Folha de S. Paulo
Trata-se da doutrina pela qual os seus
praticantes acham que nunca serão pegos por atos ilícitos e irresponsáveis
Daniel Vorcaro, dono do Master, é o guru
máximo desse sistema de crenças que se espalha pelo país
O vorcarismo está com tudo no Brasil. É uma
doutrina pela qual os seus praticantes acham que nunca serão pegos por atos
ilícitos e irresponsáveis. O ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, dono do Master, é o guru desse sistema de crenças.
Mesmo sendo causador do maior
escândalo financeiro da história do país com perdas que podem
superar R$ 60 bilhões, Vorcaro quer assumir de volta o banco para controlar a
venda de ativos da instituição quebrada, pagar as dívidas e ficar com o saldo
remanescente, como mostrou
a colunista Mônica Bergamo.
A proposta foi parar nas negociações da sua delação premiada. Desde sempre, antes mesmo da liquidação do Master pelo Banco Central, ficar com o "troco" sempre foi o plano do ex-banqueiro.
A doutrina tem seguidores. As investigações
do escândalo Master nos apresentam quase que diariamente novos nomes
envolvidos, que acabam sendo "esquecidos" ao serem suplantados pelo
próximo implicado no caso.
São tantos que, depois das primeiras
manchetes, voltam para o cenário nacional como se nada tivesse acontecido e,
aos poucos, suas ligações com Vorcaro vão sendo esquecidas.
Flávio
Bolsonaro é um deles. Há 15 dias, estava no centro da tormenta
depois que veio à tona o seu relacionamento fraterno com o dono do Master e
o pedido de
milhões para o filme "Dark Horse".
Ele prometeu dar explicações e até agora
nada. Hoje, Flávio comemora o encontro com o presidente Donald Trump,
na Casa Branca, e a decisão dos Estados
Unidos de classificar
como organizações terroristas o Comando Vermelho e o PCC.
Em tom heroico, diz em vídeo que fez
"mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros" em uma viagem
como pré-candidato do que o PT e Lula.
Se seguir a trilha do irmão, Eduardo, que
estimulou a adoção do tarifaço norte-americano contra o Brasil, o prejuízo
poderá ser grande para a economia brasileira, como ocorreu com a
sobretaxa sobre os produtos nacionais exportados para os Estados Unidos. Tudo
pela eleição. Vale até aceitar a interferência dos americanos.
Quem pagará a conta? É puro suco do
vorcarismo!

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