Folha de S. Paulo
Costura vai muito além de proteger Toffoli e
pode se transformar em tábua de salvação
Usa-se a tática da intimidação e ameaças de
delação em doses cavalares para garantir blindagem de quem tem rabo preso
A avalanche de informações das últimas semanas sobre Daniel Vorcaro e suas conexões no mundo da política, governos e Judiciário não pode tirar o foco principal do escândalo: as fraudes praticadas pelo Banco Master, que já estão documentadas nas investigações da Polícia Federal com base em denúncia do Banco Central.
Apresentar o criminoso como uma vítima do
esquema com a escolha de um ou mais bodes expiatórios, sem foro privilegiado, é
o caminho da defesa dos envolvidos nos ilícitos. Usa-se a tática da intimidação
e ameaças de delação em doses cavalares para garantir a blindagem de quem tem
rabo preso nos crimes praticados.
O presidente do Supremo Tribunal
Federal, Edson Fachin,
já indicou que a investigação do caso Master, que está sob responsabilidade do
ministro Dias Toffoli, pode ser
enviada à primeira instância. É o caminho que se apresenta como uma
"saída honrosa" para Toffoli. Seria uma forma de tirar o STF do
foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos
assinados pelo ministro até aqui.
O acordo sanitário que está sendo costurado
pode se transformar numa tábua de salvação para todo mundo que tem foro
privilegiado. Vai muito além de uma proteção a Toffoli.
O processo retorna para a primeira instância
e as informações de quem tem foro privilegiado ficam no Supremo. Chama a
atenção a decisão de Toffoli de dar prazos exíguos para a PF. A corporação teve
que parar de investigar gente nova.
O risco daqui para a frente é ninguém fazer a
investigação e atrapalhar quem está fazendo. O caso subiu para o
STF depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado
João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado. Ele não é o único.
Outras pessoas com foro já foram alcançadas nas investigações.
O esquema foi sofisticado. Os investigadores
precisam de tempo: a PF não consegue destrinchar essas coisas todas
rapidamente. Tentativas de macular o trabalho da investigação só servem a quem
quer sair de vítima e conseguir uma indenização.

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