Folha de S. Paulo
O país tem a chance de desmentir a escrita de
que o próximo Congresso será sempre pior que o anterior
Quanto mais poder tem o Legislativo, mais
importantes são as escolhas para a Câmara e o Senado
O crescimento do poder do
Parlamento não serviu só para inverter o equilíbrio de forças
entre Executivo e Legislativo. Servirá nesta eleição para dar chance ao
eleitorado de desmentir a escrita de que o próximo Congresso será sempre pior
que o anterior.
Para isso é preciso observar alguns pré-requisitos na escolha de deputados e senadores. Renúncia ao pertencimento a bolhas ideológicas é um deles, mas há outros: atenção máxima ao cardápio de candidatos, prioridade semelhante à dada aos postulantes à Presidência e abandono de badulaques tais como carisma e venda de terrenos na Lua.
Conta também para um Legislativo alinhado às
regras do presidencialismo a conjugação de parlamentares à opção por um candidato
a presidente que tenha com eles identificação programática —de novo, não
necessariamente ideológica— que facilite o ato de governar.
Não se trata de interditar o essencial ofício
da oposição, mas de distinguir os papéis dos Poderes, seus deveres e direitos,
no sistema presidencialista. Há dúvida sobre o interesse dos beneficiários da
atual distorção de explicar que se eles querem exercer o
controle do Orçamento devem ter também responsabilidade na
execução das políticas públicas.
Sem essa atribuição clara de prerrogativas,
vamos continuar na toada em que o Congresso dita ações do governo sem ter
responsabilidade sobre as consequências. Situação muito confortável para o
Parlamento, mas de evidente distorção institucional. Urgente, portanto, que se
corrija a deformação.
Se não for pela mudança de sistema —duas
vezes recusada em plebiscito—, que seja pelo voto consciente. Convencida de que
a eleição de congressistas influi no ato de governar, altera decisões, prospera
ou interdita decisões, a população tem a chance de dar o seu jeito.

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