quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A hora do nervoso para uma turma do STF, por William Waack

O Estado de S. Paulo

A turma da força no Supremo Tribunal Federal se acha vítima de uma conspiração

Uma parte do STF encara as próximas eleições com evidente apreensão, embora já no anúncio dos resultados de 2022 tivesse se julgado vitoriosa sobre seu principal adversário político. Condição reiterada após o 8 de Janeiro e o julgamento e condenação de Jair Bolsonaro. Qual, então, a razão para o aparente nervosismo?

Na superfície não há alteração no eixo de polarização Lula-Bolsonaro. Nesses quatro anos, a acentuada mudança negativa para os operadores políticos no STF é a compreensão, por parte de vastos setores da sociedade e suas elites (muito além da franja bolsonarista), de que o Supremo deixou de ser uma instituição de Estado. Capturado por integrantes defendendo seus interesses particulares, lícitos ou não.

O trio Moraes, Dino e Gilmar, que efetivamente trata de se impor na Corte, não entendeu a natureza dessa transformação e acha que se trata de “onda”. Agarra-se a indícios de uma “conspiração” financiada por parentes de banqueiros, que aliciaram ONGs de pouca transparência e formaram com instituições como FGV/SP e Casa das Garças, fundações ligadas a bilionários, o mesmo “ecossistema” que teria alimentado a Lava Jato.

Incluem nisso algumas das principais organizações de imprensa, vistas por eles como “apparatchik” na luta contra o STF.

Violaram o princípio constitucional do sigilo da fonte jornalística e acham que uma eventual volta da obrigatoriedade do diploma para exercício dessa profissão (que o próprio STF havia derrubado) limitaria bastante o número dos que seriam protegidos pelos dispositivos garantindo liberdade de expressão.

É patético como alguns desses ministros pretendem definir o que seja jornalismo investigativo, que vem expondo a nudez dos intocáveis – aliás, percebida pelo público há muito tempo. Por isso, o STF está distante ainda de alguma “pacificação” com o que antes se chamava “opinião pública”.

Tem sido muito mais exitosa até aqui a busca de entendimento com forças e personagens políticos para os quais investigações policiais e seus impactos eleitorais configuram séria ameaça à sobrevivência nos cargos que ocupam, com os respectivos poderes e privilégios – fora o resto. Isso abarca os três Poderes, cada um com suas encrencas próprias (algumas em comum), e todos confrontados com a mesma indagação.

Que alteração as eleições trariam no status quo hoje descrito pela frase “tá tudo dominado”? O mal-estar geral é profundo. E muito disseminada a descrença na capacidade das instituições, incluindo eleições, de mudar qualquer coisa desse “sistema”. É mesmo para qualquer um ficar nervoso.

 

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