O Estado de S. Paulo
Remanescentes das Farc se tornaram a principal ameaça aos homens do Exército após fim de Maduro
Toda semana soldados da 2.ª e da 16.ª Brigadas de Infantaria de Selva são atacados e trocam tiros com integrantes do Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR). Trata-se de dissidentes das Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que se recusaram a aderir ao acordo de paz de 2016 e formam um dos mais fortes cartéis do narcotráfico da América do Sul.
A situação chegou a tal ponto que a principal ameaça ao Brasil enfrentada pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) deixou de estar na fronteira de Roraima com a Venezuela, área da 1.ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS). Com sede em Boa Vista, ela havia recebido o 18.º Regimento de Cavalaria Mecanizado em 2023 em razão do risco de o ditador Nicolás Maduro usar o Brasil para se apossar da região de Essequibo, na Guiana. Para lá também havia sido enviado o primeiro lote de mísseis antitanque Max 1.2 AC, adquiridos pelo Exército, além de artilharia antiaérea de baixa altura.
A revelação sobre o tamanho da crise
provocada pelos ataques da narcoguerrilha colombiana aos Pelotões Especiais de
Fronteira (PEF) foi feita pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general
Francisco Humberto Montenegro Júnior, no auditório do quartelgeneral do
Exército, durante o seminário A Evolução da Guerra: Desafios para o Componente
Terrestre.
“O cenário mudou. Hoje, a gente tem um
cenário muito preocupante no CMA. Nossos pelotões, nossos tenentes e sargentos,
estão combatendo toda semana, trocando tiro com guerrilheiros dos GAORs
colombianos que passam a nossa fronteira para escoar a droga, particularmente
com destino ao continente europeu e africano pela rota do Solimões e pela rota
Caipira, entrando pelo centro-oeste. Hoje, talvez, a nossa prioridade seja
ali”, afirmou o general.
Um outro dado também retrata a dimensão do
crime organizado transacional em nossas fronteiras. Ele foi divulgado pelo
comando do Exército em maio: A Força Terrestre provocou um prejuízo de R$ 600
milhões aos criminosos em 4 mil ações em 2025. Foi assim que o 2.º PEF, da 16.ª
BIS, apreendeu uma tonelada de skunk na madrugada do dia 27 de fevereiro de
2025, no Rio Içá, na fronteira com a Colômbia. “A gente está pesando o que
comprar de novos equipamentos para o pessoal que está no combate diário”,
completou o general.
Enquanto as forças políticas do Brasil
discutem o “sexo do crime” – com a direita insistindo em mudar o nome das
facções para terrorismo como se isso fosse resolver algo –, os bandidos
continuam a se infiltrar no País: na política, na economia e nas fronteiras. A
nova ameaça revelada pelo general Montenegro é prova disso. •

Interessante, bem informativo!
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