Folha de S. Paulo
A americano interessa reduzir danos e
encerrar a guerra
Para israelense, só vitória eloquente
ajudaria em reeleição
Donald Trump e Binyamin
Netanyahu começaram juntos a guerra contra o Irã, mas tendem
cada vez mais a divergir sobre o momento de encerrá-la.
É difícil, aliás, entender por que Trump embarcou nessa aventura. É verdade que o Agente Laranja ganharia pontos eleitorais (haverá pleito legislativo nos Estados Unidos em novembro), se tivesse derrubado a teocracia iraniana apenas falando grosso e lançando meia dúzia de bombas. Só que o risco de isso não acontecer sempre foi grande. E, até aqui, não aconteceu.
Já os custos da empreitada, tanto os
econômicos como os políticos, vão se acumulando. O eleitor típico de Trump é
contra intervenções militares no exterior. Não dá para imaginar o trumpista
padrão votando em candidatos democratas, mas ele pode simplesmente não votar em
novembro.
Já o eleitor independente tende a irritar-se
com o aumento da inflação desencadeado pela guerra. E, irritado, são grandes as
chances de ele responsabilizar os republicanos, o partido que está no poder,
pela dor em seu bolso.
Interessa a Trump reduzir danos e encerrar o
conflito o quanto antes, o que ele parece estar empenhado em fazer. Em Israel, é
diferente. Lá, a guerra é popular. A maioria dos israelenses vê o Irã como uma
ameaça existencial. Os aiatolás não apenas prometiam varrer Israel do mapa como
ainda armavam e treinavam o Hamas e o Hezbollah, os outros dois principais
inimigos do Estado judeu.
Para Netanyahu, que precisa fazer eleições
até outubro, uma vitória insofismável sobre a teocracia talvez seja a única
forma de manter-se no poder.
Uma parte importante do eleitorado irá
responsabilizá-lo pelas falhas de segurança que possibilitaram o ataque
terrorista de 7 de outubro de 2023. Para compensar isso, ele precisará de uma
conquista histórica. E, vale frisar, manter o emprego de premiê é o que o
afasta da cadeia, já que responde a três processo por corrupção.
Netanyahu de algum modo convenceu Trump a
entrar nessa guerra. Vamos ver se Trump agora consegue segurar o
primeiro-ministro israelense.
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