O Estado de S. Paulo
Banqueiro tem relações com políticos de diversos partidos; governistas não assinaram pedido
A liquidação do Banco Master, que já teve até cena de novela, com banqueiro sendo preso prestes a viajar de jatinho para o exterior, virou assunto popular nas redes. Mas não aleatoriamente. O que as investigações sobre o caso apontam é que houve uma ação coordenada para atacar instituições e autoridades, com pagamentos milionários. Ou seja, o banqueiro Daniel Vorcaro contou com um verdadeiro gabinete do ódio agindo a seu favor.
Essa descoberta deu fôlego para o pedido de
uma CPI do Master, e o número de assinaturas cresceu nos últimos dias, indo
para patamar recorde. Até a sexta-feira, havia endosso de 208 deputados e 37
senadores. Ou seja, número suficiente e pelo menos um fato determinado para
garantir a instalação.
Congresso e governo, porém, darão um jeito de
enterrar a CPI. Afinal, a quem interessa de fato, no meio político, investigar
Vorcaro? Um dos maiores temores entre os congressistas é que o banqueiro
resolva fazer uma delação premiada, pois sobraria para todo lado, já que ele
construiu uma rede de relacionamento com políticos das mais variadas colorações
partidárias, ou sem coloração alguma – caso do Centrão.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre
(União BrasilAP), avisou nos bastidores não ter intenção em dar andamento à
investigação no Congresso. Contudo, antes que se diga que tudo vira treta do
próprio Legislativo, é preciso observar também o movimento do governo.
Até o momento, por exemplo, a base de Lula
mantém distância do pedido. Segundo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ),
responsável por coletar as assinaturas, nenhum petista assinou a CPI e apenas
três integrantes de partidos governistas constam na sua lista: Tabata Amaral
(PSB), Duarte Junior (PSB) e Marcos Tavares (PDT).
O Planalto, porém, tem um discurso ensaiado.
Vai destacar que apoia investigação ampla sobre o Master – atinja quem tiver
que atingir. Mas que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da
comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva acionou o marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com
preocupação, e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também.
Uma mudança de rota. Enquanto o tema envolvia embate de Tribunal de Contas da União e Banco Central, ou seja, sem chance de engajar o público em geral, Lula e seus ministros ficaram em silêncio. Mas o escândalo dos influenciadores popularizou a pauta e chegou aos eleitores, disparando o alerta de que ficar calado poderia soar omissão.

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