sexta-feira, 19 de junho de 2026

Governo discute saída de Jaques Wagner da liderança no Senado, por Sofia Aguiar

Valor Econômico

Decisão final depende de uma definição do presidente Lula

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute a saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), do cargo, e parte do Palácio do Planalto defende essa posição. A decisão final, no entanto, espera uma definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que ainda não aconteceu.

A discussão ocorre após o líder do governo ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje. De acordo com as investigações, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF).

As ações estão detalhadas na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as medidas de busca e apreensão da operação da PF. Segundo o ministro, a PF descreveu conversas por telefone e por mensagens entre Wagner e o ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, Augusto Ferreira Lima, que indicam que o senador não seria “mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

Diante da ação deflagrada, o governo ainda monitora a situação e analisa seus impactos políticos, especialmente em torno do presidente, a poucos meses da eleição presidencial. Por conta disso, a saída de Jaques está sendo debatida, mas sem decisão tomada. Porém, pelo risco negativo à imagem do governo e a Lula, parte da gestão defende sua saída.

Lula chegou a Brasília nesta madrugada e, segundo fontes, ainda não se reuniu com ministros para tratar de uma definição do assunto. O chefe das Relações InstitucionaisJosé Guimarães, cumpre agendas hoje em Sergipe. Ele era líder do governo na Câmara, mas deixou o cargo para chefiar a pasta do Planalto.

Mesmo que os desdobramentos do caso ainda estejam sendo calculados pela gestão federal, o governo e o PT reiteram que continuarão a defender a manutenção das investigações envolvendo o Banco Master. Em discursos, Lula vem defendendo as apurações envolvendo a instituição financeira e reforçado que a PF tem autonomia nas ações. A tendência é que o posicionamento do chefe do Executivo permaneça no mesmo estilo, mesmo com a operação de hoje.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu, mais cedo, o líder do governo no Senado. Em nota, Edinho disse que apoia as investigações, mas que Jaques é "depositário de toda nossa confiança".

“Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou.

 

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