Folha de S. Paulo
Se investigação que pegou Ciro Nogueira se
estender, vida do filho de Bolsonaro deve ficar difícil
Bolsonaristas querem salvar a si mesmos e a aliados de direita, mas que mão pesada caia sobre Moraes
Segundo a Polícia
Federal, Ciro Nogueira (PP-PI), que Flávio
Bolsonaro já considerou vice dos sonhos por sua fidelidade a Jair
Bolsonaro quando foi seu ministro da Casa Civil, é ladrão. Ciro
recebeu dinheiro do Banco Master para
apresentar um projeto
de emenda à Constituição que teria dado sobrevida à ciranda do Master,
com custos incalculáveis para a economia brasileira.
Se você costuma ler essa coluna, já sabe de que projeto se trata. É a emenda 11 à PEC 65/2023, que é assunto aqui quase toda semana. Segundo a PF, ela foi escrita no Banco Master e entregue a Ciro em um envelope para ser apresentada ao Congresso.
A "Emenda Master" elevava a
cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para quem perdesse dinheiro com banco
quebrado, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Ou seja, o que Ciro Nogueira fez, a
mando de Daniel
Vorcaro, foi tentar aumentar o seguro que eu e você pagaríamos a quem
continuasse investindo no Master quando já estava claro que o banco era
bichado.
O deputado Filipe Barros, do PL do Paraná,
apresentou exatamente a mesma proposta, mas como projeto de lei (4395/2024).
Barros pediu intervenção militar no Congresso
Nacional em 30 de novembro de 2022 e hoje concorre a senador na chapa
de Sergio
Moro e Flávio Bolsonaro.
Se a investigação que pegou Ciro Nogueira se
estender aos outros políticos que roubaram com o Master, tentaram salvar o
Master com dinheiro público e/ou receberam dinheiro do Master, a vida de Flávio
Bolsonaro deve ficar difícil nos próximos meses. A maioria
é gente de direita.
Por exemplo, depois da operação da PF, foi
cancelado o evento
em que Tarcísio
de Freitas receberia
apoio público do PP à sua candidatura ao governo. O presidente do PP é
Ciro Nogueira. Se as investigações forem até o fim, Tarcísio também vai ter que
cancelar eventos com o PL, com o União Brasil e com seu próprio partido, o
Republicanos, porque está todo mundo no rolo.
O próprio Tarcísio, é bom lembrar, teve como
principal doador de campanha em 2022 Fabiano
Zettel, cunhado e operador político de Daniel Vorcaro. Flávio
Bolsonaro também terá cinco meses de vida social muito parada se deixar de se
encontrar com direitistas envolvidos com o Master até a eleição.
Terá que parar de visitar o pai, inclusive:
Jair Bolsonaro recebeu a maior doação eleitoral do ecossistema Master
encontrada até agora. Ou seja: a direita só tem chances de vitória neste ano se
o escândalo do Master acabar na mãe de todas as pizzas, na pizza comparada à
qual todas as pizzas anteriores foram só pães de forma com um polenguinho em
cima.
Considerando o quanto a direita é poderosa, é
bem possível que a pizza venha. A dúvida é sobre o seu sabor. A direita
tradicional torce por uma pizza X-tudão que livre todo mundo.
O bolsonarismo quer uma pizza só um pouco
menos parruda: querem salvar a si mesmos, a seus aliados de direita, mas querem
que a mão pesada da lei caia sobre Alexandre
de Moraes.
A esquerda também gostaria de salvar alguns
dos seus. Mas ao menos, pelo que se viu até agora, é muito menos gente. Se
deixarmos de lado lealdades pessoais e nos ativermos apenas ao ponto de vista
eleitoral, o ideal para a esquerda seria uma greve de pizzaiolos que durasse
pelo menos até outubro.

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