Folha de S. Paulo
O incômodo é geral entre aliados e opositores
de Lula; a esta altura, esperava-se que a temperatura do caso baixasse
Está ficando claro que o acordão em
construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS
A operação da Polícia
Federal contra a Amprev,
fundo de previdência dos servidores do Amapá, assustou o mundo político pela
proximidade com Davi
Alcolumbre (União Brasil),
presidente do Senado e
uma das autoridades mais influentes do país.
Não é uma conexão qualquer. A ação, que apura irregularidades em investimentos feitos no Banco Master, mirou o diretor-presidente da entidade, Jocildo Silva Lemos. Ele foi indicado para o cargo por Alcolumbre e também trabalhou como tesoureiro da sua campanha nas eleições de 2022.
Para quem perdeu o fio da meada: o fundo botou
R$ 400 milhões em títulos furados do Master e teve um prejuízo,
como revelou a Folha, ao colocar dinheiro num fundo de investimentos
administrado pelo banco de Daniel Vocaro, que aplicava quase toda a sua
carteira em ações da Ambipar, empresa que fez parte do esquema. O incômodo é
geral entre os políticos (aliados e opositores de Lula)
porque, a esta altura do campeonato, esperava-se que a temperatura do caso
fosse arrefecer com a pressão nos bastidores para abafar o caso.
A operação da PF mostrou o contrário. As investigações estão chegando perto de
mais poderosos. O próximo passo caminha para conexões do Master com as bets e
suas ligações perigosas com congressistas.
Lula determinou que o governo vá "às últimas consequências" nas
investigações. Acha que o dano no seu governo e no PT está controlado e que até
pode se beneficiar do escândalo. Desde que não chegue a comprometer as alianças
políticas nas eleições.
A tempestade não passa e o clima vai ficando esquisito na capital. Tem
presidente de partido da oposição, Ciro Nogueira (PP), procurando acordo com
Lula, ministros do governo batendo na PF e senador aliado relebrando que Chico Lopes (ex-presidente
do BC) já saiu preso de uma CPI.
Quem vê com lupa o cenário em Brasília diz que está ficando claro que o acordão
em construção é um tiro certeiro para interromper a CPI do INSS e
o governo Lula não avançar na CPI do Master.
Um pouso suave para a campanha eleitoral começar.

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