Folha de S. Paulo
PL tem dificuldades para atrair outros
partidos para uma aliança formal
Se não trouxer nem o Republicanos, Flávio
terá menos tempo de TV que Lula
Finda a Copa começam as eleições. A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta problemas. Um forte indício disso é o tempo de TV. A menos que o PL consiga trazer o Republicanos para uma aliança, o Bolsonaro pequeno terá menos espaço no rádio e na TV do que Lula. Ele ficará com 4 minutos e 20 segundos por bloco de propaganda contra 5 minutos e 32 segundos do petista. Se Lula não foi capaz de forjar uma aliança que vá além da esquerda, Flávio não conseguiu nem unir a direita, que é majoritária no Congresso.
A dificuldade do PL para atrair outras
legendas se deve a uma grande mudança na paisagem política. Até o início dos
anos 2010, fazia grande diferença para um partido apostar no cavalo certo, isto
é, no candidato presidencial que se sagraria vencedor. Integrar a coalizão
governista desde o início dava muito mais acesso a ministérios, cargos e
verbas. O agigantamento das emendas parlamentares somado ao financiamento público
de campanhas mudou o cálculo dos partidos, principalmente o daqueles sem marca
ideológica muito saliente.
Para estes, o grande objetivo é fazer
cadeiras na Câmara, que é o critério principal para ter acesso aos fundos
partidários. E a melhor receita para isso é manter-se neutro para dar aos
candidatos a deputado a maior liberdade possível para montar suas parcerias
localmente. No Nordeste, por exemplo, pode valer a pena, mesmo para uma
candidatura conservadora, estar ao lado de Lula e não de Bolsonaro.
Não chega a ser um divórcio entre Executivo e
Legislativo, mas eles passaram a dormir em quartos separados. É uma situação
que aumenta os custos da governabilidade. Presidentes até conseguem apoio para
seus projetos prioritários, mas precisam negociá-lo caso a caso e com
sobretaxa.
Não penso que seja um arranjo muito
sustentável, especialmente porque o Parlamento vai abocanhando cada vez mais
verbas e comprimindo a parte do Orçamento disponível para investimentos. A
exemplo do nó fiscal, é um problema que teremos de abordar mais ou menos logo.
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