O Estado de S. Paulo
Até agora, Daniel Vorcaro ofereceu menos do que os investigadores da PF já sabem
Com a prisão preventiva do pai, Henrique
Vorcaro, aumentou muito a pressão sobre Daniel Vorcaro. Se quiser livrá-lo da
cadeia, o ex-dono do banco Master vai ter de oferecer muito mais do que tem
colocado até agora na mesa.
Preso desde novembro do ano passado, Vorcaro
vem negociando com as autoridades uma delação premiada – sem sucesso. Até
agora, ofereceu menos do que os investigadores da Polícia Federal já sabem.
A legislação brasileira veda a prisão de parentes para forçar alguém a delatar. O problema para Vorcaro é que esse está longe de ser o caso. O pai ficou tão envolvido quanto ele na trama criminosa.
Henrique Vorcaro é suspeito de seguir pagando
os capangas contratados pelo filho, mesmo depois de sua prisão. Há mensagens
extraídas de celulares em que ele combina pagamentos de R$ 400 mil ao mês e R$
75 mil. Os grupos criminosos têm nomes sugestivos: “A Turma” e “Os Meninos”.
Junto com Fabiano Zettel, o cunhado e
operador financeiro, que também está preso, a família Vorcaro formou o que o
Brasil poucas vezes conseguiu desbaratar: criminosos do “colarinho-branco” com
uma organização típica de máfia.
Eles cooptaram não só funcionários públicos e
políticos. As novas revelações da sexta fase da Operação Compliance Zero
mostram que faziam parte do grupo criminoso também policiais federais, hackers
e bicheiros do Rio de Janeiro.
O ecossistema de Vorcaro acumula todo o tipo
de suspeita de contravenção: invasão de sistemas públicos, corrupção de agentes
públicos, ameaçar pessoas, destruir reputações, etc.
Os criminosos atuavam com desenvoltura no
mundo real e virtual. As evidências são fartas e a contemporaneidade, a
gravidade e a periculosidade da conduta tornam muito difícil contestar a prisão
preventiva de Henrique Vorcaro. Ele deve seguir preso, assim como o filho e o
genro. Sua saída também seria uma delação.
Para serem aceitas, todas as delações devem
percorrer alguns passos. Primeiro, serem referendadas pela Procuradoria-Geral
da República (PGR) e pela Polícia Federal. Depois, passarem pelo crivo do
relator, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.
Caso sejam rejeitadas pelo relator, Vorcaro e
seus parentes poderiam recorrer à Segunda Turma do Supremo. Dada a quantidade
de políticos e até de ministros do próprio tribunal que as delações podem
envolver, não se descartam entendimentos diferentes do relator e da Turma.
Mas qual seria o impacto para a imagem do STF
de uma delação esvaziada?

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