O Estado de S. Paulo
Tratemos da possibilidade de o caso Master ter vindo para ficar e condicionar o debate público, suas entranhas mostradas como capítulos de um folhetim, hipótese em que o fato novo e imprevisível se tornaria agente gerador de instabilidades no chão sobre o qual se desenrolará a disputa eleitoral.
Há motivos para considerar razoáveis as chances de o vulcão permanecer ativo, se, analisadas as informações, analisarmos também suas possíveis origens. A quem interessaria vazar que ministro do STF fumava charutos na casa de Vorcaro? A quem interessaria dar ciência a Brasília de que sabe gerir o tempo da distribuição das informações? A semana passada foi dedicada a lembrar que Lula recebeu o banqueiro fora da agenda, quando a pirâmide do banco já derretia, lembrado também que a história de construção desse castelo de cera passa pelos governos petistas na Bahia. Tudo verdade.
O fato de a informação ser de interesse
público não exclui haver alguma intenção de quem a faz chegar à imprensa. A
exposição da realidade – de que o Master estava em todos os centros de poder,
da direita à esquerda – manda recados, compromete muitos, constrange outros; e
amarra. O ministro do STF sabe de onde vem o relato detalhado da verdade sobre
suas fumaças. Nós sabemos que, se tantos agiram ou se omitiram pelo banco,
poucos não seriam os interessados em aliviar para Vorcaro.
O fluxo de informações tem administração – e
seu controle ainda não foi alcançado, ainda não atendidos os seus
controladores. Negociações estarão em curso. Talvez já não seja possível
atendê-los. A chance de o caso Master perder vigor e se acomodar dependerá do
sucesso do acordo costurado a partir do gabinete de Dias Toffoli; dependerá de
como ele, senhor da modalidade de sigilo que se materializa em gaveta, fatiará
as investigações; dependerá daquilo que guardará consigo. A existência da
“bancada do Master” garante que, graças ao foro por prerrogativa de função, o
ministro possa fazer escolhas.
Não é seguro que o acordo entregue o
prometido, ou que valha mais que a gestão ameaçadora das informações. Tampouco é
seguro que ao sucesso do acordo equivalha controlar o ânimo da sociedade. Há o
incontrolável. Quem acompanha pesquisas quer ver se os ponteiros de nossa
tolerância com a corrupção se moverão; se o evento terá o condão de mudar
humores no ano eleitoral.
É tudo que o Planalto não quer. O governo
Lula é percebido como próximo do Supremo; e o Supremo, como gestor de uma
“operação abafa”. Crises capazes de mobilizar o sentimento antissistema sempre
ferem o governo de turno, maior ou menor o seu envolvimento com o escândalo.
O chão eleitoral – na hipótese sem o caso Master por pauteiro – é aquele da reeleição provável de Lula; donde que espante o silêncio de Flávio Bolsonaro e dos valentes guerreiros antiestablishment frente ao que lhes seria a chance de jogar em casa e crescer na peleja. Espanta nada. O Master está em todo lugar e Dias Toffoli, no coração da família.

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