Folha de S. Paulo
Livro investiga as causas profundas da
divergência Ocidente-Oriente
Organizações baseadas em regras universais
deram vantagem à Europa
"Two Paths to Prosperity", de Avner Greif, Joel Mokyr e Guido Tabellini, é uma obra de fôlego, daquelas que encantam os que gostam de entender as causas profundas de fenômenos históricos. O trio de autores se propõe a explicar nada menos do que a Grande Divergência, o processo pelo qual o Ocidente (Europa e EUA) consegue a partir do século 19 superar o Oriente (principalmente a China) em termos de riqueza e desenvolvimento científico.
A explicação clássica é simples: Revolução
Industrial. Mas o bonito no estudo da história é que respostas sempre engendram
novas perguntas. Por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa e não na
China? Aí cabem diversos tipos de explicação, que vão do acesso a recursos
naturais ao nível de fragmentação política, passando pela capacidade de reis de
exercer a censura. E aí, de pergunta em pergunta, os autores recuam ao ano
1000, quando emergem instituições culturais que se mostraram definidoras.
A organização social e familiar na Europa
baseou-se principalmente no que eles chamam de corporações, como guildas,
universidades e cidades autogeridas. Esse tipo de organização favorecia a
cooperação entre indivíduos não aparentados com base em regras universais. Já a
China se fiou mais nos clãs. Neles, o pertencimento ao grupo não é uma escolha,
mas herança genética. Essa estrutura não impediu a China de criar um sistema
meritocrático que logrou grandes conquistas científicas. O confucionismo atuou
na maior parte do tempo em simbiose com os clãs.
No contexto específico do século 19, porém, o
modelo corporativo europeu funcionou melhor para promover as inovações
características da Revolução Industrial.
O livro é erudito e os argumentos parecem
sólidos. Talvez por ter sido escrito a seis mãos, pareceu-me repetitivo, mas
não chega a ser um problema.
Os autores especulam um pouco sobre o futuro.
Eles não caem no vício de outros economistas institucionalistas de decretar
que, sem liberdade, a China está condenada ao atraso científico e tecnológico.
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