quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O acordo para salvar quem tem foro privilegiado no caso Master. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Costura vai muito além de proteger Toffoli e pode se transformar em tábua de salvação

Usa-se a tática da intimidação e ameaças de delação em doses cavalares para garantir blindagem de quem tem rabo preso

A avalanche de informações das últimas semanas sobre Daniel Vorcaro e suas conexões no mundo da política, governos e Judiciário não pode tirar o foco principal do escândalo: as fraudes praticadas pelo Banco Master, que já estão documentadas nas investigações da Polícia Federal com base em denúncia do Banco Central.

Apresentar o criminoso como uma vítima do esquema com a escolha de um ou mais bodes expiatórios, sem foro privilegiado, é o caminho da defesa dos envolvidos nos ilícitos. Usa-se a tática da intimidação e ameaças de delação em doses cavalares para garantir a blindagem de quem tem rabo preso nos crimes praticados.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, já indicou que a investigação do caso Master, que está sob responsabilidade do ministro Dias Toffolipode ser enviada à primeira instância. É o caminho que se apresenta como uma "saída honrosa" para Toffoli. Seria uma forma de tirar o STF do foco da crise, afastar as alegações de suspeição e manter válidos todos os atos assinados pelo ministro até aqui.

O acordo sanitário que está sendo costurado pode se transformar numa tábua de salvação para todo mundo que tem foro privilegiado. Vai muito além de uma proteção a Toffoli.

O processo retorna para a primeira instância e as informações de quem tem foro privilegiado ficam no Supremo. Chama a atenção a decisão de Toffoli de dar prazos exíguos para a PF. A corporação teve que parar de investigar gente nova.

O risco daqui para a frente é ninguém fazer a investigação e atrapalhar quem está fazendo. O caso subiu para o STF depois que a PF apreendeu um documento que cita o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), detentor de foro privilegiado. Ele não é o único. Outras pessoas com foro já foram alcançadas nas investigações.

O esquema foi sofisticado. Os investigadores precisam de tempo: a PF não consegue destrinchar essas coisas todas rapidamente. Tentativas de macular o trabalho da investigação só servem a quem quer sair de vítima e conseguir uma indenização.

 

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