sexta-feira, 17 de julho de 2026

Tarifaço ruim para Flávio, bom para Lula, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Lula faz do limão uma limonada e é o único a ganhar com o tarifaço de Trump

Flávio Bolsonaro, o Brasil, os EUA e a relação centenária entre os dois países, suas empresas e sociedades perdem com o novo tarifaço, político e calcado em dados falsos, imposto pelo governo Trump com a equivocada intenção de favorecer a direita brasileira. No fim, quem ganha? O presidente Lula, como o próprio Flávio previu, mas tarde demais.

Planalto e Itamaraty já tinham pronta a reação diplomática e de comunicação, com manifestação dura do chanceler Mauro Vieira e uma entrevista com os principais expoentes do governo, com três focos: “soberania nacional”, “mentiras dos EUA” e apoio aos setores atingidos.

Do outro lado, Flávio adicionou mais um erro incompreensível à sua coleção, ao reproduzir nota do secretário de Estado Marco Rubio a favor do tarifaço e contra Lula. Ou seja, apoiou o agressor, com quem se identifica ideologicamente, em vez de defender o agredido: o Brasil.

Rubio culpou Lula pelo tarifaço, dizendo que ele “agiu de má-fé e colocou seu próprio ego à frente de um acordo do bem-estar do povo brasileiro”. Na mesma linha, a Fiesp de Paulo Skaf responsabilizou Lula e seu governo, por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington”.

Tudo isso é verdade, mas dos dois lados. E, mesmo com o “desalinhamento político”, as negociações foram intensas e envolveram diferentes áreas do governo. Segundo Mauro Vieira, foram 30 reuniões presenciais, por internet ou por telefone, desde o ano passado.

A versão do governo é de que a decisão dos EUA foi política, já estava tomada independentemente das negociações e é cheia de erros sobre Pix, desmatamento, comércio. Por quê? Para tentar favorecer a direita na disputa eleitoral.

O tarifaço, porém, só piora a situação de Flávio, que tentou consertar pedindo o adiamento para depois das eleições, mas era tarde, ele já estava decidido na cabeça de Trump. E Flávio ainda não se deu conta do quanto o irmão Eduardo e o amigão Paulo Figueiredo atrapalham. Deviam fazer como Carlos, o 02: sumir de cena.

Antes do anúncio de Washington, 51% dos pesquisados pela Quaest atribuíam a culpa a Flávio e 30%, a Lula. Depois, como divulgou o UOL, foram 7 milhões de menções e interações com o termo “Tariflávio” no X, no Instagram e no TikTok, em menos de 24 horas. Ruim para Flávio, bom para Lula, que teve índice maior de aprovação do que desaprovação pela primeira vez desde 2024 e recuperou pontos em segmentos refratários a ele na Quaest. O primeiro erro de Flávio, aliás, foi o tarifaço de 2025. Um erro que se repete, na pior hora da sua candidatura.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário