Leia na íntegra o Manifesto aprovado no 8º Congresso Nacional do PT
Vivemos
uma mudança de época, marcada pela crise do capitalismo neoliberal e pela
crescente desordem global. Nessa conjuntura, se sobrepõem crises estruturais
que atingem o sistema capitalista, a ordem internacional, as democracias
liberais e as próprias condições de vida no planeta. A promessa neoliberal de
crescimento econômico, estabilidade e bem-estar mostrou-se incapaz de oferecer
futuro para a maioria. Em seu lugar, consolidaram-se a fome, a estagnação, a
desigualdade, a precarização do trabalho, a insegurança e o enfraquecimento das
instituições democráticas.
O
que se apresenta hoje não é apenas o esgotamento de um modelo, mas a
intensificação das disputas sobre os rumos da sociedade.
A crise de 2008 deixou evidente que um sistema que se organiza sob a lógica da concentração de riqueza, diante do colapso, não corrige suas distorções: socializa prejuízos e preserva privilégios. O resultado foi a ampliação do endividamento público, o corte de direitos sociais e a consolidação de um padrão de acumulação baseado na captura de renda e na subordinação das economias nacionais ao capital financeiro global. Novas oligarquias emergiram com força. Grandes corporações, sobretudo no campo tecnológico, passaram a controlar fluxos de informação, organizar o trabalho, influenciar comportamentos e intervir na vida política. A democracia liberal, cada vez mais mediada por plataformas privadas, tornou-se terreno de disputa desigual.
Essa
dinâmica se expressa também na crise geopolítica em curso. A ordem
internacional sob hegemonia dos Estados Unidos se desestabiliza diante da
ascensão de novas potências. Em resposta ao declínio relativo de sua posição,
as potências tradicionais intensificam o uso da força — militar, financeira e
tecnológica — para preservar sua influência. Guerras, sanções, bloqueios e
intervenções voltam ao centro do tabuleiro geopolítico, corroendo o direito
internacional e aprofundando crises humanitárias. Povos inteiros são submetidos
à destruição de seus territórios, ao deslocamento forçado e à violência
sistemática, enquanto princípios fundamentais como a soberania e a
autodeterminação são seletivamente ignorados.
As
eleições de 2026 serão disputadas no Brasil em um cenário de avanço da
extrema-direita e do fascismo nos principais países da Europa e das Américas.
Ao mesmo tempo, serão disputadas durante a gestão do governo com mais entregas
da história. Desde de 2023, o governo Lula trabalha na reconstrução de um país
que havia sido destruído pela extrema-direita. Retomamos e ampliamos o Minha
Casa Minha Vida, retomamos o PAC e criamos a Nova Indústria Brasil (NIB) e o
Plano de Transformação Ecológica, criamos o ECA Digital, o Pé de Meia e o Gás
do Povo, ampliamos e aprimoramos o Bolsa Família, ampliamos radicalmente a
educação em tempo integral, retomamos o Farmácia Popular, criamos o Agora Tem
especialistas, recuperamos a valorização do salário mínimo e aprovamos a
Reforma Tributária do consumo e da renda, ampliamos os recursos para cultura
pelas leis Paulo Gustavo, Aldir Blanc e Rouanet, aprovamos a Política Nacional
de Cuidados e lançamos o Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, criamos a Lei
de Cotas para concursos públicos – entre muitas outras medidas. Mas, diante da
destruição promovida pelo governo anterior, e pelas necessidades e anseios de
mudanças da sociedade brasileira, sabemos que é preciso ir muito além.
É
nesse ambiente também que se realiza o 8º Congresso do Partido dos
Trabalhadores, projetado para o período 2026–2027.
A
instabilidade global, a volatilidade energética, a desorganização das cadeias
produtivas e as pressões geopolíticas ampliam nossa vulnerabilidade. Ao mesmo
tempo, revelam a necessidade de reconstruir a capacidade de planejamento,
fortalecer a base produtiva e reafirmar a soberania nacional. A disputa pelo
controle de recursos estratégicos, tecnologias e fontes de energia coloca novos
desafios para o desenvolvimento nacional. Não há desenvolvimento possível sem
autonomia, capacidade industrial e um projeto próprio de país.
Além
das medidas estruturais para o desenvolvimento das capacidades domésticas e
fortalecimento da soberania, o Presidente Lula se mostrou, neste mandato, como
o líder mais preparado para resolver crises e situações de emergência. Da
tragédia causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul ao tarifaço unilateral de
Donald Trump contra o Brasil, o Presidente Lula prontamente atuou em todas as
crises que se apresentaram para preservar vidas, empregos e empresas
brasileiras. A mesma rápida resposta ocorreu com as queimadas no Centro-Oeste e
deslizamentos em Minas Gerais, assim como com a contenção da alta do preço do
diesel, diante do contexto de Guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o
Irã. A atuação de Lula é oposta à do governo anterior, que diante da pandemia
permitiu que o país chegasse à marca de 700 mil mortos, e foi considerada a
pior gestão do mundo durante a Covid-19.
Para
o PT, a soberania nacional no século XXI não se resume à defesa de fronteiras,
mas ao controle sobre o coração da tecnologia do futuro. É imperativo que o
Brasil assuma o protagonismo sobre suas reservas de terras raras — um conjunto
de 17 minerais críticos essenciais para a indústria de alta tecnologia, para a
produção de baterias, lasers, turbinas eólicas e componentes de defesa.
Explicar o valor desses recursos é explicar a nossa independência: sem terras
raras, não há transição energética nem soberania digital. O Brasil detém uma
das maiores reservas do planeta e não pode aceitar o papel de mero exportador
de minério bruto; nosso projeto exige que o processamento e a inteligência
sobre esses minerais ocorram em solo nacional, gerando empregos qualificados e
protegendo nossa riqueza contra a cobiça internacional.
A
crise da hegemonia norte-americana abre, por outro lado, espaço para novas
articulações internacionais e para a afirmação de polos alternativos de poder.
Iniciativas do Sul Global, como os BRICS, demonstram que existem margens reais
de disputa e possibilidades de construção de uma ordem internacional mais
equilibrada. O Brasil pode e deve exercer papel protagonista nesse processo,
contribuindo para um mundo mais equilibrado, baseado na cooperação, no
desenvolvimento e na paz.
Essa
caracterização se evidencia pela postura adotada por Donald Trump em relação às
principais economias do mundo, ao utilizar tarifas comerciais como instrumento
de pressão e de repressão econômica, estabelecendo um ambiente de guerra
comercial sem precedentes. Da mesma forma, sua política externa expressa uma
face especialmente imperialista e agressiva na relação com países como
Venezuela e Cuba, além da aliança com Israel nos violentos processos de ocupação
territorial na Faixa de Gaza e ações militares contra Irã e Líbano, alimentando
uma guerra no Oriente Médio de consequências nefastas. Em contraste, o governo
Lula reafirmou a tradição pacífica do Brasil: liderou a maior operação de
repatriação de cidadãos em áreas de conflito, defendeu o cessar-fogo imediato
em fóruns globais e colocou nosso país novamente como o mediador necessário em
um mundo em chamas.
A
crise, porém, não é apenas econômica ou geopolítica. É também civilizatória. A
insegurança e a frustração social alimentam a emergência de forças
reacionárias. O autoritarismo, o racismo, a misoginia e o negacionismo ganham
espaço, impulsionados pela manipulação da informação e pelo uso político do
medo. A democracia é tensionada pela desinformação e pela captura do espaço
público por interesses privados.
Nesse
contexto, o mundo do trabalho se transforma. A plataformização reorganiza a
produção, fragmenta a classe trabalhadora e redefine as formas de exploração. O
trabalho se torna mais instável, desprotegido e subordinado a lógicas
algorítmicas. Ao mesmo tempo, surgem novas formas de resistência e organização.
Diante
desse quadro, a disputa pelo futuro está aberta. Trata-se de construir
alternativas que enfrentem as estruturas de poder, reconstruam a democracia,
afirmem a soberania dos povos e garantam a vida além do trabalho. Isso exige
articular crescimento econômico, justiça social, inovação e sustentabilidade,
além de reconstruir o papel do Estado e fortalecer a participação popular,
reduzindo a jornada de trabalho e acabando imediatamente com a escala 6×1.
O
Brasil está no rumo certo. Retomamos um crescimento médio de 2,8% neste
mandato, dobrando a média do governo anterior. A desigualdade, que havia
voltado a crescer ao longo do desgoverno anterior, atingiu a mínima histórica
com Lula, assim como a proporção de pessoas na pobreza e na extrema pobreza.
Após a triste marca de o Brasil ter voltado ao Mapa da Fome no último governo,
voltamos a sair com Lula. O salário mínimo, que pela primeira vez na história
havia tido redução de seu valor real em um mandato presidencial entre 2018 e
2022, voltou a ser valorizado, crescendo 12% em termos reais ao longo do atual
mandato do presidente Lula. O mesmo ocorreu com o rendimento médio real das
famílias, enquanto o desemprego atingiu a mínima histórica. Os jovens que não
estudam nem trabalham, que haviam atingido o maior patamar da história com o
último presidente, atingiram o menor patamar com Lula.
Tudo
isso com inflação controlada. Trouxemos a inflação de volta à meta, atingindo a
menor média por mandato presidencial da história do real. A inflação de
alimentos, que foi, em média, de 12% ao ano, no governo passado, passou a 3%,
em média, com Lula. Isso, somado à valorização do salário mínimo, fez com que a
quantidade de cestas básicas compradas com um salário mínimo — que havia
despencado ao longo do governo anterior — voltasse a crescer sob Lula: enquanto
um salário mínimo comprava 1,7 cestas básicas em 2022, passou a comprar 2,1 em
2026.
Com
o governo Lula, o orçamento para educação cresceu mais de R$100 bilhões em
relação ao governo anterior, equivalente a mais de 60% de crescimento. Já o
crescimento do orçamento da saúde foi superior a 30%. Com o Compromisso
Nacional da Criança Alfabetizada, praticamente dobramos a parcela de crianças
alfabetizadas em 4 anos, saltando de 36% para 66%. Neste governo, a cobertura
de municípios com oferta de educação em tempo integral passou de 17% para 91%,
com a criação de 1,8 milhão de vagas. O Fundeb teve um crescimento de 350% com
Lula em relação ao último governo. Com mais de 4 milhões de jovens beneficiados
por ano, o Pé de Meia reduziu em 43% a evasão no Ensino Médio. A cobertura
vacinal em crianças cresceu mais de 10% no governo Lula, após o último governo
ter negado a importância das vacinas.
Com
o Presidente Lula, a safra agrícola bateu recorde, crescendo 32% em relação ao
governo anterior, beneficiada pelo maior Plano Safra — tanto para a agricultura
familiar quanto empresarial — da história. A produção de veículos cresceu mais
de 30% em relação ao governo anterior, e a qualidade das estradas, que piorou
no governo anterior, atingiu o melhor patamar da história no atual mandato do
Presidente Lula. Os brasileiros voltaram a viajar de avião, com aumento de mais
de 30 milhões de passageiros por ano em relação a 2022, e a chegada de turistas
internacionais também bateu recorde, atingindo 9,3 milhões em 2025, três vezes
mais do que em 2022. Mesmo com o tarifaço de Trump, a balança comercial bateu
recorde, crescendo mais de 50% em relação ao governo anterior.
A
concessão de crédito aumentou mais de 40% de 2022 para 2025, com crescimento
tanto do crédito público quanto do crédito privado. O financiamento
habitacional pelo FGTS bateu recorde: depois de ter caído 25% no último governo,
cresceu 75% com Lula. A produção industrial, que havia recuado, voltou a
crescer. Só no âmbito da Nova Indústria Brasil, foram mais de 650 bilhões de
reais contratados. As dotações do Fundo Nacional de Ciência e Tecnologia
bateram recorde, crescendo mais de 300% na comparação entre 2025 e 2022. A
aprovação de crédito no Fundo Clima somou, apenas nos três primeiros anos do
governo Lula, R$ 23,5 milhões, contra menos de R$ 2 milhões ao longo dos quatro
anos do último governo.
Todos
esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas
públicas. O déficit primário médio ao longo do mandato de Lula foi cerca de um
terço do que foi o do último governo, e metade do que foi o anterior. Isso
mesmo com o atual Governo tendo assumido com um orçamento que previa um déficit
de R$ 230 bilhões. Após termos perdido reservas internacionais com o governo
anterior, voltamos a acumular reservas com Lula, com um aumento de mais de R$
40 bilhões de dólares.
São
muitos avanços que precisam continuar. Apesar disso, precisamos ir além. Para
além dos bons indicadores e resultados, precisamos avançar nas reformas
estruturais e atualizar o nosso projeto portador de futuro para o Brasil.
Diante do tamanho dos desafios estruturais que Brasil enfrenta e dos novos desafios
que a atual conjuntura impõe, esse momento exige a atualização do programa e da
estratégia do Partido dos Trabalhadores, tendo as eleições de 2026 como eixo
central da tática política.
