Folha de S. Paulo
Educação e sinalizações afetam comportamento
humano, mas só até certo ponto
Norma britânica que bane cigarros para novas
gerações viola igualdade diante da lei
Eu acredito no poder transformador da educação e de sinalizações, venham elas do Estado ou mais organicamente da própria sociedade. Foi uma combinação desses fatores que levou os temíveis vikings a se converterem nos civilizados escandinavos. E não faz tanto tempo. Até o finalzinho do século 19, a Suécia ainda era um dos países mais pobres e corruptos da Europa. Existem, contudo, limites para a maleabilidade humana. Nem recorrendo à força conseguiremos fazer com que 100% da população siga sempre um mandamento legal, uma diretriz sanitária ou o bom senso.
Esse longo introito é para criticar a nova
legislação britânica que proibirá a venda legal de cigarros e outros
produtos fumígenos para todos os nascidos após 1º de janeiro de
2009. Mesmo depois de atingir a maioridade, essas gerações não terão o direito
de adquirir cigarros, charutos e vapes, facultados aos mais velhos. Não me
entendam mal. Fumar é uma das decisões mais estúpidas que uma pessoa pode
tomar.
Os prejuízos se materializam tanto no plano
individual (doenças, perda de renda) como no da sociedade (gastos em saúde,
perda de produtividade). Algo parecido vale para o álcool, a maioria das drogas psicoativas
e o jogo.
O que me incomoda na nova legislação
britânica é que ela viola o princípio da igualdade de todos diante da lei,
independentemente de raça, gênero ou coorte geracional, e vai contra a ideia,
que sempre defendi, de ampliação das liberdades individuais. Não cabe ao poder
público definir o que um cidadão pode fazer com seu próprio corpo, do consumo
de drogas ao aborto, passando pela morte assistida.
No mais, existem iniciativas menos
autoritárias que já se mostraram efetivas. Vários países conseguiram reduzir
significativamente o uso de tabaco valendo-se de informação, regulação e
mudanças culturais. O consumo de álcool parece ir pelo mesmo caminho.
A realidade é um lugar perigoso. Ela está
repleta de tentações. As pessoas precisam aprender a sobreviver a elas.
Decretos não criarão um mundo perfeito.
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