Folha de S. Paulo
No conflito entre bolsonaristas e o STF, o
Banco Master é a terceira via que superou a polarização
Lula, que não tem a perder com as
investigações, indicou ministro antipizza e foi derrotado
O veto a Jorge Messias foi
resultado de uma articulação política entre Alexandre
de Moraes, Flávio
Bolsonaro e Davi
Alcolumbre. Os três e suas turmas temiam que Messias apoiasse André
Mendonça nas investigações do Banco Master.
Mendonça apoiava Messias.
Só parece confuso se você ainda não entendeu o PowerPoint das conexões políticas do Banco Master. O resumo está na coluna de 28 de março. É um monte de gente de direita, o pessoal do STF e do TCU enrolado com Vorcaro, e um grupo bem menor de esquerda.
A partir desses dados, os eventos da semana
passada fazem perfeito sentido. Lula, que não tem a perder com as investigações
(apesar do PT da
Bahia), indicou um ministro antipizza. A direita se juntou com os enrolados do
STF e barrou Messias.
No dia seguinte do veto a Messias, Alcolumbre
e sua turma reduziram a pena de Bolsonaro e mataram a CPI do Master. Ficou tudo
em casa.
O segredo para entender o que aconteceu
quarta-feira é o cruzamento de dois gráficos: o PowerPoint do Master e a árvore
genealógica da turma que barrou Messias.
Flávio Bolsonaro é filho do político que teve
o cunhado de Vorcaro como maior doador de sua campanha eleitoral. A esposa de
Alexandre de Moraes tinha um contrato milionário suspeitíssimo com o Banco
Master. Davi Alcolumbre indicou o comando da previdência estadual do Amapá, que
colocou R$ 400 milhões dos aposentados do estado em aplicações do Banco Master
que agora não valem nada. Foi o segundo maior aporte de dinheiro de aposentado
no Master, depois do R$ 1 bilhão entregue pelo bolsonarista Cláudio
Castro (PL-RJ).
A propósito, segundo algumas reportagens,
aliados de Messias acusam Jaques Wagner de
traição nas negociações que precederam o veto. Se for verdade, a hipótese
"Turma do Master derrubou Messias" fica ainda mais provável: Jaques
Wagner é o único petista de expressão política que tem parentes que receberam
dinheiro do ecossistema Master (a nora).
Alguns amigos me disseram que o clima em
Brasília na quarta-feira lembrava o dos meses anteriores ao impeachment de
Dilma. Faz sentido: dez anos atrás, a direita também fazia barbaridades no
Congresso para forçar o governo a barrar uma grande investigação de corrupção.
A jornalista Ana Clara Costa, da revista
piauí, também apurou que o acordo Alcolumbre-Xandão-Bolsonaro abriria a
possibilidade de um bem-bolado em caso de vitória bolsonarista em outubro.
Alcolumbre deixaria a vaga no STF aberta para
ser preenchida pelo próximo presidente. Se Flávio vencer a eleição, essa
indicação a mais lhe daria, ao fim do primeiro mandato, maioria no STF: nos
próximos quatro anos, três vagas serão abertas por aposentadorias compulsórias
de ministros (Fux, Cármen e Gilmar). Com quatro indicações, mais os dois
ministros indicados por Jair (Mendonça e Kassio), a extrema direita ganharia
maioria no STF. Em troca, Flávio apoiaria a reeleição de Alcolumbre para a
presidência do Senado em
2027. De lá, Davi barraria os pedidos de impeachment contra os atuais ministros
do STF.
Ou seja: no conflito entre bolsonaristas e o
STF, o Banco Master é a terceira via que superou a polarização. Daniel
Vorcaro é o verdadeiro bolsonarista moderado. E essa frente ampla tem
grande chance de vencer as eleições em
outubro.

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