sábado, 4 de julho de 2026

O que quer Alcolumbre para tirar a PEC 6x1 da geladeira? Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Presidente do Senado barganha proposta do fim da 6x1 para garantir sobrevivência

Sinalização de que congressista vai deixar tema para depois das eleições anima setores empresariais contrários à PEC, que querem mais tempo para negociar mudanças após o pleito de outubro

Os empresários dos principais setores da economia contrários à votação da PEC do fim da escala 6x1 com bom trânsito no Senado estavam certos ao confiar que Davi Alcolumbre iria segurar a votação.

Antes da aprovação na Câmara essa era a única esperança que restava a eles, em meio ao barulho nas redes pela aprovação do texto e à adesão maciça dos deputados à proposta.

APEC foi aprovada em segundo turno com461 votos a favor e 19 contrários. No primeiro, o placar foi de 472 votos a favor e 22 contra.

Naquele momento, a percepção era a de que o apoio popular, referendado por pesquisas de opinião, levaria a uma aprovação rápida.

Nada disso aconteceu. Um mês se passou e a PEC foi para a geladeira de Alcolumbre. O presidente do Senado mandou aliados avisarem que não deve votá-la antes da eleição, com críticas ao tratamento recebido de Lula.

Para assustar, sinalizou que pode apoiar o fim da proposta de transição para a implementação da escala 6x1. Acabar com a transição não é uma proposta que agradaria o govermo, embora ninguem vá confirmar em público.

Alcolumbre não embarcou na PEC 7x0, que flexibiliza a jornada de trabalho, proposta do senador Rogério Marinho (PL), coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro. Por outro lado, não aceitou a tentativa do presidente do CCJ, Otto Alencar (PSD), aliado do governo Lula na Bahia, de emplacar um petista na relatoria da PEC —um jeito de evitar o debate alongado no Senado cobrado pela oposição.

A sinalização animou os emprésarios. Mas o tema é a sobrevivência para Alcolumbre. Ele usa a PEC do fim da 6x1 para negociar: antecipar-se ao resultado das eleições de outubro e garantir sua reeleição à presidência para buscar proteção à pressão do que vem por ai no caso Master, sob a batuta do ministro do STF André Mendonça.

Não pode despachar o que tem de mais valor em cima do governo. Interessa à oposição deixar a votação para depois da eleição. Mas Lula tem o discurso pronto na campanha: o Senado é inimigo do povo. Não está fácil a decisão para Alcolumbre.

 

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