quarta-feira, 22 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro não consegue unir a direita, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

PL tem dificuldades para atrair outros partidos para uma aliança formal

Se não trouxer nem o Republicanos, Flávio terá menos tempo de TV que Lula

Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula. Ele ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.

A dificuldade do PL para atrair outras legendas se deve a uma grande mudança na paisagem política. Até o início dos anos 2010, fazia grande diferença para um partido apostar no cavalo certo, isto é, no candidato presidencial que se sagraria vencedor. Integrar a coalizão governista desde o início dava muito mais acesso a ministérios, cargos e verbas. O agigantamento das emendas parlamentares somado ao financiamento público de campanhas mudou o cálculo dos partidos, principalmente o daqueles sem marca ideológica muito saliente.

Para estes, o grande objetivo é fazer cadeiras na Câmara, que é o critério principal para ter acesso aos fundos partidários. E a melhor receita para isso é manter-se neutro para dar aos candidatos a deputado a maior liberdade possível para montar suas parcerias localmente. No Nordeste, por exemplo, pode valer a pena, mesmo para uma candidatura conservadora, estar ao lado de Lula e não de Bolsonaro.

Não chega a ser um divórcio entre Executivo e Legislativo, mas eles passaram a dormir em quartos separados. É uma situação que aumenta os custos da governabilidade. Presidentes até conseguem apoio para seus projetos prioritários, mas precisam negociá-lo caso a caso e com sobretaxa.

Não penso que seja um arranjo muito sustentável, especialmente porque o Parlamento vai abocanhando cada vez mais verbas e comprimindo a parte do Orçamento disponível para investimentos. A exemplo do nó fiscal, é um problema que teremos de abordar mais ou menos logo.

 

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