Folha de S. Paulo
Presidente do Senado barganha proposta do fim
da 6x1 para garantir sobrevivência
Sinalização de que congressista vai deixar
tema para depois das eleições anima setores empresariais contrários à PEC, que
querem mais tempo para negociar mudanças após o pleito de outubro
Os empresários dos principais setores da
economia contrários à votação da PEC do fim da escala 6x1 com
bom trânsito no Senado estavam
certos ao confiar que Davi
Alcolumbre iria segurar a votação.
Antes da aprovação na Câmara essa era a única esperança que restava a eles, em meio ao barulho nas redes pela aprovação do texto e à adesão maciça dos deputados à proposta.
APEC foi aprovada em segundo turno com461
votos a favor e 19 contrários. No primeiro, o placar foi de 472 votos a favor e
22 contra.
Naquele momento, a percepção era a de que o
apoio popular, referendado por pesquisas de opinião, levaria a uma aprovação
rápida.
Nada disso aconteceu. Um mês se passou e a
PEC foi para a geladeira de Alcolumbre. O presidente do Senado mandou aliados
avisarem que não deve votá-la antes da eleição, com críticas ao tratamento
recebido de Lula.
Para assustar, sinalizou que pode apoiar o
fim da proposta de transição para a implementação da escala 6x1. Acabar com a
transição não é uma proposta que agradaria o govermo, embora ninguem vá
confirmar em público.
Alcolumbre não embarcou na PEC 7x0, que
flexibiliza a jornada de trabalho, proposta do senador Rogério Marinho (PL),
coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro. Por outro lado, não aceitou a
tentativa do presidente do CCJ, Otto Alencar (PSD), aliado do governo Lula na
Bahia, de emplacar um petista na relatoria da PEC —um jeito de evitar o debate
alongado no Senado cobrado pela oposição.
A sinalização animou os emprésarios. Mas o
tema é a sobrevivência para Alcolumbre. Ele usa a PEC do fim da 6x1 para
negociar: antecipar-se ao resultado das eleições de outubro e garantir sua
reeleição à presidência para buscar proteção à pressão do que vem por ai no
caso Master, sob a batuta do ministro do STF André Mendonça.
Não pode despachar o que tem de mais valor em
cima do governo. Interessa à oposição deixar a votação para depois da eleição.
Mas Lula tem o discurso pronto na campanha: o Senado é inimigo do povo. Não
está fácil a decisão para Alcolumbre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário