domingo, 1 de fevereiro de 2026

A dança das cadeiras na equipe econômica de Lula e mulheres no BC. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Haddad diz que sai da Fazenda em fevereiro, deixando Dario Durigan em seu lugar

Mudanças incluem vagas abertas do BC, secretarias da Fazenda e Planejamento e Gestão

Fernando Haddad diz desde o ano passado que deixará a cadeira de ministro da Fazenda em fevereiro. Por ora, parece que seu sucessor será seu vice-ministro, Dario Durigan, secretário-executivo, apesar de fracas especulações a respeito de alternativas.

A substituição não deve provocar mudança de política econômica, até porque o grosso do programa da Fazenda, contas públicas, foi decidido por Lula, apesar de sugestões de Haddad. Mas pode haver dança de cadeiras na Fazenda, no Planejamento e no Banco Central. Planejamento e Gestão podem ser fundidos, por exemplo.

Durigan pode fazer remanejamentos. Até por isso surgiu a especulação de que Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, possa ir para uma das duas vagas abertas na diretoria do Banco Central (uma delas justamente a de Política Econômica, uma das três mais importantes nas discussões de política monetária).

Gente do governo diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não começou a discutir, nas internas, novos nomes para o BC ou mudança nas secretarias da Fazenda. Mello, o secretário de Política Econômica, não tem a simpatia de "o mercado". É o nome da Fazenda mais próximo de Lula e do PT. Não quer dizer por isso que vá para o BC nem que permaneça na Fazenda —pode ser justamente o contrário.

Há no BC duas diretorias vagas. Terminaram os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Guillen, de Política Econômica, diretor mais influente nas discussões de política monetária nos últimos anos (assumiu nos anos de Jair Bolsonaro).

Lula espera as sugestões de Gabriel Galípolo. Para complicar, a direção do BC se tornou motivo de discussão política por motivos lamentavelmente novos. Dias Toffoli, ministro do STF, e Jhonatan de Jesus, ministro do TCU, tomaram atitudes agressivas em relação à direção do BC, por causa do caso Master. Pior ainda, "a luta continua", até porque atacar ou desmoralizar a autoridade que fiscaliza o sistema financeiro pode ser um meio de encrencar o processo de Daniel Vorcaro e até evitar a perda total de dinheiros dos envolvidos. De resto, o ex-dono do Master tem muitos amigos preocupados.

MULHERES

Uma das diretorias do BC vagas deve ser ocupada por uma mulher. Agora, há apenas uma, Izabela Correa, diretora de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta. O Copom tem nove integrantes, o presidente do BC e oito diretores da instituição.

O comitê do Fed que decide para onde vai a taxa básica de juros dos Estados Unidos tem doze votantes. Neste ano, cinco serão mulheres. O Fed, Federal Reserve, é o BC dos EUA.

A composição do Federal Open Market Committee (Fomc, o Copom deles) é variável. Dos doze votantes, sete sempre são os integrantes do conselho do Fed, indicados pelo presidente dos EUA e aprovados pelo Senado. Um outro é o presidente do Fed de Nova York, que opera a política monetária. Os outros quatro integrantes do Fomc vêm dos demais Feds regionais, que ocupam as cadeiras votantes em rodízio anual.

O Fed é composto de doze bancos regionais, corporações independentes, sem fins lucrativos, de propriedade de bancos de cada região —não fazem parte do governo, embora tenham sido criados pelo Congresso.

As mulheres do Fed: Michelle Bowman, vice-presidente de supervisão, e Lisa Cook, do conselho ("Board") do Fed; Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland; Lorie Logan, do Fed de Dallas; Anna Paulson, do Fed de Filadélfia.

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