O Estado de S. Paulo
Lula errou ao colar no STF na fase das vacas gordas e erra ao tentar se descolar na das vacas magras
O presidente Lula errou duas vezes. A
primeira, ao colar no Supremo e em Alexandre de Moraes na época das vacas
gordas, a da resistência, do julgamento e da condenação de Bolsonaro e generais
do golpe. A segunda, agora, ao tentar se descolar da época das vacas magras,
com um ministro atrás do outro caindo na esparrela do Master e a imagem do
Supremo definhando com a seca.
Fez sentido Lula assumir a liderança pró-democracia contra o quebra-quebra de Planalto, Supremo, Câmara e Senado no fatídico 8/1, reunindo presidentes dos demais Poderes e governadores de toda a Federação para dizer “não”, condenar os atos e atrair a repulsa da população contra a barbárie. Apesar da natural casquinha política, ele estava no seu papel de chefe de Estado e da Nação.
O problema começou quando Lula, o Planalto e
o PT quiseram tirar casquinha também dos louros do Supremo, porque embolaram
decisões jurídicas com política, puseram o pé no Supremo e sugaram não só a
Corte, mas principalmente Moraes, para o balaio petista. Como se tudo não
passasse de um conluio político – versão maliciosa que as redes bolsonaristas
se esgoelam para ratificar.
Juiz com lado, ministro do
Supremo com partido? Foi péssimo para Moraes,
mas também para Lula. Quando veio a seca, sob as revelações de contratos,
jatinhos, jantares e intimidades de ministros com Vorcaro, “vazando” que estava
“irritado” com Dias Toffoli e “incomodado” com Moraes.
O presidente não tem opção. Não pode atacar
Moraes diretamente, muito menos defendê-lo. Então, tenta sair de fininho do
campo de batalha e lavar as mãos, sem passar pelo ridículo de combater a seca
feroz com um pequeno regador.
Não há até agora, pelo menos, um fiapo de
ligação de Lula com Master, Vorcaro, Fabiano Zettel e Augusto Lima, a não ser
uma conversa no Planalto, dessas que acontecem toda hora, em todo governo,
aparentemente, neste caso, sem causa e efeito. E lá foi Lula classificar o
escândalo como “ovo da serpente” do governo Bolsonaro.
Ou seja, tentou empurrar o escândalo para o
lado oposto da polarização. O foco nem é Jair Bolsonaro, mas seu oponente
Flávio. O escândalo, porém, atinge em cheio é o Supremo, apesar de afetar a
política e contaminar a eleição de outubro. Depois de Toffoli, Moraes, agora
Nunes Marques em jatinhos, além do filho de Fux em camarotes da Sapucaí…
O que arranha Lula não é um ato dele, do
Planalto ou do governo favorecendo ilegal ou ilegitimamente Master ou Vorcaro,
é a ligação com o STF e Moraes. Além de atingir o Supremo, o ministro que
liderou a resistência ao golpe tornou-se um fardo para o candidato Lula.

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