Alguns momentos foram particularmente difíceis, com a banalização das práticas de torturas aos presos políticos. Refiro-me ao Estado Novo, à ditadura Dutra, à longa ditadura dos militares a partir de 1964.
Outros momentos trouxeram muitas esperanças. E eu poderia citar a Coluna Prestes, a formação da Aliança Nacional Libertadora, a anistia de abril de 1945, a campanha do Petróleo é Nosso, a inauguração de Brasília, a luta pela anistia nos anos 70, as Diretas Já, a vitória da oposição no Colégio Eleitoral e a promulgação da Constituição de 1988.
Porém, um fato parece inquestionável: sempre saímos das crises em alianças estabelecidas entre os representantes do Campo Democrático. Isso dito, liberais, trabalhistas, sociais-democratas e comunistas souberam deixar suas divergências de lado em defesa dos valores da civilização contra a barbárie. Foi assim com a frente formada em torno de Juscelino e Jango, nas eleições de 1955. E também com aquela constituída para viabilizar Tancredo Neves e José Sarney no Colégio Eleitoral. O Governo Itamar - a meu ver o mais avançado que o Brasil já teve, responsável pelo Plano Real, pela criação do Ministério do Meio Ambiente, pela implantação da Lei Orgânica da Assistência Social, e, ainda, pelo apoio decidido à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - foi uma espécie de coroamento dessa opção pela Democracia. Um eventual governo de Eduardo Campos, infelizmente falecido em um acidente aéreo, poderia ter dado continuidade a essa linha de avanços e conquistas no rumo da Democracia.
Já a experiência populista se revelou historicamente desastrosa para nós brasileiros. Senão vejamos: Getúlio Vargas se suicidou, Jânio Quadros renunciou, Collor de Mello foi sacado do poder e Lula da Silva acabou preso, assim como Jair Bolsonaro. Tudo isso atingiu ou até mesmo abalou a saúde institucional do país, em diferentes momentos.
Acredito que precisamos nos dotar com urgência de um projeto de nação. Temos alguns exemplos que podem nos inspirar, a saber: o Plano de Metas, as Reformas de Base e o Plano Real. Não são tantos assim, mas eis o que já compõe um conjunto importante de experiências, se conseguirmos atualizá-lo à luz dos novos problemas que se manifestam no interior da sociedade brasileira (mutações no mundo do trabalho, impactos causados pela crise ambiental, necessário aprofundamento da Democracia, luta pela identidade nacional). Ao lado dessas questões, precisamos combater a corrupção e o descalabro administrativo e atentar para os graves problemas envolvendo a segurança dos cidadãos. Não são poucas as questões, como podemos ver.
Tudo indica que precisamos encontrar um caminho diferente deste que aí está, retomando o fio da meada e tendo o humanismo como objetivo final e a Frente Ampla como instrumento para alcançar este mesmo objetivo.
*Ivan Alves Filho, historiador

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