O Estado de S. Paulo
Fachin e Cármen Lúcia para o STF e a sociedade: amigos, amigos, Judiciário à parte
As atenções, nesta segunda-feira, na
reabertura do Judiciário pós-recesso, estarão sobre dois personagens, o
presidente do STF, Edson Fachin, e a presidente do TSE, Cármen Lúcia, ambos
considerados independentes, apolíticos e sóbrios, diferentemente do que se
naturalizou nos dois tribunais, e (um menos, outra mais) capazes de dizer o que
precisa ser dito, em vez de passar pano no que é errado e a mão na cabeça de
quem não merece.
Enquanto o vice-presidente do STF, Alexandre de Moraes, o decano Gilmar Mendes e principalmente o relator do caso Master, Dias Toffoli, se perdem num redemoinho corporativista e de autoproteção, o desafio de Fachin é ajustar o próprio tom, defender firmemente a ética (e não só um código) e cumprir o papel de mostrar ao País que instituições estão acima de homens.
Por estilo, firmeza e coragem pessoal, porém,
os holofotes estão mais focados em Cármen Lúcia do que em Fachin. Presidente do
TSE pela segunda vez, ela é a única mulher entre os dez ministros atuais do STF
e anda nas ruas, aeroportos e padarias de cabeça erguida, sob aplausos e
reconhecimento.
É sobre ela que recaem as maiores expectativas na reabertura do Judiciário, em que não só a sociedade exige, mas a democracia precisa de vozes que digam as verdades hoje dissimuladas, façam as cobranças urgentes em favor das instituições, e assumam um lema: amizades, amizades, Judiciário à parte.
Não se espere histrionismo de uma mineira bem
falante, mas miúda e discreta, que dá seu recado com clareza, mas também com
elegância, sem aprofundar rachas ou, pior, criar pugilato verbal em plenário.
Esperem-se firmeza, compromisso, responsabilidade. Um discurso certo, na hora
certa, para despertar o STF e responder a uma sociedade que é toda ouvidos.
Quanto a Fachin, terá sua segunda chance, já
que desperdiçou a primeira numa nota em cima do muro, em que citou o relator
Toffoli sem verbos e predicados, optando por atacar a onda de críticas a ele e
ao STF e cobrar: “Defender o STF é defender as regras do jogo democrático e
evitar que a força bruta substitua o direito”.
Quem veste a carapuça, o que critica ou o que
é criticado? A promiscuidade entre ministros com o Banco Master, o impedimento
óbvio de Toffoli como relator, as idas e voltas em decisões em favor do banco,
não das investigações, e passar pano em tudo isso não é “defender o STF”, muito
menos “as regras do jogo democrático”. É o oposto: dar discurso, pretexto e
munição justamente para os que defendem que “a força bruta substitua o
direito”.
Com a palavra, Fachin, Cármen Lúcia e Justiça brasileira.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.