O Estado de S. Paulo
O ‘Dark Horse’ comprova que os Bolsonaro são o maior inimigo da direita nacional
Não se pode nem dar um pulo de duas semanas
ali na França, porque a política dá mais uma de suas tantas cambalhotas e o
ambiente que se encontra na volta é bastante diferente do que se deixou na ida.
Há 15 dias, a candidatura do presidente Lula parecia moribunda, enquanto a de
Flávio Bolsonaro estava cheia de energia. Hoje, Lula está muito vivo e ativo
nas pautas eleitoreiras, enquanto Flávio se debate em meio à tempestade.
O tal áudio com o “irmão” (ou “mermão”) Daniel Vorcaro já seria uma pancada e tanto nas pretensões e nos índices de Flávio nas futuras pesquisas, mas o pedido de dinheiro ter sido justamente na véspera da prisão do então banqueiro, no valor estratosférico de R$ 134 milhões e com depósitos que chegaram a R$ 61 milhões, é de arrebentar.
Como pode o filme sobre papai Jair, Dark
Horse, custar mais do que Ainda Estou Aqui e Agente Secreto juntos? A suspeita
é óbvia: o filme foi só um pretexto para encher os cofres da campanha do filho
01 à Presidência e de outras conveniências da família, como a polêmica estadia
do 03 nos EUA.
A divulgação do áudio pelo site Intercept
Brasil teve repercussão mundial, inundou as redes sociais e veio num momento
decisivo para Lula, que andava seriamente ameaçado por falta de estratégia,
derrotas inéditas no Congresso, fragilidade nos palanques estaduais e, claro, a
força do sobrenome Bolsonaro.
Lula se realinhou, o PT se mobilizou e o
governo mandou às favas os pruridos e a responsabilidade fiscal em busca de
votos. O que importa é vencer. Depois é depois. Se for para o quarto mandato,
ele “dá um jeito”.
Como o ambiente interno, o internacional
também sofre solavancos, inclusive nas Américas. A “nova direita” de Javier
Milei, na Argentina, José Antonio Kast, no Chile, Rodrigo Paz, na Bolívia, e
Daniel Noboa, no Equador, veio para ficar e se espalhar para todo o continente.
Será? Com o brilho de sempre, Oliver Stuenkel diz que não no nosso Estadão.
Pairando sobre todos, Donald Trump perdeu o
controle da ação intempestiva no Irã, mostrou falta de estratégia na visita a
Xi Jinping e amarga os piores índices de aprovação neste mandato, segundo
pesquisa do New York Times.
Assim como Bolsonaro impulsionou Wilson
Witzel, Ibaneis Rocha, Romeu Zema e tantos deputados e senadores em 2018, o
fator Trump empurrou a ascensão dessa “nova direita” com cara de Milei, à qual
se somou o Paraguai de Santiago Peña, eleito antes, em 2023.
Se puxou para cima, Trump pode puxar tudo
isso para o buraco, mas, no Brasil, está comprovado: os Bolsonaro são o maior
inimigo da direita nacional.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.