A
reeleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é decisiva para o futuro do
Brasil e para o campo democrático internacional. O papel do Brasil impacta
diretamente a correlação de forças na América Latina e no mundo. O País reúne
condições estratégicas singulares: dimensão territorial, população, recursos
naturais e capacidade produtiva. Seu papel é decisivo no desenvolvimento
global, o que exige a reafirmação da soberania e da democracia.
O
governo anterior representou o ápice da degradação ao executar um verdadeiro
projeto de destruição nacional. Esse período de trevas deixou como herança um
Estado desmontado e instituições profundamente fragilizadas, além de agravar a
crise econômica e social com o negacionismo durante a pandemia, o desmonte do
SUS e o retorno trágico da fome e da precarização absoluta.
Diante
desse cenário de terra arrasada, o governo Lula assumiu a tarefa inadiável da
reconstrução nacional. Em pouco tempo, o país foi recolocado na rota do
desenvolvimento com justiça social, retomando políticas estruturantes,
reduzindo o desemprego, garantindo a valorização do salário mínimo e resgatando
novamente o povo brasileiro do Mapa da Fome.
O
8º Congresso do Partido dos Trabalhadores deve apresentar à sociedade as
diretrizes de um novo projeto de desenvolvimento nacional. Trata-se de um
momento decisivo para definir prioridades e dialogar com a sociedade
brasileira, estabelecendo com clareza quais serão as prioridades políticas para
o próximo período.
A
estratégia do Partido dos Trabalhadores está ancorada na construção de um bloco
democrático-popular, capaz de articular forças sociais diversas em torno de um
projeto de transformação. Essa construção exige organização permanente, disputa
de hegemonia e uma contínua acumulação de forças sociais e políticas nas bases
da sociedade.
Faz-se
necessário, portanto, consolidar um amplo processo de concertação social que
supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional.
Este movimento deve reunir o setor produtivo e o empresariado comprometidos com
a nação, a classe trabalhadora, o sindicalismo e os movimentos populares em uma
coalizão que transcenda a defesa institucional da democracia. É imperativo que
essa articulação se converta em uma potente força de incidência política e
social, a ponto de quebrar a hegemonia do rentismo, viabilizando a nova
industrialização e a transição energética como pilares de um projeto de país
soberano.
Este
projeto de país soberano deve ter como eixo central a soberania alimentar,
energética, industrial, ambiental, digital e comunicativa e a garantia
universal dos direitos sociais. Isso implica a universalização da escola em
tempo integral para todas as crianças, em todos os municípios brasileiros, com
investimento em infraestrutura escolar adequada, no magistério e na gestão
educacional. Deve também assegurar a universalização do acesso à creche e à
alfabetização infantil. É fundamental que contemple a expansão dos
investimentos em infraestrutura nas áreas de educação e saúde. Precisamos
universalizar o direito à segurança alimentar e ao atendimento à saúde; garantir
a segurança pública, assegurando o direito de ir e vir; assegurar o direito à
mobilidade urbana, com tarifa zero; promover os direitos à cultura, ao esporte
e ao lazer; garantir o direito à assistência social; e assegurar a igualdade de
gênero, étnico-racial e regional; e o direito à vida plena para a juventude.
Esta
soberania também exige a valorização dos agentes desta transformação, a classe
trabalhadora brasileira. O direito ao salário digno, o direito ao emprego,
assim como o direito ao descanso, ao tempo com a família e ao estudo são
fundamentais para um país ser verdadeiramente soberano. Neste sentido, a luta
histórica pela redução de jornada de trabalho, materializada pela luta pelo fim
imediato da jornada 6×1, constitui também o núcleo de um projeto de país
soberano.
A
experiência brasileira demonstra que não há democracia sustentável sem a
efetiva transformação material da sociedade. Sem a redistribuição real de
renda, de poder e de oportunidades, a frustração social se aprofunda e corrói a
confiança nas instituições. É esse vácuo de esperança que se torna terreno
fértil para a ofensiva autoritária da extrema-direita, que captura o
ressentimento popular ao oferecer falsas soluções regressivas para problemas
que são, na essência, estruturais.
A
disputa central do nosso tempo é uma disputa de hegemonia. Ela se dá no terreno
econômico, institucional, cultural e simbólico. Construir maiorias democráticas
duradouras exige organização social, formação política, comunicação popular e
presença cotidiana do Partido nos territórios, nos locais de trabalho, nas escolas,
universidades, no campo e nas novas formas de trabalho. Sem hegemonia social,
não há reforma estrutural sustentável.
As
reformas estruturais que o Partido dos Trabalhadores propõe devem ser
compreendidas como parte de um projeto nacional de desenvolvimento, orientado
por objetivos estratégicos claros – tendo como horizonte programático o
socialismo democrático – e sustentado por uma correlação de forças capaz de
enfrentar privilégios historicamente consolidados. Elas se organizam a partir
de três eixos centrais do projeto nacional de desenvolvimento, já em curso no
governo Lula 3:
Reconstrução
do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, por meio do fortalecimento
do investimento público, do planejamento, da participação social e das
políticas estruturantes, e da superação de seus pressupostos autoritários e
elitistas;
Retomada do
crescimento econômico com distribuição de renda, riqueza e patrimônio,
enfrentando o rentismo e ampliando direitos;
Transição
produtiva, tecnológica e ambiental, orientada pela sustentabilidade e pela
soberania nacional.
Esses
três eixos se materializam, no plano estrutural, em sete reformas decisivas,
sem as quais o projeto democrático-popular permanecerá bloqueado:
a)
Reforma política e eleitoral, capaz de democratizar o poder e restituir a
soberania popular e alterar o atual modelo de execução orçamentária através de
emendas parlamentares;
b)
Reforma tributária, para corrigir distorções graves do sistema de impostos e
financiar direitos. Aprovamos no Governo Lula 3 a histórica Reforma Tributária
dos tributos indiretos, permitindo um crescimento potencial de 10% do PIB no
longo prazo pela maior eficiência do sistema tributário, e avançamos muito na
justiça tributária com a Reforma do Imposto de renda, isentando quem ganha até
R$ 5 mil e cobrando mais dos super-ricos, e com a tributação de fundos
exclusivos, offshores e bets;
c)
Reforma tecnológica, com vistas à soberania produtiva, científica e digital,
fortalecida por uma ampla regulamentação dos oligopólios das plataformas
digitais;
d)
Reforma do Poder Judiciário, visando à democratização, mecanismos de
autocorreção e fortalecimento do Estado de Direito; e
e)
Reforma administrativa, que permita a reconstrução do Estado brasileiro e o
fortalecimento da capacidade pública.
f)
Reforma agrária, garantindo soberania alimentar, desenvolvimento e democracia
no campo;
g)
Reforma da comunicação, garantindo o cumprimento da construção que proíbe
monopólios neste setor.
Essas
reformas estruturantes organizam o núcleo estratégico do projeto nacional e
consolidam o caminho que o Brasil já começou a trilhar. Elas implicam a
continuidade e o aprofundamento das políticas públicas e projetos estruturantes
em curso. E exigem que o Brasil dê um passo além neste próximo ciclo: que
consolide este legado de conquistas e apresente e implemente um projeto de
futuro para as próximas gerações.
O
Partido dos Trabalhadores reafirma seu compromisso com a construção de um novo
projeto histórico. Um projeto que supere os limites do capitalismo brasileiro,
combine democracia, desenvolvimento e soberania, e devolva à política sua
capacidade de transformar a realidade. É nesse terreno que se decidirá o futuro
do Brasil e do mundo.
Para
isso, é necessário fortalecer as instâncias partidárias em todo o território
nacional, garantindo o funcionamento efetivo dos diretórios em todos os níveis
e fazendo com que os mandatos se submetam ao partido. É fundamental priorizar a
organização de base, com núcleos presentes em todos os setores sociais e
regiões do país, assegurando a presença cotidiana do partido junto à sociedade,
enraizado na nossa base social histórica. É fundamental que os núcleos de base
sejam reconhecidos como instâncias partidárias.
Devemos
valorizar nossas secretarias e setoriais como instrumentos de organização e
diálogo social. Ao mesmo tempo, é necessário inovar na organização da nova
classe trabalhadora, combinando o fortalecimento do movimento sindical com
novas formas de organização social, incluindo a economia solidária. É urgente
que, no próximo período, o PT institua a permanente transição geracional,
limitando o número de mandatos nas suas instâncias — no máximo dois no
mesmo cargo e três no total de participação na mesma instância —, e garantindo
no mínimo 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O Partido dos Trabalhadores precisa estar à altura dos desafios históricos colocados, organizando-se como instrumento político capaz de disputar os rumos do Brasil e construir um projeto de país comprometido com a democracia, com as reformas da renda, agrária e institucional, com a justiça social, a igualdade, o fim de todas as formas de discriminação e preconceito e a soberania nacional. Mais do que nunca temos de reafirmar nosso compromisso com o socialismo, e com um mundo democrático, de paz e de igualdade de direitos.

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