domingo, 1 de fevereiro de 2026

O candidato Ratinho Jr.: se PSD quer direita democrática, início não foi promissor. Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Tanto governador do Paraná quanto Caiado já prometeram anistia aos golpistas de 2022-2023

Se bolsonarismo tivesse sido rejeitado em sua inteireza após 8/1, centro-direita teria opção melhor

PSD de Gilberto Kassab anunciou que terá candidato a presidente da República. Já que Tarcísio se mostrou covarde, o centrão foi cuidar da própria vida.

O anúncio do PSD foi feito durante a filiação de Ronaldo Caiado ao partido, e na presença de outro presidenciável, o governador gaúcho Eduardo Leite. Mas o candidato mais provável é o governador do Paraná, Ratinho Jr..

Um candidato da direita democrática, a essa altura, seria uma ótima notícia. Mas se é isso que o PSD quer oferecer ao eleitorado em 2026, o início não foi promissor.

Tanto Ratinho Jr. quanto Caiado já prometeram anistia aos golpistas de 2022-2023. Ambos criticaram Lula por não ceder a Trump durante o tarifaço. Se estão agora fazendo um movimento de volta ao centro, é porque a extrema direita os rejeitou.

Se o candidato da direita moderada também defende soltar da cadeia os golpistas que tentaram me colocar no pau-de-arara, perdoem minha falta de entusiasmo.

Dos presidenciáveis do PSD, só um teve coragem de se posicionar contra a anistia, e, de fato, defendeu posições centristas nos últimos anos: Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Leite nunca esteve exatamente nas trincheiras contra o golpismo, mas não apoia a anistia nem o resto do pacote extremista. Caso se lance à Presidência nesses termos, poderá legitimamente ser chamado de candidato de centro-direita, de direita moderada, de qualquer coisa desse tipo. Supondo, é claro, que não desperdice isso tudo apoiando Flávio no segundo turno.

De qualquer modo, uma nova candidatura de direita cria problemas para Flávio Bolsonaro. Afinal, seu único argumento até agora é "papai matou Tarcísio, só sobrei eu".

Por exemplo, até agora, Flavinho não encontrou um economista relevante que aceite desempenhar o papel de "Posto Ipiranga" que Guedes desempenhou na candidatura de seu pai. Até aí, nada: a lenda de que Paulo Guedes era um grande economista é uma construção posterior à adesão da elite econômica ao bolsonarismo. Nenhuma lista dos 50, suspeito que dos 100, provavelmente dos 500 maiores economistas brasileiros incluiria seu nome antes de 2018.

Mesmo assim, a adesão de um economista alfabetizado ajudaria Flávio. E é difícil que algum deles o faça sem poder recorrer ao argumento "é esta porcaria aqui ou o Lula".

De qualquer forma, essa centro-direita improvisada seis meses antes da eleição só foi necessária porque a direita passou os últimos três anos apostando em uma estratégia que fracassou: tentar moderar o bolsonarismo.

Isso nunca foi possível, porque o membro mais radical do bolsonarismo é o próprio Jair. Mas a direita também sabotou escandalosamente sua própria estratégia. Manteve o bolsonarismo vivo com isentismo "O STF também se excedeu", com acenos de anistia e dosimetria, e com um acordão, nunca bem explicado, que poupou os políticos bolsonaristas nas investigações sobre o golpe.

Se o bolsonarismo tivesse sido rejeitado em sua inteireza já no dia 9 de janeiro de 2023, a esta altura a centro-direita teria um candidato melhor que Ratinho Jr..

Uma candidatura de direita não bolsonarista é uma boa notícia; mas é constrangedor que esse "não" tenha sido proferido pelo Jair, não por Ratinho Jr., Caiado ou, aliás, Tarcísio.

 

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