O Globo
Paes descumpre promessa de concluir mandato,
e Castro tenta escapar de condenação
Num intervalo de poucos dias, o Rio deve
assistir à debandada do governador e do prefeito da capital. O primeiro a
renunciar será Eduardo Paes. Ele deixa o cargo hoje para concorrer ao Palácio
Guanabara pela terceira vez.
Paes foi reeleito há menos de dois anos, com a promessa de cumprir o mandato até o fim. Gaiato, jurou pelo Vasco e pela Portela que não abandonaria a prefeitura. A lorota talvez explique os infortúnios que afligem o clube e a escola de samba.
Com a saída de Paes, entra em cena o vice
Eduardo Cavaliere. Aos 31 anos, ele herdará a cadeira e os problemas da segunda
maior cidade do país. Pouco conhecido dos eleitores, será prefeito até o fim de
2028.
O próximo a zarpar será o governador Cláudio
Castro. Ele anunciou que sairia em abril, mas deve limpar as gavetas até
segunda-feira. Quer escapar de uma provável cassação por abuso de poder
político e econômico na campanha à reeleição.
Segundo aliados, o governador espera que o
TSE arquive o caso sem concluir o julgamento, que pode torná-lo inelegível. A
ver se o tribunal aceitará participar do cambalacho.
Nesta quarta, uma decisão do Supremo trouxe
ainda mais incerteza à política do Rio. O ministro Luiz Fux invalidou regras da
eleição indireta que escolherá o novo governador. Se a liminar for mantida,
candidatos que despontavam como favoritos ficarão impedidos de concorrer.
A canetada deu início a uma nova rodada de
maquinações pelo poder fluminense. O deputado Douglas Ruas se antecipou e saiu
ontem do secretariado de Castro. Ungido por Flávio Bolsonaro, volta à
Assembleia Legislativa para organizar o jogo do Zero Um no estado.
Enquanto a extrema direita se reposiciona,
Paes negocia apoiar outro bolsonarista para o mandato-tampão no Guanabara. O
nome da vez é Chico Machado, ex-secretário do atual governador.
Quando o capitão foi condenado pela tentativa
de golpe, o deputado falou em “injustiça” e fez juras de “carinho e
solidariedade”. Com um palanque desses, Lula não precisará de adversários no
Rio.

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