sábado, 7 de fevereiro de 2026

Escândalo Master chega perto de Alcolumbre. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

O incômodo é geral entre aliados e opositores de Lula; a esta altura, esperava-se que a temperatura do caso baixasse

Está ficando claro que o acordão em construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS

A operação da Polícia Federal contra a Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, assustou o mundo político pela proximidade com Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado e uma das autoridades mais influentes do país.

Não é uma conexão qualquer. A ação, que apura irregularidades em investimentos feitos no Banco Master, mirou o diretor-presidente da entidade, Jocildo Silva Lemos. Ele foi indicado para o cargo por Alcolumbre e também trabalhou como tesoureiro da sua campanha nas eleições de 2022.

Para quem perdeu o fio da meada: o fundo botou R$ 400 milhões em títulos furados do Master e teve um prejuízo, como revelou a Folha, ao colocar dinheiro num fundo de investimentos administrado pelo banco de Daniel Vocaro, que aplicava quase toda a sua carteira em ações da Ambipar, empresa que fez parte do esquema. O incômodo é geral entre os políticos (aliados e opositores de Lula) porque, a esta altura do campeonato, esperava-se que a temperatura do caso fosse arrefecer com a pressão nos bastidores para abafar o caso.

A operação da PF mostrou o contrário. As investigações estão chegando perto de mais poderosos. O próximo passo caminha para conexões do Master com as bets e suas ligações perigosas com congressistas.

Lula determinou que o governo vá "às últimas consequências" nas investigações. Acha que o dano no seu governo e no PT está controlado e que até pode se beneficiar do escândalo. Desde que não chegue a comprometer as alianças políticas nas eleições.

A tempestade não passa e o clima vai ficando esquisito na capital. Tem presidente de partido da oposição, Ciro Nogueira (PP), procurando acordo com Lula, ministros do governo batendo na PF e senador aliado relebrando que Chico Lopes (ex-presidente do BC) já saiu preso de uma CPI.

Quem vê com lupa o cenário em Brasília diz que está ficando claro que o acordão em construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS e o governo Lula não avançar na CPI do Master. Um pouso suave para a campanha eleitoral começar.

 

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