sexta-feira, 20 de março de 2026

Revoada no Rio, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Paes descumpre promessa de concluir mandato, e Castro tenta escapar de condenação

Num intervalo de poucos dias, o Rio deve assistir à debandada do governador e do prefeito da capital. O primeiro a renunciar será Eduardo Paes. Ele deixa o cargo hoje para concorrer ao Palácio Guanabara pela terceira vez.

Paes foi reeleito há menos de dois anos, com a promessa de cumprir o mandato até o fim. Gaiato, jurou pelo Vasco e pela Portela que não abandonaria a prefeitura. A lorota talvez explique os infortúnios que afligem o clube e a escola de samba.

Com a saída de Paes, entra em cena o vice Eduardo Cavaliere. Aos 31 anos, ele herdará a cadeira e os problemas da segunda maior cidade do país. Pouco conhecido dos eleitores, será prefeito até o fim de 2028.

O próximo a zarpar será o governador Cláudio Castro. Ele anunciou que sairia em abril, mas deve limpar as gavetas até segunda-feira. Quer escapar de uma provável cassação por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição.

Segundo aliados, o governador espera que o TSE arquive o caso sem concluir o julgamento, que pode torná-lo inelegível. A ver se o tribunal aceitará participar do cambalacho.

Nesta quarta, uma decisão do Supremo trouxe ainda mais incerteza à política do Rio. O ministro Luiz Fux invalidou regras da eleição indireta que escolherá o novo governador. Se a liminar for mantida, candidatos que despontavam como favoritos ficarão impedidos de concorrer.

A canetada deu início a uma nova rodada de maquinações pelo poder fluminense. O deputado Douglas Ruas se antecipou e saiu ontem do secretariado de Castro. Ungido por Flávio Bolsonaro, volta à Assembleia Legislativa para organizar o jogo do Zero Um no estado.

Enquanto a extrema direita se reposiciona, Paes negocia apoiar outro bolsonarista para o mandato-tampão no Guanabara. O nome da vez é Chico Machado, ex-secretário do atual governador.

Quando o capitão foi condenado pela tentativa de golpe, o deputado falou em “injustiça” e fez juras de “carinho e solidariedade”. Com um palanque desses, Lula não precisará de adversários no Rio.

 

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