Valor Econômico
Decisão final depende de uma definição do presidente Lula
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva discute a saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), do
cargo, e parte do Palácio do Planalto defende essa posição. A decisão final, no
entanto, espera uma definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que
ainda não aconteceu.
A discussão ocorre após o líder do governo ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje. De acordo com as investigações, Wagner teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF).
As ações estão detalhadas na decisão do
ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou
as medidas de busca e apreensão da operação da PF. Segundo o ministro, a PF
descreveu conversas por telefone e por mensagens entre Wagner e o ex-sócio
de Daniel Vorcaro no
Master, Augusto Ferreira Lima,
que indicam que o senador não seria “mero destinatário passivo de informações,
mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.
Diante da ação deflagrada, o governo ainda
monitora a situação e analisa seus impactos políticos, especialmente em torno
do presidente, a poucos meses da eleição presidencial. Por conta disso, a saída
de Jaques está sendo debatida, mas sem decisão tomada. Porém, pelo risco
negativo à imagem do governo e a Lula, parte da gestão defende sua saída.
Lula chegou a Brasília nesta madrugada e,
segundo fontes, ainda não se reuniu com ministros para tratar de uma definição
do assunto. O chefe das Relações
Institucionais, José
Guimarães, cumpre agendas hoje em Sergipe. Ele era líder do
governo na Câmara, mas deixou o cargo para chefiar a pasta do Planalto.
Mesmo que os desdobramentos do caso ainda
estejam sendo calculados pela gestão federal, o governo e o PT reiteram que
continuarão a defender a manutenção das investigações envolvendo o Banco
Master. Em discursos, Lula vem defendendo as apurações envolvendo a instituição
financeira e reforçado que a PF tem autonomia nas ações. A tendência é que o
posicionamento do chefe do Executivo permaneça no mesmo estilo, mesmo com a
operação de hoje.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva,
defendeu, mais cedo, o líder do governo no Senado. Em nota, Edinho disse que
apoia as investigações, mas que Jaques é "depositário de toda nossa
confiança".
“Apoiamos todas as apurações envolvendo o
Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos
precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de
investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos
os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou.

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