dino já demonstrou impaciência com a situação. Sugeriu que pode acionar a PF caso o Exército continue a se omitir nos próximos dias. A solução não é a ideal porque a maioria dos radicais está acampada em área militar.

Se o impasse evoluir para um conflito entre os ministros, o presidente poderá ser chamado a arbitrar. Nos discursos de posse, ele indicou pouca disposição para negociar com golpistas.

Múcio é um político jeitoso, acostumado a costurar acordos com sorrisos e tapinhas nas costas. A lábia pode funcionar com o Centrão, mas a extrema direita fala outra língua. Há duas semanas, o Supremo permitiu que a bolsonarista Carla Zambelli entregasse livremente as armas que guardava em casa. Ontem a PF descobriu que ela tentou enganar a Corte, escondendo duas pistolas e um revólver.

 

2 comentários:

  1. Anônimo4/1/23 11:37

    Conheço um cassetete bom para resolver esses problemas, e tem até um nome 'feminino':
    Pau-lá-Neles

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  2. Violência não resolve,só vai piorar.Aquele pessoal precisa de cadeia e oração.

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