O Globo
Para Kassab, o governador do Paraná,
comparado a Leite e Caiado, é quem melhor enverga o figurino da centro-direita
Desanuvia-se aos poucos o horizonte das
eleições presidenciais. Tarcísio de Freitas, com sua primeira visita a Jair
Bolsonaro desde que o ex-presidente ungiu o filho, selou apoio à candidatura
Flávio Bolsonaro e afastou a sua própria do páreo. Abriu, assim, espaço na
disputa a um terceiro nome. O governador do Paraná, Ratinho Junior, é hoje o
mais provável.
Desde sempre o preferido de Gilberto Kassab para candidato do PSD à Presidência caso Tarcísio decidisse pela reeleição, Ratinho Junior ganhou, nesta semana, a companhia do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no rol de presidenciáveis da sigla. A lista já comportava o também governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.
A saída de Caiado do União Brasil não foi
propriamente uma escolha. A União Progressista — federação formada entre o PP e
o agora ex-partido de Caiado — resolveu não ter candidato nem apoiar ninguém no
primeiro turno das eleições. Ficará neutra. A decisão já foi comunicada pelos
caciques das duas siglas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, tanto a Flávio
Bolsonaro quanto ao governo federal, onde os partidos mantêm cargos. Diante da
situação, Caiado, que quer ser candidato a presidente e já estava em franco
litígio com o comando do União Brasil, saiu em busca de um novo partido e deu
com os braços abertos de Kassab. O cacique do PSD e secretário do governo
Tarcísio em São Paulo, que já tinha dois presidenciáveis, ficou então com três.
E ainda ganhou a possibilidade de levar no mínimo duas vagas no Senado para os
governadores da trinca que ficarem de fora da eleição presidencial. Caiado,
Eduardo Leite e Ratinho Junior têm todos boas chances de conquistar uma cadeira
na Casa, se quiserem disputá-la.
Hoje, os três afirmam em coro crer que um
deles será candidato à Presidência pelo PSD, e os demais apoiarão o escolhido.
Ratinho sai na frente nas pesquisas. Na última rodada da Quaest, no cenário sem
Tarcísio, com Ratinho e Caiado (Leite não foi testado), o paranaense aparece
com 9% de intenções de voto, ante 5% de Caiado. A vantagem de Ratinho nas
pesquisas, porém, não justifica sozinha a preferência de Kassab. Para ele,
Ratinho é, entre os três, quem melhor enverga o figurino da centro-direita,
perfil de candidato que ele considera mais palatável ao eleitor e a seus
acordos regionais.
O espectro ideológico da trinca — em que
Caiado figura à direita de Ratinho e Leite à esquerda — ficou espelhado na
discussão acerca da anistia a Bolsonaro e aos condenados do 8 de Janeiro.
Questionado, Ratinho disse considerar “excessivas” as punições e afirmou ser
favorável ao indulto presidencial aos sentenciados e a Bolsonaro. Caiado já
defendeu não o indulto, mas uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para todos,
incluindo o ex-presidente. Leite se manifestou contra qualquer tipo de perdão a
Bolsonaro e seus seguidores.
Num eventual segundo turno entre Lula e um
dos presidenciáveis do PSD, Caiado fica mais distante do petista que Ratinho
Junior. Hoje, o governador de Goiás aparece 11 pontos atrás de Lula, enquanto
Ratinho vem com 7 pontos de desvantagem, a mesma marca de Flávio.
Flávio é o opositor preferido de Lula para o
segundo turno não apenas por ter alta rejeição (55%) e potencializar o enredo
do “nós contra eles”, mas sobretudo pela dificuldade de, como candidato do polo
bolsonarista, conquistar o eleitor “do meio” – aquele que decidirá a eleição.
Ratinho tem menor rejeição (41%) que Flávio e está fora da polarização, o que
amplia seu espaço para avançar entre os indecisos. Num pleito em que o
antipetismo tende a ser uma força potente, o escolhido de Kassab terá de vender
viabilidade desde cedo, a fim de evitar ser tragado pelo discurso do voto útil.
Antes disso, porém, terá de convencer a plateia de que não está no palco para
fazer figuração nem será rifado no meio do show.

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